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sábado, 8 de novembro de 2008

Um ídolo chamado mercado

Por Carlos Queiroz
Os mercadores da espiritualidade fazem do nome Jesus um mero amuleto.
O mercado tem sido cada vez mais citado como força propulsora de sociedades inteiras e de todo tipo de relação, das interpessoais às internacionais. Utilizando-se de uma série de mecanismos para estabelecer parâmetros, fomentar condutas e definir regras, o mercado tem sido elevado a uma espécie de altar neste século 21. Por suas regras, a capacidade empreendedora transforma matéria prima em produto, a fim de se atender às demandas e aos interesses dos clientes. É assim que surge o lucro, objetivo primordial do mercado; na outra ponta, o mesmo produto proporciona certo grau de satisfação a quem o consome. Entidade distante da compreensão das pessoas comuns, e ao mesmo tempo tão próxima a ponto de interferir na vida do indivíduo, o mercado transcendeu a esfera puramente econômica para intrometer-se na política, no esporte, na ecologia e até na religiosidade.
A indústria do futebol, por exemplo, conseguiu atender as demandas de entretenimento e paixão dos torcedores, transformando um tipo de “matéria-prima” em produto passível de comercialização. Empreendedores conseguiram transformar o futebol num dos mais rentáveis negócios de mercado. A capacidade de crianças e adolescentes de controlar e conduzir com os pés uma bola de futebol – habilidade tão comum entre os brasileiros – é o que alimenta essa indústria. Assim, a partir de garotos, são fabricados atletas nas indústrias especializadas do futebol, os clubes ou centros de treinamentos, que passam a vender atletas e serviços de entretenimento para seus clientes.
Outro exemplo marcante é o da chamada indústria de turismo, que nos últimos tempos tem sido uma das principais fontes de renda de diversos países. Há uma demanda de clientes interessados em novas experiências pessoais e no lazer. Pode-se considerar como “matérias-primas” deste mercado as belezas naturais de um determinado destino, assim como a arte, a cultura, o folclore ou a culinária de um povo ou região. Enfim, empreendedores de diversos segmentos conseguem atender às demandas de seu público-alvo, transformando até mesmo o talento ou a habilidade humana em produtos a serem comercializados.
E o mercado religioso? Este também tem crescido, e alimentado uma florescente indústria da fé. De um lado, temos a religião institucional utilizando-se dos elementos do mercado para justificar a funcionalidade pragmática de seus métodos; de outro, temos os devotos desse ídolo fundamentando esperanças no acúmulo de suas dádivas, os bens materiais. Desse modo, surge uma nova forma de ser e fazer religião, que de fato caracteriza-se muito mais como um negócio de mercado. Há uma demanda subjetiva, a tentativa humana de encontrar na transcendência uma resposta para as questões da vida, um jeito de se encontrar um caminho mais fácil e rápido para solução de problemas e realização de expectativas.
O ser humano é, por natureza, religioso. Ele desfruta de um campo subjetivo, que o impulsiona ao exercício da fé e à busca de um espaço coletivo onde possa relacionar-se com a divindade. A matéria-prima capaz de atender a essa demanda é a oração, a reza e os cânticos, assim como a confissão, as experiências místicas e as manifestações espetaculares, como o milagre. Empreendedores conseguem atender os desejos de seus clientes oferecendo-lhes os produtos da indústria dos negócios da religião. Da mesma forma como as indústrias fabricam o produto final que será comercializado, instituições religiosas são as fabricantes de respostas para consumo da alma. No mercado, tanto umas como as outras têm a mesma natureza e usam a mesma lógica.
Pela lei da oferta e da procura, que rege o mercado desde os primórdios da civilização, é a sociedade que determina a viabilidade dos empreendimentos. Nos dias de hoje, com o surgimento de novos mercados, cabe a ela, também, o papel de acompanhamento e fiscalização dos negócios que realizam. Os empreendedores da atividade religiosa e seus atravessadores usam como mediação o nome de Jesus, e muitos acreditam que estão seguindo de fato a Cristo. Não percebem que, na raiz dessa neocristandade, não se está buscando ao Senhor nem os compromissos decorrentes do seu Reino, mas apenas objetivando interesses exclusivamente materialistas. Os mercadores da espiritualidade fazem do nome Jesus um mero amuleto.
Dentro de tamanha relação mercantilista, não há diferença se o mediador é o Filho de Deus ou um ídolo qualquer – até porque, neste caso, a grande divindade é o capital, a conta bancária, enfim, o vil metal. Todavia, transações de caráter comercial não cabem no Evangelho. Para os servos de Deus, é necessário averiguar na experiência de Jesus Cristo e da primeira geração de discípulos uma outra maquete, fundamentada na graça, no amor e serviço aos pobres e marginalizados; enfim, uma opção de serviço e sacrifício pelo bem comum.
Nesse novo jeito de se fazer religião, muitos cristãos, inclusive os de boa vontade, não percebem que fazem parte de uma nova ordem espiritual regida pelo ídolo do mercado. Uma divindade cujas faces modernas nada mais são do que maneiras novas de se fazer coisas antigas. Só não percebe quem ficou cego pelo deus deste século.

Fonte:http://www.cristianismohoje.com.br/

Cristãos começam a voltar para Mosul


IRAQUE (21º) - Gradativamente, cristãos da cidade de Mosul estão voltando para casa.

A tensão dos recentes ataques contra eles está diminuindo, permitindo o retorno deles à idade.

Jawdat Ismaeel, funcionário local da Migração, disse que o êxodo de cristãos da cidade acabou, segundo a agência de imprensa Associated Press.

Em outubro, uma grande quantidade de ameaças de morte contra a comunidade cristã de Mosul levou metade dos cristãos da cidade, cerca de 13 mil cidadãos, a fugir da violência local.

Acredita-se que extremistas sunitas estavam por trás dos episódios de violência, na tentativa de pressionar os cristãos a saírem da região. No entanto, mais de 200 pessoas já retornaram aos seus lares.

Os atos de violência foram condenados pelo governo do primeiro-ministro Nouri Maliki, que chegou a oferecer 1 milhão de dinares iraquianos a cada família que retornasse a Mosul. Além disso, o Departamento de Migração concedeu aos funcionários públicos e estudantes cristãos uma licença até o fim de outubro para suas faltas tanto no trabalho quanto na escola.


Tradução: Maria Laura Liboni


Fonte: Christian Today

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Vinte membros de igreja clandestina são presos

ERITRÉIA (11º) - Em 12 de outubro, policiais eritreus aprisionaram cerca de 20 cristãos pertencentes à igreja clandestina Missão da Fé, em Deki-Zeru, uma pequena cidade a 30 km de Asmara, a capital.

Eles estavam realizando um culto quando as forças de segurança invadiram a igreja. Os cristãos, incluindo alguns anciãos, ainda permanecem presos.

Essa não foi a primeira vez que membros da Igreja Missão da Fé foram presos. Na véspera do Natal, em 2007, forças de segurança prenderam 35 membros da igreja na cidade portuária de Massawa. Todos foram libertados em 16 de fevereiro de 2008.

A Igreja Missão da Fé vem realizando atividades evangelísticas e de desenvolvimento na Eritréia por mais de cinco décadas. A igreja foi forçada a se tornar clandestina depois que o governo emitiu um decreto em 2002, que exigia que todas as igrejas se registrassem. As autoridades, então, permitiram apenas que três denominações cristãs se registrassem. As três Igrejas registradas são: a Igreja Ortodoxa da Eritréia, a Igreja Católica Romana e a Igreja Evangélica Luterana da Eritréia.

O governo eritreu está perseguindo os membros das igrejas registradas e não-registradas. Até agora, mais de 2 mil cristãos foram aprisionados em contêineres de transporte marítimo, quartéis militares e cadeias.


Tradução: Gilmar Tsalikis



Missão Portas Abertas

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Igrejas e pastores são alvos após a Olimpíada

CHINA (10º) - Desde o fim dos Jogos Olímpicos, a associação China Aid recebeu relatos de intensificada perseguição religiosa por toda China.

A China Aid soube que 29 líderes de igrejas não-registradas estão presos em campos de trabalhos forçados e prisões na província de Henan desde 9 de julho de 2007. Eles são acusados de serem membros de seitas.

Dentre esses 29 líderes, um foi solto em setembro de 2008. Outros sete membros pertencem a um movimento de igreja não-registrada na cidade de Lingbao, parte do movimento “Nascidos de Novo”. Eles foram sentenciados pelo tribunal em 9 de julho de 2007, como sendo “membros de seitas”.

O governo chinês teve muitos problemas com grupos que se identificavam como “seitas”, de qualquer corrente religiosa. Qualquer movimento que tenha as mesmas características de uma “seita” é logo oprimido com bastante rigor.

Um líder foi sentenciado a sete anos de prisão – essa é a sentença mais dura contra um líder de igreja não-registrada aplicada nos últimos anos, com exceção do pastor Zhang Rongliang, condenado em 2004 sete anos e meio de prisão, por “tentar cruzar a fronteira ilegalmente e falsificar um documento oficial”.

Na província de Shandong, o pastor Zhang Zhongxin foi sentenciado a dois anos de reeducação através de trabalhos forçados. Depois das Olimpíadas, seu apelo foi negado. O advogado do pastor Zhongxin, Li Fangping, foi impedido de se encontrar com ele, porque as autoridades afirmam que o Zhongxin poderia pôr em risco a segurança do Estado.

Na província de Heilongjiang, o governo da cidade de Yichuan baniu todas as igrejas não-registradas em meados de outubro. De acordo com fontes da região, policiais têm ordenado a todas as igrejas não-registradas na cidade para que interrompessem suas atividades, de acordo com uma diretriz verbal do governo federal e provincial, repassada para diferentes níveis de agencias governamentais.


Tradução: Desiree Froes



Fonte: China Aid Association

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Cristão morre de malária em prisão militar

ERITRÉIA (11º) - A Portas Abertas recebeu a notícia de que mais outro cristão evangélico morreu em uma prisão militar. Teklesenbet Gebreab Kiflom, 36 anos, morreu enquanto estava cativo no Centro de Confinamento Militar Wi’a. Não se sabe a data exata de sua morte.

Ele havia servido na Unidade 31 do Ministério da Defesa do Estado da Eritréia.

Teklesenbet, membro da Igreja do Evangelho Pleno, foi detido durante uma reunião de oração em Assab há aproximadamente um ano. De acordo com fontes, ele sofreu punições militares severas durante seu encarceramento.

Ele teria morrido de malária. Os comandantes de Wi’a se recusaram a lhe dar atendimento médico mesmo estando sua doença em estágio avançado. Fontes dizem que ele foi sepultado secretamente em Wi’a.

Não se sabe ao certo, mas a mãe de Teklesenbet tem 88 anos de idade, e ele era filho único.

Esta é o segundo registro de morte de malária relacionada à falta de tratamento a um cristão evangélico no centro militar de Wi’a. Em junho deste ano, a agência de notícias Compass Direct relatou a morte de Azib Simon, de 37 anos, sob circunstâncias semelhantes (leia mais).

Teklesenbet é o sexto cristão evangélico cuja morte na prisão por causa de sua fé foi confirmada.

Mais 65 presos

Essa notícia veio em meio a relatos de repetidos ataques a evangélicos na Eritréia.

Fontes dizem que, na semana passada, autoridades prenderam temporariamente 65 cristãos evangélicos, inclusive 14 mulheres, que pertenciam às igrejas clandestinas chamadas Igreja Kale Hiwot e Igreja do Deus Vivo, assim como a Igreja Fé Cristã, vista pelo governo como complacente. A prisão ocorreu em cinco locais: Adi-Teklezan Deke Zereeu, Hagaze, Anseba, Dekemhare e Adi-Kuala.

Essas prisões temporárias foram aparentemente feitas na forma de batidas policiais, com uma lista de nomes. Levavam-se pessoas, uma a uma, de seus lares e locais de trabalho.

Fontes confiáveis acreditam que esses nomes foram repassados por informantes de todo o país à Frente Popular pela Democracia e Justiça.

Fontes disseram que os detentos serão provavelmente levados para o novo campo de concentração militar Mitire, que o governo teria estabelecido como um local de punição para prisioneiros religiosos.

Mitire está localizado no nordeste da Eritréia, lugar conhecido pelo calor extremo ao longo de todo o ano. Diz-se que mais de cem cristãos já foram transferidos de várias outras prisões do país para Mitire.

Em outra ocorrência, no início de outubro, funcionários da imigração eritréia ordenaram a quatro missionários católicos que deixassem o país. A ordem foi anunciada pelo Serviço de Informação Católica para a África, em Nairóbi, em 24 de outubro.

O relato citava Flavio Paoli, dizendo que Lucia Andrioletti, Salesian Angelo Regazzo e Donata Maria Moruzzi receberam ordem de deixar a Eritréia em um prazo de oito dias. A irmã Lucia Andrioletti foi a única que realmente partiu, pois sua permissão para residir no país havia expirado. Os outros indicaram que haviam decidido permanecer até que recebessem um escrito, uma vez que, de acordo com eles, todos os seus documentos estão em ordem.

Em Asmara, esses missionários italianos realizam várias atividades, incluindo uma estrutura educacional que visa a melhorar a vida das crianças de rua, e a administração da maior biblioteca pública do país.

A Igreja Católica é uma das quatro religiões reconhecidas pelo governo eritreu. Em 2002, todas as igrejas protestantes independentes foram consideradas ilegais. Apenas o islã e as denominações cristãs luterana, católica e ortodoxa receberam reconhecimento oficial. Os prédios de todas as outras igrejas foram fechados e as reuniões privadas nos lares foram proibidas. Os adoradores que foram pegos desobedecendo a essas restrições enfrentam detenção e tortura nos campos de prisão, notórios por suas terríveis condições.

A agência de notícias Compass Direct estima que mais de dois mil cristãos, incluindo pastores e padres das igrejas ortodoxa e protestante, estejam presos em delegacias de polícia, acampamentos militares e prisões em todo o território da Eritréia por causa de sua fé. Embora muitos estejam encarcerados há meses ou mesmo anos, ninguém foi oficialmente acusado ou teve acesso a processo judicial.

Tradução: Getúlio Cidade



Missão Portas Abertas

sábado, 1 de novembro de 2008

Religiosos mostram Bíblia como história natural

Crianças e dinossauros brincam juntos em um bosque, tiranossauros se alimentam de frutas, e as teorias evolucionistas que dizem que o universo foi criado há milhões de anos são enfaticamente rejeitadas em um museu do norte do estado norte-americano do Kentucky. Contrariamente às exibições de história natural espalhadas pelas maiores cidades do mundo, o Creation Museum (Museu da Criação) nega a principal corrente científica defendida por acadêmicos e apresenta as origens da vida de acordo com um livro: A Bíblia.

Como o nome já deixa perceber, o local defende o criacionismo, teoria cristã segundo a qual o livro do Genesis explica de forma literal o surgimento do universo, e que nega qualquer tese que fale em evolução. A instituição que criou o local, o grupo Answers in Genesis (Repostas no Genesis ou AIG), defende a religião como base da história do mundo desde o "princípio".

Localizado numa região de tríplice fronteira entre Kentucky, Indiana e Ohio, o museu tinha muitos visitantes, apesar de ser um dia de semana e de o prédio ficar afastado de centros urbanos (a cidade mais próxima, Cincinnati, fica a 30 minutos de viagem de carro). A apresentação é impressionante, atraente, e explica bem a primeira parte da Bíblia, atraindo crianças e adultos.

Usando vídeos cheios de efeitos especiais, apresentações quase interativas, robôs animados, estátuas que parecem pessoas, um planetário e explicações muito bem detalhadas, o museu tenta rechaçar críticas de que é radical e "não-científico". "Queremos mostrar uma caminhada história de acordo com a Bília", explicou o co-fundador do museu, Mark Looy, que conversou com o G1 durate a visita.



Sucesso

Fundado há pouco mais de um ano, em maio de 2007, o museu foi um sucesso surpreendente até mesmo para seus criadores. "Esperávamos receber no máximo 250 mil pessoas no primeiro ano, mas tivemos mais de 440 mil visitantes até o aniversário e quase 600 mil até hoje", disse Looy. "Excedemos todas as expectativas, e até evolucionistas elogiam nosso trabalho", completou.


"Deus destruiu o mundo", dizia uma criança de cinco ou seis anos enquanto assistia a um vídeo sobre o dilúvio. Dezenas delas se divertiam com os vídeos e com os robôs de dinossauros na tarde em que o G1 esteve no museu.

Parecendo um parque de diversões da Flórida, com 6.500 metros quadrados de área, o museu traz uma longa apresentação do surgimento do mundo, dos animais, dos seres humanos. Conta a história de Adão e Eva, do fruto proibido, de Matusalém e da arca de Noé – esta última, do grande dilúvio, é usada para explicar a extinção dos dinossauros e a existência de fósseis.



Fatos e interpretações

A principal tese usada pelo museu é de que criacionistas e evolucionistas partem das mesmas evidências para interpretar o passado, mas que chegam a conclusões diferentes. "Raramente discordamos dos evolucionistas em relação às evidências, a separação está na interpretação. Queremos mostrar que a evidência científica leva ao criacionismo", disse Looy.

"Do ponto de vista científico, o que o museu mostra é simplesmente ridículo", rebateu, enfático, Steven Newton, um dos diretores do National Center for Science Education (Centro Nacional para Educação em Ciência – NCSE) , uma das instituições que mais fazem oposição ao trabalho do AIG. "Essas pessoas acreditam que a terra tem apenas 6.000 anos de idade, o que não faz nenhum sentido e pode ser provado como equivocado", disse.

Questionado sobre a crítica científica, o co-fundador do museu disse não ligar. "Muitos nos ridicularizam, mas isso não incomoda. Essas pessoas têm uma visão diferente, e não acreditam no que defendemos", disse, lembrando que no passado ele próprio era uma dessas pessoas críticas do criacionismo.



Educação

O principal trabalho do NCSE em oposição ao grupo que fundou ao museu diz respeito a educação de crianças, tentando evitar o fortalecimento do ensino do criacionismo nas escolas. "Estes grupos estão cada vez mais fortes e querem que o ensino religioso entre nas escolas como se tivesse alguma base científica", disse Newton. "Queremos que a religião fique de fora do ensino de ciência, pois isso atrapalha e confunde os estudantes, o que é ruim para o país como um todo."

As escolas públicas norte-americanas não podem atualmente ensinar o criacionismo como uma teoria, mas o debate em estados mais conservadores como o Texas e a Louisiana debatem a possibilidade de permitir que a tese religiosa seja apresentada junto com os estudos.

Segundo Looy, o grupo que ele representa de fato produz material didático para ensino do criacionismo nas escolas, negando teorias evolucionistas. "Mas apenas em instituições privadas", disse. Segundo ele, o AIG não defende o ensino forçado do criacionismo nas escolas públicas, apenas pede a liberdade para que os professores também possam apresentar o criacionismo às crianças.

"Isso é um objetivo político disfarçado", respondeu Newton. "Nenhum desses grupos admite defender o ensino do criacionismo, mas eles fazem campanha tentando se passar por grupos sem interesses, como se estivessem defendendo a liberdade", completou. científico.



Política

Durante as entrevistas dos representantes dos dois grupos, eles negaram defender um ou outro candidato à Presidência nas eleições da próxima terça-feira (4). Por serem grupos sem objetivos lucrativos, eles recebem doações e não podem se envolver em disputas políticas.

"Podemos defender a proibição do aborto, e incentivar as pessoas a votarem em quem seja contra o aborto, mas não podemos citar nomes", disse Looy em relação ao grupo que criou o museu, indiretamente indicando favorecer John McCain.

Fonte: G1

Em público, albaneses reassumem a fé cristã


KOSOVO (*) - Centenas de albaneses de Kosovo se reúnem aos domingos para participar de cultos em uma igreja de tijolinhos, ainda inacabada, na cidade de Klina em Kosovo.

Afastando-se da fé muçulmana, praticada pela maioria e imposta pelos turcos otomanos vários séculos atrás, esses fiéis são parte de um reavivamento do catolicismo nesse novo país dos Bálcãs.

"Temos vivido uma vida dupla. Em nossa casa, éramos católicos. Mas, em público, éramos bons muçulmanos", disse Ismet Sopi. "Não chamamos isso de conversão. É a continuidade da crença familiar."

Desde que assumiu ser católico, há cinco meses, Ismet viaja 40 quilômetros a cada domingo, do centro de Kosovo para a cidade de Klina, a fim de participar da missa matutina. Setembro passado foi o primeiro mês sagrado do ramadã em que nenhum dos 32 membros de sua família jejuou.

A maioria étnica de albaneses foi convertida á força ao islamismo quando o império otomano governou os Bálcãs, impondo impostos elevados aos cristãos.

Por séculos, muitos rememoravam suas raízes cristãs e viveram como "católicos no esconderijo", como dizem. Alguns, quase um século depois de os otomanos saírem dos Bálcãs, vêem agora a possibilidade de revelar sua verdadeira crença.

"Entre 50 e 60% da população é ligada emocionalmente ao catolicismo romano. Isso se dá por causa de sentimentos relacionados ao que nossos antepassados professavam", comenta Muhamet Mala, professor de História da Religião na Universidade Pública de Pristina.

Comemorando a Páscoa e também o ramadã

Originalmente cristãos, os antepassados de Ismet se converteram ao islamismo há alguns séculos, durante o Império Otomano. No entanto, a família cultivou os costumes cristãos por séculos. Pintavam ovos na Páscoa e comemoravam o Natal junto com o ramadã.

"O islamismo começou a espalhar grandemente pelos territórios albaneses quando os otomanos vieram no século 15. A maioria do povo abraçou o islamismo por motivos econômicos", comenta Jahja Drancolli, professor de Religião também na Universidade Pública de Pristina.

"Naquele tempo, se você fosse católico deveria que pagar muitos impostos aos otomanos."

Aproximadamente 90% da população albanesa de Kosovo é muçulmana, apenas 4% é católica romana. O país também abriga dezenas de monastérios e igrejas ortodoxas sérvias medievais.

A área que é agora Kosovo foi conquistada por Roma antes da era cristã e, mais tarde, governada por cristãos búlgaros e sérvios durante séculos. Tornou-se parte do Império Otomano em 1455.

Sob o governo otomano, muitos cristãos se converteram para fugir dos novos impostos, para ter acesso aos empregos ou boas posições nessa sociedade governada por muçulmanos.

Em leais famílias católicas, freqüentemente nas vilas de fortes laços sociais, os homens se convertiam publicamente, mas continuavam a praticar o cristianismo em casa. As mulheres e as filhas mantinham a fé, o que significa que era transmitida aos filhos.

Os sacerdotes ministravam os sacramentos a esses "cristãos secretos" nas visitas às casas. A Igreja católica opôs- contra essa ministração aos convertidos. Entretanto, o clero local ignorava a ordem e preservava os laços com as famílias.

O fato de existir "católicos no esconderijo" era conhecido durante o Império Otomano: os albaneses tinham até uma palavra para eles – "laraman"– que significa “cavalo malhado” ou “duas cores”.

Algumas famílias de cristãos secretos começaram a reaparecer em público do meio ao final do século 19, quando o poder otomano começou a declinar.

Pecado do pai

Habitantes de Kravoserija, no sul do país, têm sua própria igreja desde 2005, com a ajuda da igreja católica de Kosovo. Beke Bytyci é um de cinco aldeões que têm as chaves, já que o chanceler apostólico Zefi não vem celebrar a missa toda semana.

Abrindo a porta de madeira, Beke fez o sinal da cruz: "Eu serei batizado na próxima semana", disse.

Mais da metade das 120 famílias da vila participam das cerimônias, e a pequena igreja está sempre cheia.

“Meu pai cometeu um erro em não me criar como cristão", disse Ferat Bytyci, um comerciante de 35 anos na vila e parente de Beke. "As coisas mudaram e eu não cometerei o mesmo erro."


Tradução: Regina Chang

Fonte: Reuters

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Novo julgamento de pastor batista acontecerá amanhã

AZERBAIDJÃO (22º) -

O julgamento do pastor batista Hamid Shabanov, 52, terá continuidade amanhã, 31 de outubro, apesar de sérias violações de procedimento por parte do tribunal. Hamid está sendo acusado de porte ilegal de armas. Pessoas próximas ao pastor dizem que as provas de que Hamid tinha uma arma de fogo foram falsificadas (saiba mais).
A família e o advogado de Hamid queixam-se de que o período de prisão preventiva imposto pelo tribunal expirou no dia 21 de outubro, o que torna ilegal o atual encerramento de Hamid.

Polícia negligente A audiência do caso havia sido agendada para terça-feira passada, 28 de outubro. O advogado do pastor, Mirman Aliev, viajou 450 quilômetros, da capital do país até Zakatala, para participar.
Entretanto, a audiência não aconteceu, pois a polícia da prisão em que Hamid está não o levou ao tribunal.

Mirman comentou: "É da polícia municipal a responsabilidade de trazer Hamid a qualquer hora para qualquer audiência. Eles estão atrasando a audiência de propósito, pois não querem que Hamid vá ao tribunal. Querem detê-lo enquanto for possível”. O advogado apelou diante do juiz para que Hamid fosse colocado sob prisão domiciliar enquanto seu caso era investigado, mas o apelo foi indeferido.

Badri Shabanov, irmão de Hamid, contou que a família do pastor tem sofrido muito. Eles não têm contato com Hamid há mais de três meses, e sua esposa não pode visitá-lo na prisão. Badri também comentou que, desde quando o pastor for preso em junho, a polícia não interferiu mais nos cultos da igreja.

O interesse deles é outro: “Eles estão interessados nos líderes. Querem prendê-los e ver a comunidade desintegrar-se”.


Tradução: Claudia Skobelkin



Fonte: Forum18 News Service (em inglês)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Crentes em busca de poder... político

Grupo ligado à Assembléia de Deus planeja criação de partido evangélico que disputaria as próximas eleições de 2010 com uma bancada já formada no Congresso e nas casas legislativas estaduais e municipais.

A participação evangélica na política partidária brasileira sempre foi polêmica. Houve época em que crente não se envolvia em coisas do chamado “mundo secular”. Depois, com a Assembléia Constituinte eleita em 1996, os políticos ligado a igrejas começaram a se articular.

Ninguém se esquece, por exemplo, do fisiologismo demonstrado na época da votação da nova Carta do país, quando deputados crentes integraram o Centrão, bolsão de políticos interesseiros que obteve benesses do poder – como concessões de emissoras de rádio e TV – em troca de votos a favor da prorrogação do mandato do então presidente José Sarney.

Depois, foi a vez de denominações inteiras, como a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), a Igreja do Evangelho Quadrangular e a Assembléia de Deus, estimularem seus membros mais destacados e articulados a concorrer nas eleições federais, estaduais e municipais, com o objetivo de representar o segmento no Congresso Nacional e nas assembléias e câmaras legislativas.

Na 51ª Legislatura federal, por exemplo (1999-2002), deputados e senadores ligados a igrejas eram mais de 50 – quase dez por cento da representatividade política nacional.Agora, com o fim do processo eleitoral municipal, a velha idéia de se criar um partido evangélico parece ganhar força novamente, de olho nas próximas eleições.

O coordenador político da Confederação Nacional dos Evangélicos, pastor Ronaldo Fonseca, já elaborou o estatuto da legenda que pretende lançar a tempo de concorrer em 2010, quando serão escolhidos o novo presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Seu alvo principal é o Legislativo. Fonseca, ligado à Assembléia de Deus, adota uma linha de pensamento que coincide em muito com a exposta pelo bispo Edir Macedo, líder da Universal, em seu último livro, Plano de poder:

Deus, os cristãos e a política – oportunamente lançado a poucas semanas do primeiro turno das atuais eleições municipais. Macedo, que já assumiu publicamente o sonho de tornar-se presidente do Brasil, diz na obra que a potencialidade numérica dos evangélicos – estimados em 17% da população nacional – pode decidir qualquer pleito eletivo.

A semelhança de idéias deixa clara a estratégia das diferentes denominações de igrejas evangélicas para recuperar sua bancada no Parlamento, fortemente abalada pelo escândalo dos sanguessugas – o esquema de fraudes em licitações na área da saúde desbaratado pela Polícia Federal, que culminou na prisão do ex-deputado Bispo Rodrigues (PL), outrora responsável pela coordenação política da Universal, bem como diversos outros parlamentares crentes. Nas eleições de 2006, a chamada bancada evangélica sofreu um baque, caindo praticamente à metade.

Na avaliação de estudiosos, o Parlamento é, para os evangélicos, uma fase necessária para cacifar sua bancada em direção a governos estaduais e, eventualmente, à Presidência da República.Mesmo depois da punição pelas urnas em 2006, a representação evangélica é avaliada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diape) como um dos grupos suprapartidários mais organizados do Congresso.

Estão representadas no Congresso denominações como a Igreja do Evangelho Quadrangular, a Assembléia de Deus, a Sara Nossa Terra e a Igreja Batista, além da Universal. Os deputados ligados a estes igrejas têm presença forte nas comissões permanentes da Câmara, sobretudo na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, que cuida, entre outros assuntos, das concessões para emissoras de rádio e televisão – principal interesse de muitas igrejas, que não por acaso costumam indicar seus radialistas e pregadores midiáticos como candidatos.

“Para eleger seus candidatos, toda a estrutura da igreja é acionada, sobretudo no caso da Universal”, explica o antropólogo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialista em religiões Ari Pedro Oro. Para ele, o desempenho do PRB, legenda com maior percentual de evangélicos no Congresso, é prova do poder do “carisma institucional” da igreja liderada por Macedo nas urnas. “A Iurd inaugurou uma forma de fazer política que vem sendo copiada pelas demais denominações evangélicas e, mais recentemente, até mesmo pela Igreja Católica.

Faz-se política no púlpito, prega-se a fidelidade e o voto no candidato escolhido pela cúpula da denominação. As outras igrejas a condenam, mas a imitam”, frisa o estudioso. Três outros grandes grupos neopentecostais, a Igreja Internacional da Graça de Deus, a Igreja Mundial do Poder de Deus e a Igreja Apostólica Renascer em Cristo, têm seguido o figurino.De acordo com o pastor Ronaldo Fonseca, é justamente para escapar da influência do que chama de “máquina eleitoral” da Iurd que a Assembléia de Deus pretende percorrer caminho próprio na política ao apoiar a legenda ainda em gestação, o Partido Republicano Cristão (PRC).

Na avaliação do religioso, futuro presidente da legenda, será possível aproveitar uma brecha da legislação eleitoral que permite políticos migrarem para siglas recém-criadas sem sofrer punição, o que contornaria eventuais dificuldades pela falta de representatividade nas Casas legislativas. “Neste cenário, será possível contar, já de início, com um corpo de 920 vereadores, nove deputados federais e 27 estaduais”, contabiliza Fonseca. “É o suficiente para chegar em 2010 com uma máquina forte e competitiva, e com uma representação à altura da Assembléia de Deus”, diz.

A denominação, com mais de 10 milhões de fiéis em todo o país, é o maior grupo protestante nacional, e completa 100 anos de atividades em 2011. Ronaldo Fonseca afirma que não usará os mesmos “artifícios” que, no seu entender, seriam adotados pela Iurd para eleger seus parlamentares: campanha nos púlpitos, na porta das igrejas e escolha de candidatos de cima para baixo, escolhidos pelos bispos e impostos aos membros.

“A escolha de pessoas despreparadas acabou penalizando não só a Igreja Universal como toda a comunidade evangélica”, avalia. “Vamos apostar em lideranças políticas autênticas, que emergem da comunidade por seus valores e seu talento, em vez de selecionar simplesmente entre quem tem mais influência entre o eleitorado.”

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Cristão é assassinado por pedir tradução


SOMÁLIA (12º) - Extremistas islâmicos mataram com arma de fogo um ex-muçulmano no dia 14 de setembro de 2008, em Afgoye, uma cidade a mais ou menos 30 quilômetros de Mogadíscio, capital da Somália. Ele se chamava Ahmadey Osman Nur, e tinha 22 anos de idade.
No dia 14 de setembro, Ahmadey foi convidado para uma cerimônia de casamento no seu bairro.
A cerimônia foi celebrada em árabe, idioma que nenhum dos convidados compreendia, exceto o xeique que conduzia o evento.

No final da cerimônia, Ahmadey pediu ao xeique que resumisse a mensagem na língua somali, a língua materna de todas as pessoas que estavam no casamento. Praticamente todos os convidados concordaram com o pedido de Ahmadey, mas o xeique, militante do grupo militante AL-Shabab, ofendeu-se e pediu a um de seus guarda-costas para “silenciar o apóstata”.

Como Ahmadey havia se convertido ao cristianismo, o xeique o considerou um apóstata.
Os muçulmanos consideram o árabe uma linguagem “sagrada”, o idioma que, conforme acreditam, será falada no céu. Alguns dos amigos de Ahmadey disseram-lhe para sair logo dali, pois temiam pela sua vida. Entretanto, o segurança guarda-costas matou Ahmadey com tiros de revólver enquanto ele saía do local.

De acordo com o noivo muçulmano, que convidou Ahmadey para o casamento, ele será lembrando por sua compaixão pelos idosos do bairro em que vivia. O pastor de Ahmadey disse que o mártir também será lembrado como o primeiro cristão somali no distrito de Agfoye a memorizar o livro inteiro de Atos dos Apóstolos, o livro que ele amava mais do que qualquer outro. Recentemente, extremistas intensificaram seus ataques contra os cristãos da Somália.

Nos últimos 9 meses, 6 cristãos, incluindo Ahmadey, foram martirizados por conta da sua fé cristã. Interceda pelos cristãos da Somália, que enfrentam esse período difícil.


Tradução: Claudia Skobelkin
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