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sábado, 16 de maio de 2009

Jovem professor cristão é sequestrado

IRAQUE (16º) - Na manhã do dia 14 de maio de 2009, um grupo armado invadiu uma escola primária em Kirkuk e levou um jovem professor cristão. Namir Nadhim Gourguis tem 32 anos, solteiro e vem de uma família humilde.

Quatro pessoas invadiram a escola no bairro de Ruwaidha, e sequestraram o professor. Eles já pediram o resgate: “Uma grande quantia, que a família não pode pagar”, afirma uma fonte local.

Em uma tentativa de salvar a vida desse jovem, o arcebispo de Kirkuk, Louis Sako, apelou para que os xeiques e os imãs na área ajudem a libertá-lo. Espera-se que “Essas tentativas de mediação resultem na libertação dele”.

A comunidade cristã tem sido o alvo desses grupos criminosos que realizam os sequestros por extorsão. Há alguns dias, um jovem foi assassinado na porta de casa; outras três pessoas foram baleadas. Os criminosos veem os cristãos como alvo fácil, pois ao contrário dos árabes e curdos, eles não são protegidos pela comunidade, familiares ou pela polícia.

Tradução: Deborah Stafussi
Fonte: AsiaNews

terça-feira, 12 de maio de 2009

Escola Bíblica SETIA resiste, mesmo realizando aulas em abrigos

INDONÉSIA (41º) - Desde novembro de 2008, cerca de 1.000 estudantes e a equipe da Escola Teológica de Arastamar (SETIA) foram evacuados por causa de um violento ataque feito por extremistas muçulmanos. Sem ter como voltar ao campus, eles permanecem em abrigos. O governo da cidade prometeu conseguir um novo local para a escola, mas isso ainda não cumpriu a promessa.

Os estudantes estão espalhados em três lugares de Jacarta. Pelo menos 450 deles vivem em tendas em um espaço para acampamentos em Cibubur, 250 vivem em um complexo estatal em Kalimalang e outros 500 em um espaço pertencente ao escritório da prefeitura de Jacarta.

Os estudantes enfrentam desafios diários: “A chuva quase fez desmoronar nossa tenda já frágil. À noite, nós nos sentimos como se nosso corpo fosse ‘um’ com o chão”, disse uma jovem estudante de Cibubur. Devido às fortes chuvas dos últimos meses, alguns estudantes ficaram com febre, gripe, tosses e dores na garganta. Nenhum dos abrigos não possui uma infraestrutura decente.

No espaço da prefeitura de Jacarta, às vezes, os estudantes esperam por horas para conseguir usar o banheiro, e é muito difícil conseguir água potável.

Embora privados de uma vida confortável, os líderes da SETIA, a equipe e os estudantes mantiveram o espírito e se fixaram na visão e na missão que Deus confiou a eles: alcançar a outros. Eles comemoram o Natal e a Páscoa. Um estudante disse: “Nos sentimos mais próximos do Gólgota nesta Páscoa. O ambiente simples nos comoveu. Era como se pudéssemos ouvir Jesus dizendo: ‘Venha e sofra comigo’”.

Apesar das incertezas, em dezembro de 2008, a SETIA ainda fez a cerimônia de formatura dos alunos, enviando centenas de estudantes para pregar o evangelho nas cidades distantes do país. As aulas são feitas ao ar livre, geralmente sob a sombra das árvores. No entanto, as aulas têm que ser interrompidas sempre que começa a chover. Nesse momento, os estudantes correm de volta para suas tendas para procurar abrigo.

Um dos professores declarou: “Nós nos sentimos como se estivéssemos no primeiro século, fazendo o que Jesus fazia, ensinando nos vales ou debaixo das árvores, em qualquer lugar. Abraão também viveu em tendas e, mesmo assim, se tornou um canal de Deus para abençoar muitas nações”.

Aris, um aluno da Ilha Nias, que está no terceiro ano, falou a respeito de suas esperanças: “Isso é um teste para nossa fé que irá nos preparar para os desafios futuros na vida e no ministério”.

A escola tem mantido sua rotina. O diretor da SETIA, o Rev. Matheus Mangentang, relatou que todos têm mantido a vida disciplinada que tinham: “Antes da evacuação, os estudantes acordavam cedo, frequentavam os cultos, oravam, jejuavam, faziam tarefas do dia-a-dia, enfim, estavam preparados para enfrentar dificuldades. A disciplina é o fruto do verdadeiro discípulo. Não queremos perder isto, mesmo que tenhamos que continuar a viver em abrigos ou tendas”.

A população local proibiu a SETIA de voltar às antigas instalações. Os líderes da escola estão procurando um novo local. Em 2008, a Portas Abertas distribuiu alimentos e bebidas para mais de 1.100 alunos e equipe, levou uma pequena mensagem de encorajamento para eles e os ajudou a equipar uma cozinha (necessidade urgente deles à época).

Tradução: Texto traduzido pela fonte

Missão Portas Abertas / http://www.portasabertas.org.br/

terça-feira, 5 de maio de 2009

Canal de TV exibe documentário difamando Cristãos

Em 17 de maio de 2008, o Canal Um da TV uzbeque transmitiu um documentário de 90 minutas chamado “Nas garras da ignorância”. O programa trata de diversas minorias religiosas no país, mas o foco está nas atividades de cristãos uzbeques e de missionários estrangeiros.

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O programa foi recomendado para funcionários públicos e estudantes de todo o país. A liderança acadêmica do Conservatório Federal do Uzbequistão insistiu para que professores e alunes assistissem ao documentário.

Os policiais, de igual modo, foram aconselhados a assistir. Na verdade, a polícia colaborou com a produção do documentário, disponibilizando cenas de operações policiais em cultos.

Líderes de 26 congregações protestantes em todo o Uzbequistão decidiram enviar uma carta aberta ao presidente, pedindo seu auxílio para interromper a difamação e o ataque cruel.

A carta também foi enviada a agências estatais, grupos de comunicação e de direitos humanos.

Entretanto, a exibição do documentário continua, e piorou: a cada dia, ele é exibido em um canal diferente. Chegou a ser transmitido pelo canal de esportes do país, em horário nobre, antes do Campeonato Europeu de Futebol.

Já se produziu e distribuiu o documentário em DVDs, vendidos no Uzbequistão e Rússia.

Afirmações preconceituosas e excêntricas

Segundo o “Nas garras da ignorância”, os cristãos são contra o islamismo e têm o plano de converter toda a região ao cristianismo. O documentário afirma também que os cristãos não são cidadãos confiáveis e que aqueles que traem o islamismo, abandonando-o, podem facilmente trair o país também.

Questões econômicas ganham destaque. O programa afirma que líderes cristãos têm seus próprios interesses materiais, e que muçulmanos abandonam a fé só pelo dinheiro. Vários pastores são acusados de atividades criminosas, como roubo.

Os missionários também são mencionados, e diz-se que são tão perigosos quanto terroristas. No filme, enfatiza-se que há uma nova lei que proíbe qualquer forma de atividade missionária. Essas atividades são mencionadas como um “problema global”, tão perigosas quanto fundamentalismo religioso, terrorismo e uso de drogas.

Os cristãos protestantes são ligados a seita satânicas que realizam sacrifícios humanos e a Hare Krishnas. Os batistas, em especial são considerados uma seita cristã herege .

Segundo o programa, crianças e jovens devem receber proteção especial contra a influência dessas “seitas”. Líderes locais afirmam que os jovens estão sendo submetidos a uma “lavagem cerebral”, e estão traindo a fé dos seus antepassados. “Eles aprendem a não ouvir seus pais e a viver de forma diferente. O governo deveria prestar atenção em o que nossos jovens estão se envolvendo e deter esses missionários cristãos!”

Há também algumas informações excêntricas. O documentário afirma que “igrejas protestantes usam substâncias alucinógenas” e que pessoas que aceitam receber aulas, livros e Bíblias se tornaram “zumbis”, como os seguidores dessas “seitas”.

Por fim, cristãos que renunciaram Jesus falam contra o cristianismo no programa. Uma senhora disse que seu pastor a ameaçou caso ela se recusasse a lhe dar dinheiro.

Por que as autoridades fazem isso?

Comentários feitos durante o filme enfatizam a influência política dos cristãos. Alguns disseram que várias revoluções que trouxeram mudanças políticas em países africanos e na Ucrânia teriam sido iniciadas por cristãos protestantes.

“O governo não quer tais revoltas políticas; é por isso que busca reprimir qualquer forma de liberdade”, disse um pastor.

Por temer revoltas e instabilidade, todas as atividades religiosas, tanto islâmicas como cristãs, são estritamente monitoradas e controladas pelas autoridades.

Nazarov, um famoso imame uzbeque, afirma: “É como nos tempos soviéticos. Também tínhamos igrejas e mesquitas em todo lugar. Mas, na verdade, elas operavam sob estrito controle do governo”.

A exibição do programa tem trazido graves consequências aos cristãos uzbeques e suas igrejas.

Um pastor e seu assistente foram ameaçados pelas forças de segurança de Tashkent. “Não acho que eles vão me deixar em paz. Talvez eu tenha que sair do país em um ou dois anos.”

Uma terceira pessoa, apresentada no documentário, mudou-se para outra região do país e foi imediatamente identificada por estranhos. “Foi muito desagradável. Senti como se não tivesse privacidade.”

No dia seguinte à primeira exibição do programa, a congregação batista de Gulistan foi invadida pela polícia e por funcionários do governo, exigindo que o pastor interrompesse o culto. Todos os presentes foram fichados e ameaçados. A igreja foi proibida de se reunir até receber uma autorização do Estado.

“Vemos que nosso governo deseja intimidar as pessoas. Depois desse filme, os cristãos foram mais perseguidos e pressionados tanto pela família como pelos colegas de trabalho. Logo depois do programa, meu sogro, que é muçulmano, me telefonou e convocou para termos uma conversa séria. Quando cheguei, ele tentou me dissuadir do cristianismo. Ele temia que a polícia descobrisse sobre minha religião e me colocasse na cadeia. Ele também temia ser envergonhado se as pessoas descobrirem que a família dele é cristã.”

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Mais do mesmo

Crescimento da Igreja Mundial do Poder de Deus expõe a disputa por fiéis no neopentecostalismo brasileiro.

São seis horas da manhã de um domingo e algo anormal acontece na região central da cidade de São Paulo, geralmente deserta no primeiro dia da semana. Veículos e pedestres disputam lugar na Rua Carneiro Leão, que abriga a sede da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), a mais nova denominação neopentecostal de grande porte a surgir no cenário brasileiro. Dentro do enorme salão, antes utilizado por uma fábrica e agora chamado Templo dos Milagres, cerca de 15 mil pessoas parecem hipnotizadas pelo discurso do homem de meia-idade, negro e alto que está sobre o palco. O cenário lembra uma mistura de romaria católica, com fiéis segurando esperançosamente fotos de parentes, carteiras profissionais e garrafas de água – objetos que mais tarde serão ungidos –, e arena de boxe, com refletores e câmeras de tevê iluminando o tablado central. Não se pode perder uma cena sequer – afinal, todo o material gravado vai ao ar nos diversos horários que a igreja ocupa na tevê. O foco das atenções é Valdemiro Santiago de Oliveira, 45 anos, o apóstolo da denominação. Com inconfundível sotaque mineiro – é natural da pequena cidade de Palmas, interior de Minas Gerais –, o pregador movimenta-se de um lado para o outro, com bom domínio de cena.

Entre suas pregações feijão-com-arroz, ele se define, rindo, como “roceiro” e “comedor de angu”. Abraça as pessoas, chora com elas e derrama grossas gotas de suor, prontamente enxutas com uma toalhinha que depois é disputada pelos fiéis. Microfone em punho, Valdemiro entrevista pessoas da platéia. Testemunhos de cura de câncer, Aids, surdez, miopia se misturam a relatos de famílias restauradas, filhos que largaram as drogas e empregos que caíram do céu, tudo contado sob forte emoção. Tanta efervescência tem feito com que a Igreja Mundial cresça e apareça. Nascida há pouco mais de dez anos, em Sorocaba (SP), a denominação já alardeia possuir 500 templos em quase todo o país, além de representações em Portugal, Espanha, Japão e Moçambique, bem como nos vizinhos Uruguai, Argentina e Colômbia. Não se tem estatística confiável sobre o número de membros, mas os templos surgem aos borbotões pelos centros urbanos, repetindo o que aconteceu, em tempos idos, com duas outras gigantes neopentecostais: a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), surgida em 1977, e a Igreja Internacional da Graça de Deus, fundada em 1980 como dissidência da primeira.

O avanço da IMPD chama a atenção de especialistas, que já enxergam uma inevitável concorrência. “O crescimento da Igreja Mundial põe em evidência uma feroz disputa por fiéis”, opina o professor Ricardo Bitun, doutor em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Autor da tese Igreja Mundial do Poder de Deus: Rupturas e continuidades no campo religioso neopentecostal, o especialista diz que o aparecimento da denominação trouxe à tona um controvertido fenômeno entre os evangélicos que materializa aquela máxima de que “nada se cria, tudo se copia”: “Encontrei muitos pastores, não só entre os da Mundial, que imitam os trejeitos de Valdemiro. Falam com o mesmo sotaque mineiro, andam pelo púlpito, apertam os fiéis entre os braços”, observa.
Além da clonagem de estilo, que se assemelha ao processo que ocorre na Universal – onde os pastores imitam a voz e até os gestos manuais do líder supremo, bispo Edir Macedo –, Valdemiro Santiago tem muito mais a ver com a Iurd. Foi lá que ele se converteu e foi lançado no ministério religioso, pelas mãos do próprio Macedo. Durante 18 anos, militou na Universal, primeiro como pastor, e depois bispo. Foi missionário e ajudou a expandir as fronteiras da denominação na África.

“Mochileiros da fé” – O dirigente da IMPD dá muita ênfase ao relato de um salvamento no Oceano Índico, narrado em seu livro O grande livramento. Ele conta que só não se afogou porque foi resgatado por anjos. “A narrativa espetacular, de alguém que foi salvo da morte, fortalece sua imagem de homem de fé e valoriza seu discurso”, observa Bitun, deixando claro que não questiona se a história é verdadeira ou não. O motivo da saída de Valdemiro da Universal teriam sido desentendimentos acerca da nomeação de novos bispos para a cúpula da igreja, processo que o próprio Macedo faz questão de capitanear pessoalmente. Fato é que uma pequena reunião domiciliar com outras dezesseis pessoas, entre as quais a mulher de Valdemiro, Franciléa, e as duas filhas, Rachel e Juliana – mais tarde alçadas aos cargos de, respectivamente, bispa, missionária e ministra de louvor –, logo começou a expandir suas tendas. Um salão alugado aqui, um cinema adaptado ali, e a Mundial foi crescendo, visando à mesma fatia de público que a Universal e a Graça: as classes de C para baixo.

“É o que chamo de mochileiros da fé. Há muitos membros egressos da Graça e da Universal, inclusive pastores e obreiros”, continua Ricardo Bitun, que também é pastor e professor de ciências da religião na Universidade Mackenzie. A disputa por almas entre as três denominações já se faz sentir de maneira intensa. As provocações contra outras igrejas são, de certa forma, incentivadas pelo apóstolo da IMPD. É comum ele entrevistar pessoas que narram suas frustrações em outras igrejas e suas conquistas na Mundial. “Ele diz: ‘Lá não aconteceu, é? Vem pra cá, Brasil, aqui o milagre acontece’. É uma forma de dizer que apenas ali e, não nas concorrentes, está a bênção”, conclui Ricardo Bitun. Não por acaso, “Vem pra cá, Brasil”, é o bordão da programação televisiva da Mundial.

Valdemiro se diz perseguido por líderes evangélicos e políticos. Diz que querem fechar suas igrejas e tirá-lo da televisão. Sem mencionar o nome, faz menção a um pregador muito “educadinho”. “Ele diz ser missionário”, provoca o líder da Mundial, numa clara alusão ao fundador e dirigente da Igreja da Graça, Romildo Ribeiro Soares, o R.R.Soares, outro que faz da telinha um púlpito para entrar em milhões de lares pelo Brasil afora (ver abaixo).

Animosidade – Milagre é o assunto predileto de quem vai à Igreja Mundial do Poder de Deus. A maioria dos fiéis diz ter uma história para contar. “Ele é um homem ungido”, diz Isabel Clementino Ferreira, 52 anos, referindo-se a Valdemiro. Como prova da cura que diz ter recebido, gesticula amplamente os braços. “Tinha tantas dores que não conseguia fazer esses movimentos”, explica. Ao lado, as pessoas assentem com a cabeça. A comerciária Ângela Maria Marques da Silva, 53, chega para a conversa e começa a contar sua história de três anos na Igreja Universal, onde, segundo ela, nunca recebeu “a bênção”. “Aqui, com o apóstolo, fui curada de uma hérnia de disco e um mioma no útero. Quando ele chega, dá para sentir uma presença diferente no lugar”, acredita, reverente.

A mulher abre sua pequena Bíblia e lê a passagem de Mateus 24, onde Jesus afirma que derrubaria o Templo de Jerusalém e o reconstruiria em três dias, numa alusão à sua morte e ressurreição. “Sabe o que é isso? São os falsos profetas. Vê só a Renascer que desabou. Aqui, é diferente”, diz, com orgulho. A tragédia, ocorrida no dia 18 de janeiro, quando o templo-sede da Igreja Renascer em Cristo, também em São Paulo, veio abaixo, provocou a morte de nove crentes. A animosidade demonstrada pelos membros da Mundial é um eco do que é dito em seu púlpito. Em recente programa de tevê, Valdemiro se queixou que o “pastor educadinho” teria articulado com políticos maranhenses para que ele não pudesse usar o ginásio municipal da capital daquele estado, São Luís, para seus cultos. “Mas foi melhor, fizemos na praça e reunimos muito mais pessoas que caberiam no ginásio”, desdenha. Procurada por CRISTIANISMO HOJE para dar sua versão sobre o acontecido, bem como responder às insinuações do líder da Mundial, a Igreja da Graça não retornou os contatos da reportagem. Da mesma forma, a Igreja Universal, embora tenha solicitado que as perguntas fossem feitas por e-mail, não respondeu questionamentos acerca de suposta evasão de seus fiéis em direção à IMPD.

Hierarquicamente subordinado a Valdemiro, o pastor Ronaldo Didini é o homem forte da IMPD. Só que, ao contrário do chefe, que se reconhece simples e de pouca instrução, Didini é articulado, preparado e tem extrema vocação empresarial. É ele que está à frente da expansão corporativa da igreja, inclusive dando as cartas quando o assunto é televisão. Com passagem fulgurante pela Universal, onde se destacou como apresentador do extinto programa 25ª Hora, exibido pela Rede Record e que marcou época na TV evangélica brasileira, Didini também passou pela Graça, tendo ajudado a consolidar a igreja de Soares na Europa. Mais tarde, fundou lá a própria denominação, a Igreja do Caminho, mas pouco mais de três anos depois estava de volta ao Brasil.

Didini conta que chegou em situação dificílima e que foi Valdemiro quem lhe estendeu a mão. Agora, faz questão de destacar as qualidades da casa nova. “A Mundial representa um movimento autêntico de fé”, afirma. “Nosso culto tem três horas e meia e não se vê o apóstolo pedir mais do que 15 minutos de oferta”, argumenta, numa crítica nada velada à Iurd, cujos cultos promovem verdadeiros leilões de bênçãos. Ele admite que esteve “cego” no passado, em relação à teologia da prosperidade – doutrina que fundamenta a atuação das igrejas neopentecostais e que foi pregada durante anos pelo próprio Didini e por Valdemiro, que agora a definem como “coisa do demônio”.

Pressão pelo dinheiro – O pesquisador Paulo Romeiro, doutor em ciências da religião pela Universidade Metodista e dirigente da Agência de Informações Religiosas (Agir), reconhece que a igreja de Valdemiro tem características que a diferem das organizações similares. “Sua metodologia diverge da praticada por outros líderes de igrejas neopentecostais. A maioria das pessoas que frequentam a Mundial é composta por gente simples, mas que se identifica com seu líder, que senta-se ao lado delas, abraça e chora com seus fiéis”, analisa. “Eu o comparo com o movimento que David Miranda, da Igreja Deus é Amor, e Manoel de Mello, de O Brasil para Cristo, fizeram entre os anos 1950 e 60, época da segunda onda do pentecostalismo brasileiro, baseado nas curas divinas – com a diferença de que está melhor preparado em termos de conhecimento e não enfatiza usos, costumes e doutrinas”, comenta Romeiro, que é pastor da Igreja Cristã da Trindade, na capital paulista.

No entanto, o estudioso acha que a Mundial já dá sinais de que logo será mais do mesmo. “O ministério de Valdemiro, assim como outras igrejas, direcionará suas ações pastorais para as necessidades imediatas das pessoas”, prevê. Ele lembra que a Mundial também usa símbolos de fé, como o copo de água, a rosa e o pão abençoado. “Isso é copyright da Universal”, brinca. Autor do livro Teatro, templo e mercado: Organização e marketing de um empreendimento neopentecostal (Editora Vozes), o professor Leonildo Campos, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, concorda: “De todas as dissidências da Universal, apenas a Igreja da Graça e a Mundial do Poder de Deus ‘deram certo’ nesse complicado processo de clonagem e de reprodução de igrejas e fórmulas semelhantes”, avalia.

Na visão do estudioso, o que está em jogo para a Mundial é sua consolidação no mercado religioso brasileiro – no que, a propósito, iguala-se às igrejas que tanto critica. “Esses novos empreendimentos religiosos, ao empregarem a visão de mercado, desenvolvem mecanismos de competição apropriados para tempos de pluralismo e diversidade religiosa na geração de sua própria marca publicitária.” Nesta análise, a Igreja Mundial é apenas mais do mesmo – “No neopentecostalismo, está cada vez mais difícil separar o novo do velho. Na disputa por um lugar ao sol, Valdemiro tem mais é que bater nos demais pentecostais ou evangélicos tradicionais.” Leonildo lembra outro ponto comum entre as denominações dessa linha teológica: a pressão pelo dinheiro, fundamental na manutenção dos enormes aparatos de mídia que montaram. O estudioso estima que o gasto mensal da IMPD com televisão chegue aos 5 milhões de reais mensais, embora o montante e a origem do dinheiro arrecadado sejam guardados sob sigilo absoluto. “A pressão pelo dinheiro já levou a uma monetarização dos cultos em vários grupos neopentecostais. Aqui, o milagre não acontece sem que os pastores, bispos ou apóstolos peçam dinheiro.”

Telinha disputada

Desde que assumiu 22 horas diárias na programação do Canal 21, da Rede Bandeirantes, Valdemiro Santiago, apóstolo da Igreja Mundial do Poder de Deus, evidenciou algo que até então era pouco falado: a guerra pela audiência evangélica na tevê brasileira. Além do Canal 21, a Mundial ocupa espaços na Bandeirantes, na Rede TV! e na Rede Boas Novas. A voracidade pela telinha se explica. Desde a década de setenta, quando televangelistas americanos como Pat Robertson, Rex Humbard e Jimmy Swaggart fizeram sucesso entre os crentes brasileiros, a TV se revelou o melhor espaço para ganhar almas para Cristo e fiéis para as igrejas.
O veterano missionário R.R.Soares está no ar desde 1980. Atualmente, a Igreja da Graça tem apostado suas fichas na própria emissora, a Rede Internacional de Televisão (RIT). Com programação diversificada, que inclui cultos, jornalismo, entretenimento, debates e infantis, entre outras atrações, a RIT tem abocanhado fatia grande do público evangélico. A Graça também investe pesado em TV aberta, com diversos horários comprados na Bandeirantes, CNT e Rede TV!

Já a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) é dona da Record, a segunda maior rede da televisão brasileira. Embora o projeto de desbancar a Globo não passe de megalomania do bispo Edir Macedo – apesar de alguns triunfos sobre a rival, como a exclusividade na transmissão dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012 –, a Record tem crescido e conquistado cada vez mais telespectadores e publicidade. Na Iurd, a estratégia é adquirir espaços na grade da Record para transmitir cultos e programas apresentados por seus bispos. Além da mídia própria, a igreja também compra horários na Rede TV!
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Evangelização superada

CNBB busca novos métodos para transmitir sua mensagem no Brasil e evitar diminuição de fiéis.

Um dos assuntos mais debatidos na 47ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que aconteceu na localidade paulista de Itaici, é a dificuldade de a Igreja Católica superar os métodos ultrapassados de evangelização.

Segundo o bispo de Rondonópolis (MT), dom Juventino Kestering: “Somos parte de uma tradição de país católico que tem um pequeno número de padres, distâncias que isolam as pessoas no Brasil, a forte vivência da religiosidade popular, às vezes nem sempre com a consistência da sua fé, e também métodos de evangelização que não colaboram para provocar nas pessoas o espírito de Deus”.

“Não é A ou B o culpado. Estamos diante de uma realidade que tornou-se complexa. É preciso haver mudanças nos métodos de evangelização para que os adultos, que estão distantes, sejam atingidos”, afirmou o líder católico.

A busca de uma mensagem mais contextualizada e de uma evangelização mais efetiva é um dos desafios da Igreja Católica, que vê o seu número de fiéis diminuir em detrimento do crescimento de outras religiões, como as evangélicas.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A realidade sobre a Índia

ÍNDIA (22º) - Esta é a primeira parte do artigo intitulado A realidade sobre a Índia.

Na Índia, país predominantemente hinduísta, os cristãos são de longe uma minoria. Eles têm sido perseguidos durante anos, e no estado de Orissa, local mais tenso do país, cerca de 50 pessoas perderam suas vidas em uma onda de violência que ocorreu em 2008. Como ocorre a perseguição dos cristãos indianos? Qual é a história desses cristãos? E como se preparam para enfrentar tamanha opressão?

Escrito pelo jornalista Gerald Bruins.

Nova Déli – Na Igreja Metodista Betel, localizada na cidade de Noida, que fica na capital superpopulosa de Nova Déli, os jovens são responsáveis pelas atividades da manhã. Eles lêem as Escrituras, fazem um período de adoração, usando guitarra e bateria, e cantando musicas compostas por eles mesmos. Certa manhã, além das coisas de costume, eles encenaram uma peça. De repente, alguns jovens com mantas enroladas na cabeça e com pedaços de madeira nas mãos invadiram a igreja e bateram no “pastor”, um jovem com uma vestimenta litúrgica. Alguns cristãos foram atirados no chão. O pastor arrastou-se até o microfone e com a voz sufocada citou as conhecidas palavras de Jesus: “Pai, perdoa-os, pois não sabem o que estão fazendo”.

Esse é o modo que esses jovens encontraram para chamar atenção para a perseguição que seus irmãos cristãos têm enfrentado. Esse é o assunto que tem mais ocupado a mente dos cristãos indianos, principalmente, após a grande violência feita contra os cristãos do estado de Orissa em agosto, na qual se estima que cerca de 50 pessoas foram mortas, 4.500 casas e igrejas foram destruídas, e mais de 50 mil pessoas ficaram desalojadas.

Na capital, os cristãos podem realizar suas atividades com total liberdade, mas em outras partes do grande país a situação é precária. É por isso que duzentos pastores, fundadores de igrejas e evangelistas de todos os lugares do país se encontraram secretamente, em algum lugar do norte da Índia, para um seminário chamado PFAT. Durante quatro dias cheios, os participantes receberam ensinamentos, na maioria dos casos pela primeira vez, sobre a perseguição de acordo com a perspectiva bíblica.

Realizado pela equipe indiana da Portas Abertas Internacional, organização mundial que apoia os cristãos perseguidos, o seminário ainda abriu espaço para testemunhos pessoais. Após as discussões, geralmente os participantes chegavam à seguinte conclusão: acreditar em Jesus na Índia pode custar tudo: filhos, família, casa, igreja e até a própria vida. O fio condutor de todos os testemunhos contados eram os grupos de hindus extremistas, que apareciam do nada, cercavam os cristãos, os ameaçavam com pedaços de madeira e armas, e incendiavam suas casas e igrejas. É importante fazer uma clara distinção entre os extremistas e os hindus “comuns”, que em muitas regiões do país vivem pacificamente com cristãos e muçulmanos.

O comportamento dos hinduístas radicais pode ser ilustrado através dos incidentes que envolvem Anil Kumar, pastor de uma igreja pentecostal. Ele lidera três comunidades que somam um total de 100 membros no norte do estado de Uttarakhand. No dia cinco de janeiro de 2008, ele foi ameaçado por telefone. Ordenaram que parasse os cultos da igreja. Alguns meses antes, a polícia o prendeu sob a acusação de “forçar conversões”, ou seja, de tentar converter hindus à fé cristã, o que é proibido em alguns estados indianos que possuem leis anticonversão. Depois disso, foi solto porque faltavam evidências.

Alguns meses atrás, um grupo de hindus se juntou em frente à sua igreja, gritando e ofendendo os membros. Logo em seguida, enquanto o culto estava ocorrendo, houve um ataque à igreja. Eles espancaram os fieis, que fugiram de lá em pânico, alguns com as pernas quebradas, mas ainda assim, tiveram que correr.

Kumar foi detido novamente e trancafiado durante vários dias. Enquanto me contava a história, o pastor começou a chorar, não por causa do sofrimento que passou, mas porque sob tamanha pressão, alguns se reconverteram ao hinduísmo. E por mais que os radicais estejam distribuindo um panfleto com sua foto, para tentar expulsá-lo da cidade, o pastor não pretende parar de fazer o que faz.

“Jesus está comigo. E abri um processo legal contra a polícia. Aprendi a defender meus direitos neste seminário”, afirma.

Feridas à faca

Raju Baria, o líder de uma igreja doméstica em uma cidade do estado de Madhya Pradesh, carrega no corpo sinais visíveis da perseguição. Alguns anos atrás, radicais hindus o esfaquearam repetidas vezes no braço, e o atingiram nas costas com uma espada. No hospital, o médico não quis socorrê-lo.

“O médico disse que Jesus me curaria e me enviou de volta para a delegacia. Fiquei detido durante um mês, porque disseram que eu forçava as pessoas a se converterem. Aos poucos minhas feridas sararam.”

Após sua libertação, o pastor transferiu o culto da igreja para a casa de um amigo. Mais uma vez os extremistas fizeram um ataque, atearam fogo na casa e duas crianças que estavam em pânico pularam em um poço e se afogaram.

“Seis igrejas da região viraram cinzas”, ele comentou de maneira contida. Apesar da opressão, disse com lágrimas nos olhos que sua comunidade está crescendo. Como o pastor explica isso? “Continuamos a evangelizar e ocorreram muitas curas. Isso traz as pessoas a Jesus.”

Muitas histórias de milagres são contadas no seminário. Antes de sua conversão, o pastor Prakash Jha do estado de Madya Pradesh era membro de um grupo extremista hindu. Ele até atacou igrejas e cristãos.

“Uma organização fundamentalista fez uma lavagem cerebral em mim. Os líderes diziam que os cristãos eram chantagistas, que recebiam dinheiro de fora do país e forçavam os hindus a se converterem. Assim, nós tínhamos que fazer algo contra eles.”

Ele ganhou uma Bíblia de um amigo que se tornou cristão. Sem saber que tipo de livro havia recebido, começou a lê-lo. No evangelho de Mateus, leu que Jesus pediu que todos que estivessem cansados e sobrecarregados viessem a ele. Isso o aproximou da fé. Converteu-se após testemunhar uma oração que trouxe cura a uma mulher que havia sido mordida por um escorpião. Sua igreja está crescendo apesar da opressão, segundo o próprio relato, isso acontece por causa das muitas curas que têm ocorrido.

A perseguição também vem da família, contam os participantes do seminário. O pai de Bhupendra Nath é um guru, da casta brâmane, a mais elevada. Ele poderia ter seguido os passos do sacerdócio hindu, mas seus amigos de escola falaram para ele sobre Jesus e ele aceitou a fé.

“Imediatamente após a primeira oração que fiz, fui liberto de uma terrível dor de cabeça, que me incomodava já fazia muito tempo”, diz.

Como uma tentativa de fazer com que voltasse ao hinduísmo, o pai ordenou que fizesse diversos rituais, mas ele recusou-se. As pessoas da cidade começaram a pressioná-lo a voltar à fé hindu, mas ele resistiu.

“Então, meu pai ameaçou me matar e pagou alguns mercenários. Eu fugi da casa de meus pais com minha esposa e estou vivendo em um lugar secreto, bem longe da minha família. Isso me magoa muito. Sinto falta deles, mas agora vejo meus irmãos e irmãs da fé como família.”

Orissa

No seminário havia um grande número de ministros da Igreja Evangélica Luterana do distrito de Koraput, situado no estado de Orissa, o centro do pior ataque já realizado contra cristãos. Quando a violência começou na região de Kandhamal, a cerca de duzentos quilômetros de distância, os pastores pensaram que os ataques não os alcançariam, mas estavam errados. Após quatro dias, as multidões alcançaram Koraput também. O reverendo Sewak Ram conta como seu sogro, também pastor da Igreja Luterana, e sua esposa tiveram que fugir para a floresta, quando sua igreja foi incendiada.

“Eles tiraram primeiro tudo o que estava lá dentro, desde roupas até o fogão a gás e as Bíblias, e as queimaram fora da igreja.”

Seu amigo, o reverendo Mahesh Pramanik, ficou preso no fogo cruzado. De um lado, estava a multidão enfurecida de hinduístas; do outro, um grupo de jovens (os cristãos da cidade estavam divididos), que queriam defender a igreja. Com a ajuda da polícia, foi possível impedir o confronto.

“Eu estava na frente do grupo cristão, com as mãos estendidas, e clamava para que eles não recorressem à violência. Isso deu certo, mas os hinduístas ainda assim incendiaram todas as igrejas.”

No total, 25 lugares de culto foram incendiados na região, assim como um número desconhecido de casas. Sessenta famílias cristãs perderam tudo.

“É surpreendente o fato de que não houve mortes nessa região”, diz Pramanik. “Os pastores nem ousam pensar em reconstrução, não há dinheiro para isso. No momento, fazemos os encontros debaixo de árvores ou em campos abertos.”

Em outros lugares de Orissa, os cristãos enfrentaram um destino muito pior: cinquenta pessoas foram assassinadas, mas de acordo com um relatório do Partido Comunista da Índia (marxista-leninista), 500 pessoas podem ter sido mortas. Segundos os comunistas, há rumores que dizem que os fundamentalistas hindus foram instruídos a destruir as evidências e queimar os corpos. As imagens de cristãos carbonizados porque atearam fogo neles ou porque não conseguiram sair de suas casas e igrejas durante os ataques, são frequentes.

O reverendo Abraham, da organização Full Gospel Trust, que trabalha entre as crianças pobres do norte da Índia, nasceu em Orissa. Ele visitou diversas vezes o distrito de Kandhamal, que foi fechado para a imprensa.

“Muitas pessoas ficaram traumatizadas, poisperderam um ou mais membros de sua família ou suas casas, e porque os documentos das propriedades foram queimados também, será difícil para eles retornarem.”

O fato de que as igrejas foram incendiadas não tem impedido que os cristãos se encontrem, seja em casa ou na floresta.

“É estranho pensar que você pode destruir o cristianismo ao destruir igrejas. Os cultos das igrejas simplesmente continuam a ocorrer, não importa quão difíceis são as situações.”

Das milhares de pessoas desabrigadas, um grande número está vivendo nos campos estabelecidos pelo governo. O pastor iniciou diversos projetos voltados para crianças: “Do ponto de vista emocional, elas estão muito feridas. Não podem ir à escola e estão condenadas ao ócio. Estamos desenvolvendo um projeto cheio de atividades.”

Abraham ouviu diversos relatos de pessoas que foram forçadas a se reconverterem ao hinduísmo. “Rasparam o cabelo dos cristãos, os forçaram a oferecer cocos a entidades, a beber urina de vaca e fizeram o sinal hindu na testa deles”, descreve o pastor.

Muitos cristãos em Orissa começaram a duvidar. Alguns já haviam perdido suas casas em um ataque em dezembro de 2007, e tinham acabado de reconstruí-las quando os hinduístas atacaram novamente e destruíram tudo. “Onde está Deus?”, alguns perguntam a si mesmos. Ore por eles e por todos os que foram forçados à reconversão ao hinduísmo, para que possam permanecer fieis a Jesus, mesmo que só no coração.

* Para evitar o reconhecimento das pessoas envolvidas, os nomes foram alterados no presente artigo.

Índia

• População: 1.129.866,154 (2007), depois da China, a Índia é o país com a maior população do mundo

Fonte: Perseguidos pela causa de Cristo
Missão Portas Abertas / www.portasabertas.org.br

Tradução: Homero S. Chagas

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ex-muçulmana é presa por se casar com um cristão


EGITO (21º) - A convertida Raheal Henen Mussa e seu marido copta estão escondidos da polícia e de sua família muçulmana por violarem um artigo da sharia (lei islâmica) que não existe no código penal egípcio.

A polícia prendeu Mussa, 22, no dia 13 de abril, por se casar com Sarwat George Ryiad em uma cerimônia comum (zawag al ‘urfi), uma forma não-registrada de matrimônio realizada no Egito, sem testemunhas. Essa cerimônia ganhou muita popularidade entre os jovens egípcios, mas não é sancionada pela maioria dos eruditos islâmicos.

Os dois assinaram um contrato de casamento entre eles. Somente Ryiad e seu advogado têm uma cópia. A polícia não conseguiu uma cópia do contrato, mas usou a existência dele como pretexto para a prisão de Mussa.

De acordo com uma interpretação da sharia, as mulheres muçulmanas não podem casar com não-muçulmanos, ainda que o contrário seja permitido, e o Artigo 2 da Constituição egípcia estipula que a sharia seja a base para a legislação.

Segundo a lei egípcia, os dois não cometeram um crime, já que não procuraram um reconhecimento para o casamento, mas a polícia e a família de Mussa estão coagindo o casal, dizendo que eles violaram a lei islâmica.

“Eles não violaram a lei, mas a família e a polícia estão adotando uma lei própria, que não está registrada”, diz Helmy Guirguis, presidente da Associação copta do Reino Unido. “A lei islâmica interpreta que, se uma garota muçulmana casa com um homem não-muçulmano, mesmo no papel, eles estão quebrando a lei de Deus, e não a lei dos homens.”

Os dois não puderam se casar em uma cerimônia oficial, pois Mussa é considerada muçulmana por nascimento, e mudar o status religioso de “islã” para “cristianismo” é impossível no Egito.

Conhecida como Samr Mohamed Hansen, Mussa se converteu ao cristianismo há três anos, antes de se casar com Ryiad. A polícia a prendeu quando chegou do trabalho. Eles a identificaram pela tatuagem da cruz copta em seu braço direito, uma marca comum entre os coptas.

Ela foi transferida para um posto operado pela polícia secreta, onde ficou até domingo (19 de abril), quando sua família a tirou de lá. Enquanto estava sob custódia, a família queimou a tatuagem.

Mussa fugiu de sua família na terça-feira (21). Ela e seu marido fugiram para o Cairo e estão escondidos. Se os dois forem pegos, os advogados temem que eles possam ser separados, presos e agredidos se Mussa voltar para a família.

A influência da sharia na lei egípcia também significa que os muçulmanos têm o direito (hisbah) de processar alguém que tenha violado os “direitos de Deus”. Isso pode significar que o casamento não reconhecido de Mussa e Ryiad pode torná-los alvos de extremistas muçulmanos querendo cumprir toda a lei.

O exemplo mais conhecido da aplicação do hisbah aconteceu em 1995, quando Nasr Abuh Zayd, professor da Universidade do Cairo, foi declarado um “infiel” e obrigado a se divorciar de sua esposa por criticar as visões ortodoxas do Alcorão.

Ryiad e Mussa não casaram em uma cerimônia copta, pois muitas igrejas evitam casar muçulmanos registrados com não-muçulmanos, por medo das autoridades e extremistas islâmicos.

“Ninguém no Egito pode realizar o casamento de um homem copta com uma mulher muçulmana”, afirma o advogado Naguib Gabriel. “Seria muito perigoso para a vida do pastor.”

Tradução: Deborah Stafussi

terça-feira, 28 de abril de 2009

Igreja histórica é invadida por radicais durante culto


ÍNDIA (22º) - Um grupo de 20-25 radicais hindus invadiu o culto de domingo, dia 19 de abril, na igreja histórica Douglas Memorial Church em Saoner, na Índia. Carregando paus, espadas uma pistola e forcados, os fanáticos agrediram duas mulheres nas pernas e louvaram os nomes de deusas hindus, destruindo uma Bíblia e instrumentos musicais, e danificando o altar.

Quando iam embora, os radicais quebraram as janelas de um ônibus escolar estacionado em frente à igreja.

Os grupos hindus VHP e Bajrang Dal negaram qualquer envolvimento no ataque, mas afirmou que os jovens hindus estavam furiosos com as conversões que têm ocorrido na área.

A polícia local disse que 10 minutos antes do ataque, alguém que alegava fazer parte do grupo radical VHP foi até a polícia e entregou um pedido para que houvesse uma ação contra as conversões em Saoner.

O pedido alegava que a igreja estava atingindo famílias pobres e oferecendo a conversão por meio da sedução.

“As alegações não têm fundamento”, afirma o pastor Mark Sarkharpekar, da Douglas Memorial. Ele disse que foi o primeiro ataque desse tipo.

O ataque começou assim que o pastor iniciou o sermão. Um forcado foi lançado contra ele, que conseguiu desviar e não ficou ferido.

A polícia prendeu seis dos envolvidos no ataque.

Fonte: International Christian Concern

Tradução: Deborah Stafussi

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Pessoas quebradas podem ser discípulos inteiros

Erwin R. McManus

Até que uma pessoa esteja disposta a apreciar a vida, servir aos outros e sacrificar algo de si mesma, nunca encontrará a cura que busca.

O desafio da igreja de hoje é transformar pessoas quebradas em discípulos inteiros. As áreas feridas de algumas pessoas são óbvias. Abusos e abandonos que deixaram cicatrizes. Em outros, a beleza exterior foi cuidadosamente esculpida para esconder o que ninguém faz questão de ver. Muitas vezes apenas seus olhos os traem. Ou as vozes inconstantes e as mãos que tremem discretamente.

Este foi o caso de Sarah. Quem teria adivinhado que esta jovem esposa com dois filhos havia acabado de ter um caso homossexual? A infidelidade de Sarah havia mascarado sua fragmentação interna tão profunda. Como seu marido Michael poderia imaginar que sua distância emocional levaria a este tipo de alienação? Apesar de amar Sarah profundamente, sua história de vida fazia da possibilidade de intimidade algo que ele temia quase tanto quanto o abandono. Seu casamento era frágil e seu futuro incerto. Como transformar estas pessoas em discípulos?

A estrada era difícil, mas agora, dez anos depois, Michael e Sarah possuem um casamento forte e ministram a outras pessoas. O ingrediente fundamental nesta história foi o papel da igreja local.

O discipulado está tomando novos formatos no contexto pós-moderno atual. A igreja moderna visa o discipulado como o primeiro treinamento doutrinário. Um cristão maduro era alguém que conhecia a Bíblia. A boa cidadania era algo esperado de todos. Não era um paradigma irracional, mas era algo perigoso. Antes da pós-modernidade, a igreja aproveitava a influência positiva de uma cultura moldada pela fé cristã. Mudanças de vida tornaram-se uma arte perdida, pois a maioria das pessoas parecia completa.

Enquanto a sociedade ao nosso redor piorava, a mesma coisa acontecia com os relacionamentos, a saúde emocional, a moral e o bem-estar geral de todas as pessoas, dentro e fora da igreja. Tornamos-nos cada vez mais enfraquecidos para ajudar aqueles cujas vidas estão sendo dilaceradas e devastadas pelo poder do pecado. Restaurar vidas quebradas requer convicção, comprometimento e comunidade. Infelizmente, até quando a igreja quer ajudar, geralmente pensa que não tem poder para curar. Professamos que Jesus muda vidas, mas com pessoas quebradas preferimos recorrer à psicoterapia. Entregamos os pequenos problemas a Jesus e os grandes problemas a Freud.

Como retomarmos o poder de tornar pessoas fracassadas e machucadas em verdadeiros discípulos?

O poder de ethos - Tudo começa com a cultura da expectativa. Quando meu filho Aaron tinha três anos, tornou-se um seguidor de Jesus. Para mim isto era algo novo, uma vez que me converti a Cristo já adulto. Nada me chocou mais do que sua primeira oração aos quatro anos. Sempre orei por ele e agora era sua vez de se expressar a Deus.

“Jesus, me transforme em um líder de homens. Sei que sou pequeno agora, mas quero ser um líder”. Fiquei chocado! Momentos depois, minha esposa Kim lembrou-me de que este era o ambiente em que ele vivia o tempo todo.

Ethos, ambiente, cultura – esta é a chave para uma vida completa.

Nos últimos 20 anos, aqueles mais comprometidos com o discipulado moveram-se intensamente na direção das relações “um a um”. Enquanto é de grande ajuda para muitos, não capturou o ingrediente mais significativo de mudança sistêmica e pessoal – o poder de “ethos”: ética.

Completude é simples: dar mais do que você recebe - O dicionário define ethos como o caráter fundamental e espírito da cultura, o sentimento impregnado que informa os costumes, crenças e práticas de um grupo.

Você se lembra de quando a lei do cinto de segurança foi implementada? Muitos de nós não concordamos. Sabíamos que era algo bom para nós, mas era incômodo. Nunca pensamos nisto como algo imoral e sim algo ilegal. Nossa liberdade havia sido tirada de nós!

Agora, quando as pessoas dirigem com seus filhos e elas não colocam o cinto, o que você pensa? Provavelmente que os pais são negligentes, colocando as crianças em perigo. Já caminhamos muito desde o tempo onde jogávamos as crianças pequenas na carroceria de um caminhão.

A lei pode informar suas ações, mas ethos informa seus valores. Ethos é mais poderoso do que as regras, métodos, estratégias e até as leis. Não subestime o espírito de uma comunidade saudável que molda um indivíduo como um discípulo.

Nossa igreja espera que as pessoas invistam seu tempo servindo a Jesus através do serviço a outras pessoas. Insistimos que o isolamento e o individualismo fazem parte de um problema, não parte da solução. Relacionamentos são essenciais para a saúde e a maturidade.

Esta convicção é tão forte que realmente mudamos o nome de nossa igreja para afirmar isto. Mosaico é uma forma de arte feita com pedaços quebrados e fragmentos de vidro, azulejo e outros materiais. Através da habilidade do artista, estes pedaços são colocados juntos e formam algo bonito e significativo, especialmente quando a luz reflete.

Chamar nossa igreja de “Mosaico” é a nossa declaração de que somos uma comunidade de pessoas quebradas e fragmentadas, colocadas juntas pelo artista maior para refletir sua beleza – especialmente quando sua luz nos atinge. Aqui em Los Angeles, um ministério efetivo não acontece se não podemos tornar as pessoas quebradas em discípulos. Nossa igreja é isto, nosso lema: esta é a cultura que cura.

Encontramos nossa essência e a destruímos - Há tempos atrás as pessoas não refletiam tanto acerca de “eu mesmo”, nosso “self”. Pessoas tinham uma visão assimilada acerca de si mesmas – a percepção da própria essência fazia parte de uma tribo, um grupo. Falávamos sobre “nós” antes de falar “eu”. Um indivíduo isolado? Inconcebível.

Então desenvolvemos a consciência acerca de nós mesmos. Um conceito desenvolvido bem antes de Descartes, solidificado com sua citação: “Penso, logo existo”. O estudo da identidade pessoal é um fenômeno relativamente recente. A percepção do self é de muitas maneiras um presente e uma maldição da modernidade. Desde então, tentamos descobrir quem somos.

Não encaramos mais nossas identidades como algo apenas assimilado, tentamos nos afastar das influências externas para compreender quem realmente somos. Nossa visão de propriedade demonstra esta mudança. Durante uma época, os homens eram propriedade do estado e do rei. As tribos pertenciam às terras e não a uma pessoa. A maioria das pessoas não pensava sobre seus direitos e escolhas. Tudo que possuíamos era presente dos deuses.

A consciência do self nos levou a idolatrar a nós mesmos. Não apenas começamos a nos enxergar como ponto de referência para tudo ao nosso redor, como compreendemos a realidade como uma extensão de nós mesmos. Agora somos donos de nossos pertences, como carros e casas, mas também de “nosso estilo” e “nossas preferências”. Chegamos ao extremo absurdo: “saia do meu espaço”, “você está respirando meu ar”, “tenho a minha verdade”.

O self idolatrado torna-se rapidamente o self fragmentado. Quanto mais olhamos para dentro de nós mesmos, maior a confusão instalada. Perdemos contato com o que parece ser inteiro, mas estamos conscientes sobre as facetas da fragmentação, estamos quebrados. Isto baseou a ciência da Psiquiatria.

A questão então é: “Como nos tornamos discípulos em potencial, do estado fragmentado para a integração, a completude?”.

Desintegração reversa - Na minha infância, em El Salvador, nunca aprendi a palavra para neve. Nos anos que morei em Miami, aprendi um significado singular para neve. E quando mudei para a Carolina do Norte, meu vocabulário sobre a neve aumentou: neve, gelo, nevasca, geada.

Com a experiência, veio a linguagem. Soube que no Alasca existem mais de 100 palavras para neve. Espero nunca precisar aprendê-las.

Você se lembra de quando a palavra disfuncional não fazia parte do nosso dia-a-dia? Nem as palavras: neurótico, psicótico, maníaco, bipolar, fobia, stress, adição, vício, terapia, 12 passos, recuperação, crise da meia-idade, hiperatividade, repressão, depressão, desordem, etc...

Nossa linguagem revela o que gostaríamos de esconder: a fragmentação do espírito humano. Ao mesmo tempo, assistimos a um óbvio declínio do caráter das pessoas. Mas poucas vezes tentamos compreender estas realidades de forma conjunta. Completude e integridade são parceiras. Ambas emergem de uma vida que experimenta o poder da integração (que significa uma unidade completa, um número inteiro e impossível de dividir). Uma pessoa integrada tem integridade e completude. Produzir um caráter divino nos leva à jornada para a integração.

Como se apresenta a completude - Não confunda completude com perfeição. Minha definição funcional de completude é simplesmente “dar mais do que você recebe”.

Uma pessoa emocionalmente quebrada costuma enxergar os outros apenas naquilo que podem oferecer. Quanto maior a fragmentação, menos a pessoa contribuirá para o relacionamento e mais irá exigir. Completude emocional é vista através do que você pode contribuir com os outros. A pessoa espiritualmente completa considera aos outros mais importantes do que si mesma.

O primeiro passo para a trilha em direção à completude é desenvolver a gratidão. O egoísmo e a inveja estão presentes em todos nós e encontram justificativa em nossa dor. Para pessoas quebradas, este primeiro passo é contra a natureza. Nossa inclinação natural é uma tentativa contínua de auxiliar nas necessidades de pessoas feridas. Geralmente isto é uma coisa boa: fé cristã significa compaixão. O perigo vem quando nos percebemos reforçando um espírito ingrato.

Serviço, ao longo do tempo, revela integridade - Durante dez anos trabalhando entre as comunidades carentes, vivi crises e expectativas. Sentia-me obrigado a suprir as necessidades de todos ao redor.

Enquanto fazíamos muitas coisas para servir às pessoas, estava claro que não os ajudávamos a melhorar. As pessoas retornavam com os mesmos problemas, diversas vezes.

Nunca esquecerei do que um homem de rua me fez pensar certo dia. Ele se aproximou pedindo dinheiro ou comida. Kim ofereceu a ele meu almoço: um sanduíche e batatas. Sem hesitar, ele olhou para dentro do carro e apontou para meu prato de sopa, pois também o queria. Não esboçou gratidão. Dei a ele meu sanduíche, mas não entreguei meu prato de sopa.



Ele me ajudou a enxergar a relação entre gratidão e completude. Jesus explicou a Simão que onde há mais perdão, há mais amor. Este é o trabalho da gratidão. A gratidão expande tanto nossa capacidade de amar quanto a capacidade de sermos amados.

Ajudar alguém a crescer em gratidão é uma arte relacional, que requer de nós gentis e firmes atos com nossos pincéis. Isto não é algo voltado para quem prefere martelos e pregos. Se uma pessoa é cristã, um bom lugar para começar é a cruz. Considerando seu sacrifício por nós, o que mais Jesus precisa fazer por nós, para que sejamos eternamente gratos? Discipulado começa com a percepção de que não merecemos nada.

A cada ano temos estagiários que vêm trabalhar conosco. Por diversas semanas suas tarefas parecem sem sentido e aquém do que merecem. Geralmente são educados, brilhantes, acostumados a serem honrados publicamente. Mas aqui, nenhuma exposição pública está à disposição. Então começamos a promover aqueles que respondem com gratidão e não aqueles que demonstram mais talento.

No meio do verão costumamos enfrentar uma crise. Quando uma pessoa é ingrata sempre, lhes ensinamos a focar em três áreas principais:

1. Ouça as histórias de sua vida e perceba quantas memórias negativas você tem. Encontre algo em sua história para agradecer a Deus.

2. Mesmo quando a vida estiver difícil, existe alguma beleza para ser vista, se você estiver sensível para isto. Não deixe o pessimismo criar em você o desespero. Agradeça a Deus pelas flores, o nascer do sol, o ar que você respira, e outras coisas que você pode enxergar.

3. Sacrifique-se por alguém e sirva a alguém com maiores necessidades que as suas. Sei que quando minha pequena filha Mariah chorou ao ver a pobreza da Indonésia, ela tinha uma perspectiva totalmente diferente de como somos ricos, percepção de gratidão e sensibilidade para servir.

Estarmos fragmentados e quebrados pode ser o resultado de muitas coisas: abuso, negligência, abandono, traumas ou pecado. Podemos ser as vítimas ou os ofensores. Geralmente temos os dois papéis. Pessoas feridas ferem pessoas. Quando nossa fragmentação é fruto de vitimização, isto torna a jornada para a recuperação mais difícil. Por quê? Amargura. Amargura que é fruto de qualquer tipo de abuso é algo difícil de ser curada. Mas a amargura é garantia certa de depressão e desespero. A amargura nos força a viver no passado. Esperança requer que vivamos no futuro. Só o perdão pode nos libertar.

Perdão é a resposta do coração que conhece a gratidão. Amargura e ingratidão andam juntas. Gratidão é a chave para a cura e a completude.

A gratidão torna as pessoas agradecidas por aquilo que tem e as tornam menos exigentes em relação aos outros. Enxergam o copo metade cheio e são gratas por aquilo que recebem, uma vez que não esperam nada. A pessoa ingrata questiona quem bebeu a outra metade do copo.

Todos nós lidamos com o egoísmo, mas estarmos quebrados justifica esta questão. O que é recebido era esperado, mas nunca o suficiente. A pessoa ingrata não pode tornar-se grata apenas por ter seus desejos satisfeitos. Até que uma pessoa esteja disposta a apreciar a vida, servir aos outros e sacrificar algo de si mesma, nunca encontrará a cura que busca.

A integridade vem através da humildade - Após enxergarmos as demonstrações de um espírito grato, o próximo passo para a integridade é a humildade. Humildade é uma característica da humildade. Como sabemos se somos humildes? A simples percepção de sermos humildes não nos torna orgulhosos? Como podemos caminhar em humildade?

Perceba que Deus não nos chama para orar pela humildade, mas ordena que sejamos humildes. Quando deixamos tudo em suas mãos, isto se chama humilhação. Jesus se humilhou e tornou-se servo. Penso que seja algo simples: humildade parece ser a mesma coisa que serviço.

Eric Byant é nosso pastor de jovens. Apesar de ter um título da Universidade de Baylor, um mestrado no seminário e uma experiência em plantação de igrejas em Seattle, quando se mudou para Los Angeles, veio para a Mosaico em busca de aprendizado e com a intenção de servir.

Conseguiu um emprego em uma locadora de carros e tornou-se vigia voluntário aos domingos de manhã. Eu via este homem servindo. Ele estava sempre no estacionamento da igreja ajudando pessoas a encontrar uma vaga. Um dia perguntei por que ele estava lá tão cedo. “É uma ótima maneira de conhecer as pessoas!”, e disse também o quanto ele gostava de servir no grupo de seguranças. Pouco tempo depois Eric tornou-se nosso pastor de jovens. Eu disse a ele e sua esposa Debbie o quanto eu tinha dificuldade com o serviço.

Novamente, a integridade não significa perfeição, mas é algo totalmente tangível. Esta pessoa é confiável? Você pode confiar outras pessoas a esta pessoa? Sua liderança levará outro para mais perto de Cristo?

Talvez a última prova seja confiar seus filhos a alguém.

No ministério, os maiores inimigos da integridade são geralmente a ambição egoísta e o orgulho. Não é suficiente ter os dons de liderança: você precisa ter os valores morais para levar pessoas para a direção certa.

A dificuldade com a integridade é que, num primeiro momento, ela pode ser confundida. Pode ser confundida com talento, atratividade, conhecimento. Somos escolados com a pretensão e a decepção. Trabalhamos muito para fazer o exterior parecer bom enquanto deixamos nosso interior intocável. Muitas vezes não conhecemos a verdadeira natureza de uma pessoa até que ela seja colocada em uma posição de poder e influência. Não temos problemas de atitudes, temos problemas de orgulho. Humildade é a única cura. E também é a mais significativa qualidade para a liderança espiritual.

Jesus Cristo se humilhou e deu sua vida por nós. Apenas aqueles que seguem a Cristo humildemente devem ser confiáveis para a liderança. Integridade é vista como a vontade de servir humildemente.

Como Michael e Sarah, Robbie e Missy me lembravam do poder de Deus em nos tornarmos completos. Talentosos e cheios de dons, podiam ser exemplos de potencial humano. Especialmente Robbie, que estava repleto de lembranças de uma infância triste e uma adolescência rebelde que o deixaram quebrado. Juntar-se à equipe prematuramente, fez com que trabalhasse muitas de suas questões no calor da sua vocação ministerial.

Eu era o novo pastor sênior e ele era o pastor de jovens que havia crescido com aquela igreja. Nosso primeiro ano foi tenso. Ele era um jovem rapaz que uma vez havia jogado seu carro para fora da estrada em uma tentativa de acabar com sua vida. Todo o Natal ele lutava com a depressão. Desde sua juventude, o coração de Robbie estava cheio de violência e raiva. Filho de pais divorciados, ele buscava forças em seu coração para sobreviver e agora precisava acalentar seu coração para servir a outros efetivamente. Enxergava a todos que trabalhavam para “a instituição” como inimigos, incluindo a mim mesmo.

Muitas vezes me perguntei se seu passado o ameaçaria para sempre. Foi necessária muita oração e paciência para ganhar seu respeito e confiança, e ao longo do tempo a comunidade enxergou a mudança na construção de um futuro, substituindo o poder e a capacidade intelectual por humildade e gratidão.

Provavelmente brigamos todas as semanas por dois anos e foram incontáveis às vezes em que pensei em pedir que fosse embora, apenas por me irritar. Hoje é um de meus melhores amigos e existem poucas pessoas em quem confio tanto. Não conheço ninguém que trabalhe tanto para servir a outros. Não importa quantas vezes ele erre, sempre busca perdão e procura consertar as coisas. Ele e Missy são modelos que espero serem influência para meus filhos. Hoje, seis anos depois, Robbie é o pastor de uma de nossas “igrejas-filhas”.

Existem muitos como Robbie e Missy em Mosaico. Nossa liderança é feita de pessoas quebradas que se tornaram discípulos completos. Isto inclui a mim.

O Ciclo do Discipulado - Partindo de um coração quebrado e uma vida fragmentada, ou não, tornar-se um discípulo é uma jornada de:

1. Gratidão. Todos precisam começar com a característica fundamental do cristianismo: gratidão. Não é nossa tendência natural, mas a habilidade de receber a graça começa com a habilidade de sermos agradecidos por aquilo que não merecemos, mesmo em meio a circunstâncias dolorosas.

2. Humildade. Quando uma pessoa é grata por receber o que não merece, a humildade se manifesta e nos direciona para atos de serviço.

3. Completude, que pode ser definida como “dar aos outros mais do que recebemos”. A completude demonstrada ao longo do tempo torna-se:

4. Integridade. E quando uma pessoa demonstra integridade, está pronta para:

5. Liderança. Na realidade, o caminho natural é ser responsável por guiar outros. Agora estão prontos para que esta liderança seja reconhecida.


Erwin R. McManus é pastor da comunidade Mosaico nos EUA (www.mosaic.org)

Copyright © 2008 por Christianity Today International

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A Eritreia está se transformando em uma prisão gigante


ERITREIA (9º) - O governo da Eritreia está transformando seu país em uma prisão gigante, afirma o grupo Human Rights Watch. Para isso, o nordeste africano está fazendo uso do recrutamento militar, assim como detenção arbitrária de seus cidadãos, diz o grupo de direitos humanos.

Centenas de refugiados eritreus foram forçados a voltar de países como Líbia, Egito e Malta. Ao retornarem, enfrentam prisão e tortura.

A perseguição religiosa e o trabalho forçado também são muito comuns na Eritreia.

A reportagem encoraja os países a não mandarem de volta os eritreus que buscaram exílio e convoca a comunidade internacional a pressionar o governo em Asmara a respeito de seus registros de direitos humanos.

O Human Rights Watch diz que todo ano, milhares de eritreus fogem de seu país.

Dezesseis anos após ganhar independência da Etiópia, seguido de três décadas de guerra, a Eritreia se tornou um dos Estados mais fechados e repressivos no mundo, diz a reportagem.

O presidente Isayas Afewerki é acusado de usar uma disputa por território não resolvida com a Etiópia, para manter a Eritreia em permanente pé de guerra.

O grupo diz que não existe sociedade civil independente e todos os meios de comunicação privados foram fechados.

As pessoas com menos de 50 anos raramente recebem vistos para deixar o país e aqueles que tentam fazê-lo sem documentação, enfrentam aprisionamento e tortura, ou ainda, são atingidos por tiros nas fronteiras.

Os prisioneiros são geralmente mantidos em celas subterrâneas ou em containeres de carga com temperaturas extremamente altas. Enquanto isso, os cristãos são perseguidos e torturados regularmente.

Tradução: Vanessa Portella

Fonte: BBC News
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