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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Vem aí a CPI do Aborto

Deputados da Frente Parlamentar pela Vida criam Comissão para investigar o que chama de indústria do aborto no país.
O tema do aborto promete esquentar o clima no Congresso Nacional este ano. A partir do reinício dos trabalhos legislativos, agora em fevereiro, começa a funcionar também a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Aborto, uma iniciativa das bancadas evangélica e católica, além de congressistas ligados à fé espiritualista, que atuam na Casa. Os deputados ligados às igrejas pretendem investigar a venda irregular de drogas abortivas – como a pílula do dia seguinte – e principalmente a rede de clínicas e casas de saúde que realizam abortos clandestinos. A chamada Frente Parlamentar pela Vida pretende, inclusive, convocar à CPI mulheres que praticaram aborto. O grupo de deputados religiosos é liderado por Luiz Bassuma (PT-BA), adepto do Espiritismo.

No entender dos políticos ligados ao grupo, existe uma verdadeira indústria por trás dos mais de 3 milhões de abortos que, estima-se, são praticados todos os anos no país – em sua maioria, praticados ilegalmente. De acordo com a legislação brasileira, o abortamento só é permitido quando a gravidez oferece risco de vida à gestante ou é originada de estupro. “Empresas e pesquisadores lucram com a prática do aborto”, denuncia o vereador Hermes Rodrigues Nery, de São Bento do Sapucaí (SP). Ele é o secretário-geral da Executiva Nacional do Movimento Brasil Sem Aborto e coordenador da Comissão em Defesa da Vida da Diocese de Taubaté. Nery sustenta que o aborto alimenta uma grande rede que inclui a venda de tecidos fetais humanos para empresas biotecnológicas e laboratórios que querem patentear genes humanos, inclusive com objetivos eugenistas. “Na Rússia”, diz ele, “a venda de bebês abortados para tratamento de beleza e rejuvenescimento custa até 20 mil dólares.”

Além disso, continua o ativista, o antinatalismo faria parte de uma estratégia de controle social “pelos poderosos do mundo, que visam manter os altos padrões de vida concentrados nas mãos de uns poucos bilionários, marginalizando a maioria em condições degradantes de vida, sob todos os aspectos”. O secretário do Movimento Brasil Sem Aborto apontou fundações criadas nos Estados Unidos, como Ford, Rockfeller, MacArthur e Buffet, como financiadoras de ONGs que defendem a prática do aborto. Aqui no Brasil, de acordo com o vereador, o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA) é responsável pelo lobby no Congresso Nacional para a legalização do aborto.

Mas a CPI ainda nem iniciou seus trabalhos e já atrai oposição. A deputada Rita Camata (PMDB-ES), conhecida por sua atuação feminista, critica a intenção do grupo de convocar mulheres que abortaram para depor – o que, no seu entendimento, geraria forte constrangimento. “A Frente Parlamentar pela Vida é um movimento moralista, machista, uma coisa fanática”, critica. A parlamentar capixaba lembrou que a mulher já é relegada a uma completa ausência de políticas de assistência nessas situações degradantes. “Ninguém faz aborto por prazer, porque quer. Se as mães tivessem o apoio dos homens, não recorreriam a um aborto”, finaliza.

(Com reportagem da Agência Latino-americana e Caribenha de Comunicação – ALC)

Supremo Tribunal exige segurança de cristãos em Orissa

ÍNDIA (30º) - O Supremo Tribunal da Índia ordenou que o governo de Orissa aumente as medidas de segurança aos cristãos.

Ao mesmo tempo, criticou a administração estatal por ter atrasado em tomar medidas contra o massacre anticristão do fim de agosto de 2008.

A ordem do Tribunal vem em resposta a um pedido feito pelo monsenhor Raphael Cheenath, arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar.

Ele apelou ao sistema judiciário em favor da segurança dos cristãos nos distritos afetados pela violência, da reabilitação das vítimas e da reconstrução dos edifícios destruídos ou danificados por extremistas hindus.

Muitos líderes da comunidade cristã de Kandhamal não acreditam que a ordem do Supremo Tribunal influenciará a situação. Um, que pediu para permanecer anônimo, disse que as ordens não fizeram muita diferença. Um decreto emitido em outubro, exigindo que o governo estatal compensasse os cristãos pelos danos sofridos e fornecesse ajuda para reconstruir suas casas, foi ignorado.

Esse cristão disse ao AsiaNews que “os assassinatos e incêndios em Kandhamal continuaram. Esse decreto nos impediu de crer em qualquer melhora”.

Ele acrescentou que o dinheiro alocado para a reconstrução “raramente ajuda na reedificação das casas; não é capaz de ajudar a recomeçar a vida com dignidade. Somos frustrados pela burocracia da justiça”.

Até agora, apenas 20 mil dos 50 mil cristãos que fugiram para campos de refugiados puderam voltar às suas aldeias.

O arcebispo de Bhubaneswar foi mais positivo em seu comentário. Em sua visão, “o Tribunal entende bem a situação em Kandhamal e a gravidade da situação atual.”

Tradução: Daila Fanny

Fonte: AsiaNews

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Religiosos tem maior auto-controle, diz estudo

Fez resoluções de Ano Novo para 2009? Se você é religioso, é mais provável que consiga mantê-las, de acordo com um novo estudo.

Para o estudo, o Professor de Psicologia Michael McCullough, da Universidade de Miami, nos EUA, e a sua equipa avaliaram oito décadas de pesquisas sobre a religião que tinham sido realizadas sobre diversas amostras de pessoas de todo o mundo.

O que eles encontraram no final foram “provas convincentes” de uma variedade de domínios no âmbito das ciências sociais – incluindo as neurociências, economia, psicologia e sociologia – que as crenças religiosas e os comportamentos religiosos são capazes de incentivar as pessoas a exercitarem o auto-controle e regularem mais eficientemente as suas emoções e comportamentos, para poderem perseguir objetivos valorizados.

“A vida religiosa pode contribuir para o auto-controle, dando às pessoas normas claras para a sua conduta, por levar as pessoas a controlar de forma mais cerrada o seu próprio comportamento, e dando às pessoas a sensação de que Deus está a observar o seu comportamento”, afirma uma conclusão do estudo, que será publicado na edição de Janeiro de 2009 do Boletim Psicológico.

“Quando as pessoas vêem os seus objetivos como algo ‘sagrado’, aplicam mais energia e esforço na perseguição desses objetivos e, portanto, são provavelmente mais eficazes em concretizá-los”, afirma uma outra conclusão.

Desde há décadas, pesquisadores têm repetidamente encontrado uma correlação entre religiosidade e maior auto-controle nos estudantes e adultos, observando que os estudantes que despenderam mais tempo com a instrução dominical obtiveram melhores resultados nos testes laboratoriais que mediam a auto-disciplina, e as pessoas devotas eram mais propensas do que as outras a fazerem uso do cinto de segurança, ir ao dentista e tomar vitaminas.

Embora alguns possam questionar se é devoção religiosa que leva ao auto-controle, ou vice-versa, McCullough diz que a predisposição para tal foi tida em conta na sua investigação e que mesmo assim ainda havia razões para acreditar que a religião tem uma forte influência.

“Quando se combina tudo vem-se a descobrir achados notavelmente consistentes que correlacionam a religiosidade com um maior auto-controle”, contou o professor ao New York Times.

Mas isso não quer dizer que os não religiosos precisam de adoptar uma fé para desenvolverem auto-controle.

“As pessoas podem ter valores sagrados que não são valores religiosos”, disse McCullough, que confessa que ele próprio não é muito devoto.

“Você pode despender o tempo pensando sobre o que são valores sagrados para si e fazer resoluções de Ano Novo que sejam coerentes com eles”, disse ao Times.

Ainda assim, é de notar que as pessoas religiosas tendem a ter menores taxas de abuso de substâncias, melhor desempenho escolar, menos delinquência, melhores comportamentos de saúde, menos depressão, e vidas mais longas.

“Ao pensar na religião como uma força social que propicia as pessoas com recursos para controlar os seus impulsos (incluindo o impulso de auto-preservação, em alguns casos) no serviço de objectivos maiores, a religião pode motivar as pessoas para fazerem praticamente qualquer coisa”, afirma McCullough.

McCullough diz também que ele e a sua equipa acreditam que pode ter sido a capacidade da religião de auxiliar as pessoas a auto-controlarem-se que durante séculos as ajudou a ampliarem as suas capacidades naturais de auto-controle e, como resultado, permitiu-lhes prosperar em actividades difíceis mas necessárias, como a agricultura e trabalhar em conjunto para resolver problemas.

“Temos andado a explorar… esta possibilidade de que aquilo em que religião é realmente boa – e possivelmente, a razão por que evoluiu – foi em ajudar os seres humanos ancestrais, que estavam em vias de se tornarem modernos, a aumentar as suas habilidades de se controlarem a si mesmos e não se entregarem a comportamentos impulsivos que poderiam ter sido benéficos a curto prazo, mas menos desejáveis a longo prazo do que outras condutas de comportamento”, relatou McCullough.

O que McCullough e a sua equipa esperam que o seu estudo venha a produzir é uma atenção mais explícita para a possibilidade da relação entre a religiosidade e o auto-controle poder explicar a ligação entre a religiosidade e a saúde e o comportamento.

Fonte: Christian Today e Gospel+

Bancadas evangélica e católica conseguem a criação da CPI do Aborto

Por Renato Cavallera
A Câmara dos Deputados, por força das bancadas evangélica e católica da casa, constituiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Aborto, que investigará a venda irregular de drogas abortivas e a rede clandestina de aborto no país.

A Frente Parlamentar pela Vida pretende, inclusive, convocar à CPI mulheres que praticaram aborto, o que, na avaliação de entidades de defesa dos direitos humanos, provocará constrangimento às convocadas. A frente é presidida pelo deputado Luiz Bassuma, do Partido dos Trabalhadores da Bahia.

A deputada Rita Camata, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) do Espírito Santo, da bancada feminista e contrária à CPI, definiu a Frente Parlamentar pela Vida como “um movimento moralista, machista, uma coisa fanática”.

Rita lembrou que a mulher já é relegada a uma completa ausência de políticas de assistência nessas situações degradantes. “Ninguém faz aborto por prazer, porque quer. Se tivesse apoio do homem, não recorreria a um aborto”, fulminou a deputada.

O secretário geral da Executiva Nacional do Movimento Brasil Sem Aborto e coordenador da Comissão em Defesa da Vida da Diocese de Taubaté, professor Hermes Rodrigues Nery, vereador em São Bento do Sapucaí, São Paulo, disse que o antinatalismo faz parte de uma estratégia de controle social “pelos poderosos do mundo, que visam manter os altos padrões de vida concentrados nas mãos de uns poucos bilionários, marginalizando a maioria em condições degradantes de vida, sob todos os aspectos”.

Empresas e pesquisadores lucram com a prática do aborto, denunciou o vereador, seja na venda de tecidos fetais humanos para empresas biotecnológicas, seja para os que estão patenteando genes humanos com objetivos inclusive eugênicos. Na Rússia, mencionou, a venda de bebês abortados para tratamento de beleza e rejuvenescimento custa até 20 mil dólares.

O secretário do Movimento Brasil Sem Aborto apontou fundações, como a Ford, Rockfeller, MacArthur, Buffet, como financiadoras de ONGs que defendem a prática do aborto. O Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), arrolou Nery, é responsável pelo “lobby” no Congresso Nacional para a legalização do aborto.

Fonte: ALC e Gospel+

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Igrejas pedem intervenção diplomática na Faixa de Gaza


PALESTINA (42º) - Ao condenar bombardeios na Faixa de Gaza, uma das áreas mais densamente povoadas do planeta, com 1,5 milhão de habitantes, o secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Samuel Kobia, conclamou governos da região e de fora a prover proteção aos que correm riscos nos dois lados da fronteira.

A punição coletiva contra um país vizinho é ilegal e não tem lugar na construção da paz, declarou Kobia, chamando os governos de Israel e do Hamas a respeitarem direitos humanos e humanitários. As agressões precisam parar imediatamente, agregou.

Kobia lembrou manifestação do Comitê Central do CMI, reunido em fevereiro de 2008 em Genebra, condenando a punição coletiva dos moradores da Faixa de Gaza, assim como os ataques contra civis em e ao redor de Gaza.

No período de celebrações pelo nascimento do Príncipe da Paz, “as notícias que nos vêm da ‘terra santa’ não são bênçãos, mas de bombardeios aéreos, de guerra, de morte e de milhares de feridos”, diz a manifestação do Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai), reportando-se à ofensiva militar aérea iniciada em 27 de dezembro, em Gaza.

A ação militar israelense, uma resposta aos ataques do Hamas contra cidades do sul de Israel, “causou o maior número de vítimas mortais desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967”, arrola o secretário-geral interino do Clai, pastor Nilton Giese. Mais de 400 pessoas, boa parte civis, morreram na Faixa de Gaza e outras duas mil ficaram feridas, vitimadas pelos ataques.

Em carta remetida ao presidente do 63º período de sessões da Assembléia Geral das Nações Unidas, padre Miguel d’Escoto Brockmann, Giese assinala que o Clai, como igrejas na América Latina e no Caribe, pede a intervenção da ONU na região, para que consiga introduzir algum tipo de intervenção diplomática que seja aceita pelos dois lado em conflito.

O secretário-geral do CMI destaca que as orações das igrejas filiadas ao organismo ecumênico internacional pedem que o novo ano traga nova coragem, novas lideranças e novos compromissos para o difícil trabalho de construção da paz no Oriente Médio.

Nota da assessoria de imprensa da embaixada israelense no Brasil enfatiza que Israel não tem a intenção de reassumir o controle da Faixa de Gaza, mas quer, com a expansão da operação militar no dia 3 de janeiro, fazendo incursões também por terra para tentar controlar as rampas principais de lançamento de foguetes que operam na área, “atingir os objetivos de destruir a infra-estrutura terrorista e garantir a segurança de Israel”.


Fonte: ALC notícias

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Massacre religioso no Congo

Exército de Libertação do Senhor trucidou 45 cristãos no dia de Natal.
Um grupo de desconhecidos atacou com machados, até à morte, várias pessoas que se encontravam em um templo católico no interior da República Democrática do Congo no dia de Natal. O ataque foi atribuído ao grupo Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), milícia religiosa que, além do Congo, atua em outras nações africanas, com Uganda e Sudão. “Fomos informados de que os rebeldes mataram 45 pessoas. Os agressores usaram machados e pedaços de pau”, diz o capitão Chris Magezi, porta-voz da operação conjunta contra o LRA realizada pelo exército de Uganda e pelas forças militares do sul do Sudão.

O massacre aconteceu numa igreja a 10 km da cidade de Doruma, no extremo nordeste do Congo. O LRA rejeita essas acusações, reivindicando um inquérito policial independente que esclareça o episódio. Segundo um relatório de uma agência humanitária da ONU, cerca de 190 pessoas foram assassinadas no período natalino em muitas localidades do distrito do Alto-Uéle, na Província Oriental do Congo.

(Fonte: AFP)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Lobos em pele de cordeiro

Aumento dos casos de pedofilia no país assusta a sociedade, leva ao endurecimento da legislação e desafia Igreja a uma tomada de posição.
No Rio, o animador de festas infantis Rogger Peixoto Lucas, de 40 anos, foi preso em novembro sob a acusação de usar sua atividade para aproximar-se de crianças, aliciá-las e cometer abusos sexuais. Algumas dessas crianças eram internas de um abrigo de meninas, onde ele realizava trabalho sociais. Um dia depois, foi a vez de o americano Andrew Kenneeth Grayg ser detido pela polícia fluminense. A acusação – pedofilia, praticada durante anos no seu país de origem, e a suspeita de que tenha seviciado crianças também aqui. Na semana anterior, o país horrorizou-se com uma série de crimes brutais praticados contra crianças no Paraná. Ao longo de 12 dias, quatro meninas foram mortas, não sem antes serem estupradas, por diferentes criminosos. Uma delas, a pequena Rachel Maria de Oliveira Genofre, de nove anos, foi violentada, estrangulada e teve o corpo deixado dentro de uma mala na rodoviária.

A sucessão de casos é apavorante, muitos deles com detalhes bizarros. Em Brasília, um graduado servidor do Senado Federal foi flagrado com imagens no seu computador onde aparece abusando sexualmente de bebês e crianças de até quatro anos de idade. Em São Paulo, um empresário de 32 anos abusava da própria filha de nove transmitia as cenas de sexo ao vivo, através de uma webcam, para centenas de outros pedófilos conectados ao seu programa de mensagens simultâneas.

O que acontece no país são indícios de uma verdadeira tragédia: estima-se que, a cada oito minutos, uma criança é violentada. Todos os anos, são cerca de 60 mil vítimas, segundo a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), órgão da Presidência da República. Isso sem falar, claro, nos casos que nunca chegam ao conhecimento da polícia e da Justiça, e que podem bem chegar ao dobro disso. A maioria das vítimas, cerca de 80%, é de meninas entre dois a dez anos idade. E os abusadores quase nunca levantam suspeitas, ao contrário – como no caso do animador de festas. A situação levou o diretor do Abrigo de Meninas Leylá, no Rio, onde Rogger aliciou algumas de suas vítimas, a dar o tom exato da situação: “Jamais poderíamos imaginar que ele fazia isso. Trata-se de um lobo em pele de cordeiro.”

No país do carnaval, onde a sensualidade é tratada como commoditie brasileiro, cada vez mais a sociedade se assusta com a escalada de notícias sobre crimes sexuais contra crianças. É bem verdade que a maior parte desses abusos ocorrem no ambiente doméstico, entre pessoas da mesma família, amigos ou vizinhos. Estima-se que oito em 10 casos ocorram nestas circunstâncias. “Mas isso não é coisa de bêbado. Há muita gente boa na sociedade, inclusive com militância religiosa, envolvida em crimes de pedofilia”, diz o senador Magno Malta (PR–ES), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia.

Criada em março deste ano, a CPI conseguiu, após um intenso braço-de-ferro com a gigante Google, o acesso aos dados de mais de 18 mil perfis do site Orkut, que continham imagens pornográficas de crianças. Cerca de 80% das denúncias sobre pedofilia na internet referem-se ao site de relacionamentos. “O precedente foi aberto com a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta assinado pelo Google Brasil e o Ministério Público Federal na CPI da Pedofilia. Agora, eles terão de abrir as portas para outros países. Essa luta em favor da criança é uma causa mundial”, discursou o senador, que é evangélico.

Um dos objetivos da CPI alcançado recentemente, no dia 11 de novembro, foi a aprovação de um Projeto de a Lei que atualiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e prevê a tipificação de práticas que, até então, não eram consideradas crimes no Brasil. A partir da sanção presidencial e publicação no Diário Oficial da União, quem produz, reproduz, dirige, fotografa, filma, vende, adquire, armazena ou troca arquivos virtuais com pornografia infantil estará sujeito à prisão de até oito anos. Nos últimos anos, o governo federal e diversas entidades têm promovido diversas campanhas incentivando a população a denunciar casos de abusos contra crianças e adolescentes.

“Lacunas inaceitáveis” – De acordo com Thiago Tavares, presidente da Safernet, uma organização não-governamental que atua na defesa dos Direitos Humanos na internet, a aprovação da lei preenche “lacunas inaceitáveis” que consistiam numa das principais causas de impunidade em relação à pedofilia. Ele lembra que em duas grandes investidas da Polícia Federal contra a pornografia infantil na web, através das operações Carrossel 1 e 2, foram expedidos mais de 200 mandados de busca e apreensão. “E toda essa mobilização só conseguiu prender cinco pessoas. Por quê? Porque não se podia dar voz de prisão para quem apenas portava esse material. O crime era somente para casos de publicação e distribuição”, lamenta.

Fundada em dezembro de 2005, a Safernet criou a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, que recebe cerca de 2, 5 mil denúncias por dia, das quais cerca de 60% são referentes à pornografia infantil. “Infelizmente, muitas crianças possuem acesso a sites de relacionamentos, ficando expostas ao assédio de pedófilos e também a sites com conteúdo impróprio para crianças”, comenta o psicólogo Rodrigo Nejm, coordenador da área de prevenção da ONG.

É justamente na rede mundial de computadores onde os crimes sexuais envolvendo crianças mais proliferam. Para se ter uma idéia, nas salas de bate-papo do portal UOL, havia uma com o título “incesto”. Mas, é nas salas de bate-papo infantil e nas redes sociais que as pequenas vítimas costumam ser aliciadas e, de forma ingênua, repassam informações pessoais para desconhecidos. “Nós sempre perguntamos durante as palestras: você deixaria seu álbum de fotografias no meio de uma praça? Sua agenda com endereços e informações pessoais? Pois é preciso saber que o Orkut também é um espaço público e pode estar sendo vasculhado por criminosos”, alerta Rodrigo.

Tavares acredita que a internet mudou o perfil das vítimas e potencializou a prática criminosa da exploração sexual infantil. “Antes, as vítimas de abusos pertenciam, em sua maioria, a classes sociais como a D e E. Com a internet, as vítimas geralmente são crianças de classe média, com acesso fácil aos computadores e com conexão banda-larga”. Ele lembra que, se há alguns anos os consumidores de pornografia infantil tinham que se associar a redes criminosas e descobrir fontes para obter vídeos e fotos, hoje ela pode, através da facilidade do mundo virtual, obter isso sem sair de casa. “Mas com as mudanças na legislação, quem obtém esse tipo de material também será criminalizado”, comenta Tavares.

Fragilidade – Os efeitos nas crianças vitimadas pela ação de pedófilos são avassaladores. “É aí que entra a importância da igreja. É lá que muitas famílias buscam ajuda”, destaca Débora Kornfield, autora do livro Vítima, sobrevivente, sofredor – Perspectivas sobre o abuso. Para a escritora, que também é missionária da organização Servindo Pastores e Líderes (Sepal), cuja editora publicou seu livro, é aí que reside um grande conflito: os líderes das igrejas geralmente não estão preparados para atender um problema tão complexo como o abuso sexual infantil. Para tentar dar respostas a este problema, ela ajudou a criar grupos de apoio às vítimas de abuso sexual nas igrejas evangélicas. “É necessário que os líderes desses grupos tenham um grande equilíbrio emocional e sejam dignos de confiança. As vítimas estão muito fragilizadas, seja pela circunstância atual ou mesmo por uma dolorosa recordação do passado”.

Seu envolvimento com tema começou quando se preparava para a conclusão de seu curso de pós-graduação em Assessoramento Familiar. “Em três meses, recebi 17 mulheres de igrejas evangélicas, que me relataram histórias de abusos na infância”. Foi quando se deu conta do tamanho do problema, que castigava também famílias evangélicas. “Muitos abusos tinham suas origens até mesmo dentro do ambiente das igrejas e com a família de líderes cristãos”, destaca. Débora também ouviu o outro lado, o do abusador. “Conheci um rapaz que, na adolescência, havia abusado de crianças. Ele jamais havia contado isso para ninguém, nem mesmo para sua mulher. Um dia, ele teve um colapso nervoso e precisou ser internado num hospital psiquiátrico. A culpa era intensa e, só após esse episódio, ele contou sua história”.

Mas as maiores marcas ficam mesmo nas pequenas vítimas. Que o diga a pedagoga evangélica Marisa Mello Mendes, vítima de abuso pelo próprio pai, quando tinha 11 anos. “Durante muitos anos, associei a imagem do pai como a sendo de um violentador. Foi quando Deus se revelou a mim como Pai, curando minhas feridas. É isso que procuro repassar para as crianças e jovens que nos procuram todos os dias”. Ela se refere à instituição que dirige, a Parábola, que funciona na cidade de São Paulo. A entidade é premiada internacionalmente e reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) por seu trabalho junto a jovens e crianças vitimas da violência. “São cerca de duas mil crianças atendidas todos os anos, e oitenta por cento delas têm histórico de violência sexual.”

Marisa analisa os caminhos trilhados pelas vítimas: “Podem se tornar extremamente tímidas, ter problemas com obesidade, tendências depressivas e comportamento apático. Por outro lado, podem se tornar agressivas, desenvolver compulsão sexual e reproduzir a violência sofrida.” Marisa garante que, em 20 anos de experiência com casos de abusos de crianças, nunca encontrou um agressor sexual que não tenha sofrido a mesma violência na infância ou juventude.

Do carinho ao abuso – Combater o crime sexual contra crianças e adolescentes ou identificar um possível caso de abuso é uma tarefa árdua. Isso porque o tema ainda é tratado como tabu, e apenas uma fração dos casos chega a ser denunciada. “A dificuldade de identificar um agressor sexual é que, muitas vezes, ele é um sujeito comum e acima de qualquer suspeita. Por isso, é preciso dedicar atenção às crianças, perceber mais do que ela demonstra”, explica a psicóloga e pastora evangélica Télcia Lamônica de Azevedo Oliveira, coordenadora do projeto Sentinela, de Londrina (PR). A dica, segundo ela, vale tanto para os contatos virtuais como os físicos. “A gente explica, na linguagem da criança, o que é um carinho, um abraço. Mas quando o adulto começa a passar a mão pelo corpo da criança ou pedir que ela tire a roupa, isso já passa a ser abusivo”.

O Sentinela é um programa federal que, em parceria com os municípios, desenvolve ações de prevenção e assistência às crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual. Para a pastora, que coordena também o Núcleo Social Evangélico de Londrina (Nuselon), ligado a Igreja Casa de Oração para Todos os Povos – Ministério Sagradas Missões, é preciso de um envolvimento maior dos evangélicos acerca dessa “cruel realidade brasileira”. “Muitos chegam às igrejas com um histórico de violência sexual na infância, mas não são poucos os casos de abusos que acontecem através de agressores ditos evangélicos”, aponta. A escalada de crimes sexuais contra crianças demonstra bem o tamanho do desafio para a sociedade e a Igreja.

Longa história de abusos - Logo após ser preso, há dez anos, por ter filmado, fotografado e mantido relações sexuais com crianças, o biólogo Leonardo Chain, que trabalhava como instrutor de acampamentos para crianças, defendeu-se de maneira insólita: “Na Grécia Antiga, a pedofilia era comum. Platão nunca foi condenado pelo que eu fiz”. O bizarro é que ele tinha razão. Tão antigo quanto a humanidade, o uso de menores para satisfação sexual de adultos foi um costume tolerado e até mesmo incentivado na Grécia e no Império Romano. Na China, durante milênios, castrar meninos e vendê-los a ricos pederastas foi um comércio legalizado. Conta-se até que Maomé, o profeta do Islã, tinha 53 anos quando casou-se com uma menina de apenas oito. Em casas européias de prostituição, eram celebres os leilões de meninas virgens que, depois de suas primeiras experiências sexuais, eram colocadas para viver nos prostíbulos. Os termos “meninas” ou “raparigas” denotam bem a idade precoce das prostitutas.

No mundo da literatura, o flerte entre arte e sedução muitas vezes saía da mera ficção. O escritor inglês Lewis Carrol (1862-1898), autor de Alice no País das Maravilhas, inspirou-se numa garotinha de 4 anos, chamada Alicia Lidll. O assédio dele pela menina era tão intenso que os pais da criança o proibiram de aproximar-se da filha. Já o romance Lolita, do russo Vladmir Nabokov (1899-1977), retrata a história de um padrasto europeu que se apaixonou pela enteada adolescente. Mais recentemente, o cineasta polonês Roman Polanski admitiu ter feito sexo com uma menina de 13 anos, quase trinta anos mais jovem que ele. Desde então, Polanski é considerado foragido pela polícia norte-americana.

Em artigo publicado pelo jornal carioca O Globo, o filósofo Olavo de Carvalho escreveu que “por toda parte onde a prática da pedofilia recuou, foi a influência do cristianismo – e praticamente ela só – que libertou as crianças desse jugo temível”.

Mundo perdido - Se no Brasil os pedófilos se esgueiram entre as conexões de internet e muitos casos envolvem raptos seguido de abusos contra crianças, em países como os Estados Unidos e a Holanda eles chegam a se organizar oficialmente. Na América, há uma associação gay conhecida como North American Man and Boy Love Association, a Nambla, cuja tradução literal já explicita as intenções: “Associação do amor entre homem e garoto”. A entidade conta com o apoio de intelectuais, como a polêmica escritora Camille Paglia, e já teve seus membros denunciados por participação em redes de pedofilias internacionais.

Na Holanda, a coisa vai além. Homologado pelo Tribunal Internacional de Haia em 2006, um grupo fundou um partido político assumidamente pedófilo. Com o singelo nome de Partido Para o Amor Fraternal, Liberdade e Diversidade, a primeira meta proposta pelos pedófilos é apresentar um projeto legislativo que autorize crianças de 12 anos a manterem relações sexuais com adultos.
Fonte: Cristianismo Hoje

Ameaças aos cristãos na época de Natal

IRÃ (3º) - Segundo o Middle East Concern (MEC), ex-muçulmanos de diversas cidades do Irã foram intimados às delegacias da polícia secreta, onde eram forçados a assinar documentos afirmando que não se reuniriam para celebrar o Natal.

Também foi noticiado que líderes de igrejas domésticas formadas por ex-muçulmanos, em três províncias do país, estão sendo acusados de espionagem internacional e, por conta disso, sofreram sérias ameaças caso entrem em contato com outros líderes cristãos, tanto dentro como fora do Irã.

O MEC pede orações:

1. Que os irmãos ameaçados experimentem o amor profundo do Deus Pai, a paz e a presença do Deus Filho e a sabedoria do deus Espírito.
2. Que os líderes de igrejas domésticas recebam a proteção de Deus durante essa época de festas.
3. Que as autoridades envolvidas nesses casos conheçam as boas novas de Jesus e se abram a elas.


Tradução: Daila Fanny

Fonte: Middle East Concern

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Regulamentações dificultam a legalização de Igrejas Protestantes


TURQUIA (34º) - Na cidade de Samsun, na costa ao norte da Turquia, a congregação da Associação da Igreja Ágape esta cercada e resiste à hostilidade islâmica contra sua presença.

Nos últimos três anos, os membros da igreja Ágape têm suportado abusos verbais e alegações falsas da parte de vizinhos nacionalistas e muçulmanos.

O pastor recebeu ameaças de morte e o edifício da igreja foi alvo de vandalismos, tudo numa tentativa de impedir aproximadamente 30 cristãos de fazerem uma reunião.

As autoridades locais também tomaram parte na oposição contra a igreja, ameaçando-a com ações legais baseadas em acusações falsas.

Apesar de ser uma “associação”, status que permite alguma proteção legal, a Igreja Ágape foi ameaçada com um processo, devido ao fato de seus membros penduraram nas paredes da igreja alguns versículos das Escrituras e uma cruz.

A secretaria provincial de Associações inspecionou o prédio e ordenou que retirassem os artigos, porque eles faziam as salas alugadas parecerem uma igreja.

“Não mudamos a decoração, pois ter uma cruz ou versículos nas paredes não é crime”, disse Orhan Picaklar, pastor da igreja. “Se assim fosse, então associações muçulmanas teriam de retirar suas decorações: versos do Alcorão, bênçãos e imagens da caaba em Meca. Não alteramos nada”.

Atitude discriminatória

Foi esse tipo de perseguição que levou a Aliança das Igrejas Protestantes da Turquia a escrever seu último relatório, publicado no mês passado. A Aliança, fundada em 1989, representa 34 igrejas por toda a Turquia e atua como um grupo de suporte e apoio legal.

O relatório foca as obstruções legais infundadas que as congregações cristãs têm enfrentado na hora de construir prédios de igrejas. Os autores do relatório disseram ao jornal Compass que as congregações não deveriam, em princípio, ter de se reunir como “associação”, uma vez que a lei proporciona, pelo menos teoricamente, a possibilidade de se estabelecer “lugares de culto”.

Segundo o relatório, o fato de as igrejas terem de se cadastrar como associações é, na verdade, uma atitude essencialmente discriminatória.

“Um lugar de culto para grupos religiosos é de importância crucial; eles precisam desses lugares de culto para sobreviver e se desenvolver”, disse um membro do comitê legal da Aliança.

“O processo para tornar-se um lugar de culto, apesar de legalmente possível, é, na prática, quase impossível. Por causa disso, percebemos a necessidade de discutir esse assunto. Gostaríamos de trazer o assunto à atenção de entidades nacionais e internacionais”.

O Estatuto 3194 de Assuntos Públicos, de 2003, que regulamenta a construção de prédios para fins religiosos, recebeu emenda devido às pressões da União Européia. A regulamentação revisada usa atualmente a frase “lugares de culto” em lugar de “mesquitas”. Isso levou os cristãos a solicitar a alteração do status de suas igrejas, que antes eram cadastradas como “escritórios”, “residências” e “depósitos”.

Essa mudança na lei abriu caminho para que esses lugares de culto cristãos pudessem ser “re-zoneados” e registrados legalmente como igrejas.

Mudança impossível

No entanto, as solicitações para mudança de status têm sido até agora, rejeitadas pelas municipalidades alegando-se várias razões.

A igreja protestante Besiktas está esperando o resultado da solicitação que fez para mudar seu status. Nenhuma igreja jamais teve este tipo de pedido atendido.

“Todos os documentos foram entregues há dois anos; mas a resposta simplesmente não chega”, disse um membro da igreja Besiktas. “Não querem dar a decisão. O fato de um grupo conseguir que um prédio comum receba um novo zoneamento seria um precedente que realmente não desejam ver”.

“O governo recomenda isso: ele quer que as igrejas se tornem associações”, disse o membro da igreja Besiktas. “Podemos muito bem fazer isso”.

Apesar de esse ser um grande passo na luta das igrejas da Turquia para alcançar legitimidade, o fato de estarem registradas como associações não as livra de perseguições e maus-tratos.

“Estar organizado como associação não muda o zoneamento do prédio”, disse um membro da igreja Besiktas. Somente recebendo o status legal de “lugar de culto” a celebração de um culto se tornaria legal. “Só assim você celebrará cultos em um lugar separado para esse propósito”.

Além da igreja Besiktas, o relatório da Aliança também cita os casos de mais quatro outras congregações ameaçadas de fechamento devido a processos baseados em violação das leis de zoneamento. É esse tipo de perseguição que as congregações têm esperança de prevenir com a mudança da classificação de seus prédios.

Quatro outras congregações tiveram suas petições para construir “lugares de culto” rejeitados; em cada um dos casos as autoridades disseram que não havia um local adequado disponível.

Tradução: Celiz Elaine

Fonte: Compass Direct

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O Escândalo do Natal

“Para nossos midiáticos dias, onde pregadores se travestem de mariposas espirituais - sempre em busca das luzes de um palco onde possam ser a estrela principal do show, o quase anonimato do nascimento de Jesus é um escândalo”. Lembrando-se do texto bíblico que diz que o evangelho é “...escândalo para os judeus e loucura para os gregos” (I Co. 1.23), o pastor e escritor Philippe Leandro, comenta os fatos relatados na narrativa do Novo Testamento do nascimento de Cristo e faz uma reflexão contextualizada sobre o Natal. Leia o artigo, na íntegra.

Nossos ouvidos, moucos - pela enxurrada de sermões açucarados, do tipo auto-ajuda, que atualmente assolam os púlpitos - são despertados pela declaração de Paulo: “...escândalo para os judeus e loucura para os gregos” (I Co. 1.23).

Desacostumados à contundência das verdades bíblicas, parece um exagero do apóstolo. Não é não. O Espírito Santo relembra que, sete séculos antes, o profeta Isaías já o havia predito, no que é corroborado pelo apóstolo Pedro (Is. 8.14-15 e I Pd 2:8). Repetições não são acidentes na Bíblia, ainda mais em livros e testamentos diferentes. Certamente é algo importante, que Deus quer enfatizar.

Prestamos atenção ao texto e já destacamos na primeira palavra. Escândalo é um daqueles morfemas que tiveram sentido alterado. Recorda-nos o mestre Barclay que “skandalon” já é uma apócope de “scandalethron”, que significa o gatilho da armadilha, a parte ligada à isca, onde, ao pisá-la, o animal fica preso ou morto. No sentido teológico é o que aprisiona, o que impede o progresso; aquilo que associado à uma isca, leva à ruína, à morte espiritual.

O escândalo inclui não só a cruz, mas toda a vida de Cristo, iniciando com seu nascimento.

É ou não escândalo, a gestação fora dos padrões do matrimônio? Até José, mesmo justo, ficou abalado. Se não fosse o anjo lhe aparecer em sonho, teria desfeito o contrato de casamento. Simpatizamos com ele. Imagine, pessoalize a situação: sua noiva, ou a noiva do seu filho, retorna da casa de parentes, e lhe comunica: estou grávida de três meses! Não duvido que, em moralismo farisaico, propuséssemos o apedrejamento dela (Lc. 1.26-45 e v.56; Mt. 1.18-25 e Dt. 22.20-21).

Para nossos hiper-modernos e midiáticos dias, onde pregadores se travestem de mariposas espirituais - sempre em busca das luzes de um palco onde possam ser a estrela principal do show, o quase anonimato do nascimento de Jesus é um escândalo. Se o Jerusalem Post já existisse, não lhe dedicaria uma mísera linha.

Mais ainda, que desperdício! Além de não escolher os magníficos templo e palácio existentes em Jerusalém, o Natal ocorre numa cidade dormitório, em um subúrbio, uma periferia da capital! E nem ao menos numa maternidade ou num hospital de primeira classe – mas num estábulo, verdadeiro desacato às normas sanitárias.

Enxoval de luxo? Que nada! Diversamente dos profetas que servem Mamom mais que a Deus, que valorizam tanto as riquezas que elas ocupam a maior parte de suas prédicas, O criador do universo, o doador de todas as riquezas, resolve ser pobre. É vestido com roupas de pobre, e a oferta que seus pais oferecem é a prescrita para os mais pobres (Lc. 2.7, 22-24 e Lv. 12.8). Nem berço teve, foi adormecer num cocho.

Suas primeiras visitas? Nenhuma figura importante. Nenhum sacerdote, bispo, primaz, cardeal, apóstolo, semideus, ou sei lá mais que títulos fariam parte da nossa lista. Ao contrário, uma caterva de pastores – cidadãos de baixa classe, gente humilde, trabalhadora, sempre cerimonialmente impuros, desqualificados para as celebrações religiosas. As visitas seguintes – um escândalo maior. Gentios, de outra religião, envolvidos com astrologia e magia, Os magos eram uma casta sacerdotal do Zoroastrismo medo- persa; equivalente aos levitas no Judaísmo israelita.

Que nascimento! O registro dos discursos é um paradigma do que se evita apresentar aos auditórios atualmente. Chamá-lo rei e Senhor - politicamente incorreto, é subversão a Herodes e a César; chamá-lo Messias – religiosamente incorreto, é ofensivo aos judeus.

Completamente inverso aos deuses mitológicos, o verdadeiro Deus, o Onipotente, o Onisciente, o Onipresente, escolhe se tornar frágil, um bebê dependente dos cuidados de sua jovem mãe; escolhe se tornar um aprendiz e se limitar ao Oriente Médio. O Eterno se torna mortal.

Nesse espírito, desejo a você, caro leitor: um feliz - e escandaloso – Natal, com celebrações reformuladas, se pretendemos coerência ao homenagear o aniversariante. (Por Philippe Leandro)
Fonte: Agência Soma
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