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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Após polêmica, religiosos do Irã recomendam a morte a quem queimar Alcorão

IRÃ (2º) - Dois importantes religiosos iranianos recomendaram nesta segunda-feira a morte das pessoas que queimarem o Alcorão, segundo informou a agência de notícias Fars.

"Do ponto de vista da jurisprudência, é obrigatório e necessário opor-se a tais pensamentos e é obrigatório matar as pessoas que tenham cometido este ato", declarou o aiatolá Hossein Nuri Hamedani.

O aiatolá Nasser Makarem Chirazi recomendou a mesma atitude, desde que depois de consultado um "juiz religioso".

"Certamente se pode derramar a sangue da pessoa que queima um exemplar do Alcorão. Mas, sobre esta questão, nenhuma ação pode ser tomada sem a permissão de um juiz religioso", afirmou o aiatolá Chirazi

Várias autoridades iranianas, incluindo o presidente Mahmoud Ahmadinejad, classificaram de "complô sionista" a iniciativa do pastor evangélico da Flórida Terry Jones, que planejava queimar 200 cópias do Alcorão por ocasião do 9º aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York.

O pastor desistiu da ideia, mas um grupo de cristão arrrancou as páginas de alguns exemplares do Alcorão diante a Casa Branca no sábado.

Cerca de 500 pessoas se manifestaram nesta segunda-feira contra os Estados Unidos diante a embaixada da Suíça no norte de Teerã para protestar contra oa planos do pastor americano de queimar o Alcorão.

A embaixada suíça representa os interesses americanos no Irã desde a ruptura das relações diplomáticas entre Washington e Teerã depois da revolução islâmica em 1979.

CRÍTICAS

Mais cedo, nos EUA, o imã Feisal Abdul Rauf, impulsionador do projeto de construção de um centro islâmico no marco zero onde ficavam as torres gêmeas destruídas nos atentados de 11 de setembro de 2001, criticou a islamofobia recente no país e voltou a defender a importância da mesquita.

Em meio aos reflexos da polêmica gerada pelo pastor evangélico Terry Jones, a autoridade religiosa islâmica criticou o papel da mídia no caso. Após atrair grande atenção mundial, o pastor desistiu de seus planos.

"A campanha contra ideologias radicais é responsabilidade da mídia, que pode aumentar o radicalismo assim como alimentar um sentimento moderado", disse.

Durante o pronunciamento Rauf também chamou a atenção a empresas e governos para que se juntem numa grande campanha a favor dos moderados religiosos.

"A batalha que devemos enfrentar juntos hoje não é entre muçulmanos e não-muçulmanos, mas sim entre moderados de todas as religiões contra extremistas de todas as religiões", indicou, acrescentando que não se pode permitir que radicais "sequestrem" a religião e a mídia a favor de seus ideais.

REJEIÇÃO

Para Rauf, todas as religiões têm extremistas. "Infelizmente, o islã também tem os que distorcem os valores da religião, mas não se enganem. O islã rejeita categoricamente a morte de inocentes. O terrorismo não representa nossa religião", argumentou.

O imã argumentou a favor da integração dos muçulmanos na sociedade americana, mostrando preocupação com o crescente sentimento anti-islã nos EUA.

"Como imigrantes, absorvemos os valores da cultura americana, mas as dificuldades de se integrar são maiores com a rejeição. Precisamos ultrapassar estes problemas", disse.

Uma das maneiras de avançar estes ideais seria exatamente a construção do centro islâmico em Nova York, disse Rauf.

"O que acontece nesta cidade faz diferença, mais do que nunca. A maneira com a qual vamos reconciliar nossas diferenças é crucial. Este centro será um local em que todas as fés poderão se juntar para confraternizar suas crenças", indicou.

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