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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cristãos paquistaneses acusados falsamente de blasfêmia


PAQUISTÃO (14º) - Dois cristãos paquistaneses foram acusados de blasfêmia por muçulmanos locais em 16de outubro, na vila Rahwali, que resultou em ameaças para queimá-los vivos.


Nasir, de 20 anos, e Hanif, de 24 anos, são conhecidos por serem melhores amigos na vila Rahwali, um subúrbio de Gujranwala, Punjab no Paquistão. Eles foram envolvidos no que é alegado ser um caso falso de blasfêmia sob o artigo 295-C do Código Penal paquistanês, de acordo com um repórter do CLAAS (Center for Legal Aid Assistance Settlement) obtido pela Assiste News Service (ANS).

O reverendo Sharif Allam, pastor local da igreja do Paquistão em Gakar, há 75 km de Lahore, e Joseph Francis, diretor nacional do CLAAS, disseram à ANS por telefone que ambos os homens foram “falsamente envolvidos” no caso da blasfêmia e “fugiram do local em temor de suas vidas”.

O reverendo Allam, que ajuda comunidades cristãs em assuntos sociais, econômicos, políticos e legais, disse que o assunto é uma “questão muito delicada no local”. 

Também declarou que a comunidade muçulmana foi “pronta para atacar cristãos e queimá-los vivos”. Os jovens fugiram temendo por suas vidas e isso causou uma revolta contra os cristãos da vila Rahwali. 

Após a intervenção da polícia local contra um suposto ataque dos muçulmanos, a maioria dessas famílias cristãs fugiu para salvar suas vidas.

Há somente 30 famílias cristãs vivendo em Rahwali entre mais de 300 muçulmanos residentes. A maioria dos cristãos locais, segundo Allam, são “pobres e analfabetos e estão acostumados com o trabalho manual para sustentar suas famílias.”

Acusação e defesa

O pai de Nasir, William Masih, disse à CLAAS que o suposto incidente de blasfêmia aconteceu em 16 de outubro de 2010, quando Mohammad Baig, um vigia noturno de uma fábrica, chamou Nasir e Hanif tarde da noite e pediu a eles para vender alguns livros para um sebo.

Pela noite eles venderam os livros em dois lugares, mas pela manhã quando um dos comerciantes viu que os livros eram na verdade livros islâmicos chamou a Nasir, devolvendo os livros e exigindo o dinheiro de volta. Como o jovem já tinha gasto, disse que devolveria assim que possível. 

Como resultado desta conversa, o comerciante ficou furioso e começou a gritar, alegando que Nasir cometeu blasfêmia e tinha insultado os livros sagrado da religião islâmica.

Para defesa dos acusados, o pastor propôs um acordo com os donos da fábrica, a polícia e os agressores. Houve uma reunião na congregação com discursos do pastor e do diretor Francis, em defesas aos jovens.

Também foram apresentados os pais de Nasir e Hanif, que juraram na presença daqueles reunidos, declarando que seus filhos são analfabetos e inocentes, que tinham cometido uma ofensa por ignorância, e que os dois jovens não estavam cientes que o que tentaram vender era, de fato, alguns livros sagrados.

O pastor Allam, Sr. Francis, Sr Sethi e os pais dos jovens foram ao posto policial para fazer declaração de compromisso escrita através de procedimentos legais. 


Tradução: Tatiane Lima 

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