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sexta-feira, 1 de maio de 2009

A realidade sobre a Índia

ÍNDIA (22º) - Esta é a primeira parte do artigo intitulado A realidade sobre a Índia.

Na Índia, país predominantemente hinduísta, os cristãos são de longe uma minoria. Eles têm sido perseguidos durante anos, e no estado de Orissa, local mais tenso do país, cerca de 50 pessoas perderam suas vidas em uma onda de violência que ocorreu em 2008. Como ocorre a perseguição dos cristãos indianos? Qual é a história desses cristãos? E como se preparam para enfrentar tamanha opressão?

Escrito pelo jornalista Gerald Bruins.

Nova Déli – Na Igreja Metodista Betel, localizada na cidade de Noida, que fica na capital superpopulosa de Nova Déli, os jovens são responsáveis pelas atividades da manhã. Eles lêem as Escrituras, fazem um período de adoração, usando guitarra e bateria, e cantando musicas compostas por eles mesmos. Certa manhã, além das coisas de costume, eles encenaram uma peça. De repente, alguns jovens com mantas enroladas na cabeça e com pedaços de madeira nas mãos invadiram a igreja e bateram no “pastor”, um jovem com uma vestimenta litúrgica. Alguns cristãos foram atirados no chão. O pastor arrastou-se até o microfone e com a voz sufocada citou as conhecidas palavras de Jesus: “Pai, perdoa-os, pois não sabem o que estão fazendo”.

Esse é o modo que esses jovens encontraram para chamar atenção para a perseguição que seus irmãos cristãos têm enfrentado. Esse é o assunto que tem mais ocupado a mente dos cristãos indianos, principalmente, após a grande violência feita contra os cristãos do estado de Orissa em agosto, na qual se estima que cerca de 50 pessoas foram mortas, 4.500 casas e igrejas foram destruídas, e mais de 50 mil pessoas ficaram desalojadas.

Na capital, os cristãos podem realizar suas atividades com total liberdade, mas em outras partes do grande país a situação é precária. É por isso que duzentos pastores, fundadores de igrejas e evangelistas de todos os lugares do país se encontraram secretamente, em algum lugar do norte da Índia, para um seminário chamado PFAT. Durante quatro dias cheios, os participantes receberam ensinamentos, na maioria dos casos pela primeira vez, sobre a perseguição de acordo com a perspectiva bíblica.

Realizado pela equipe indiana da Portas Abertas Internacional, organização mundial que apoia os cristãos perseguidos, o seminário ainda abriu espaço para testemunhos pessoais. Após as discussões, geralmente os participantes chegavam à seguinte conclusão: acreditar em Jesus na Índia pode custar tudo: filhos, família, casa, igreja e até a própria vida. O fio condutor de todos os testemunhos contados eram os grupos de hindus extremistas, que apareciam do nada, cercavam os cristãos, os ameaçavam com pedaços de madeira e armas, e incendiavam suas casas e igrejas. É importante fazer uma clara distinção entre os extremistas e os hindus “comuns”, que em muitas regiões do país vivem pacificamente com cristãos e muçulmanos.

O comportamento dos hinduístas radicais pode ser ilustrado através dos incidentes que envolvem Anil Kumar, pastor de uma igreja pentecostal. Ele lidera três comunidades que somam um total de 100 membros no norte do estado de Uttarakhand. No dia cinco de janeiro de 2008, ele foi ameaçado por telefone. Ordenaram que parasse os cultos da igreja. Alguns meses antes, a polícia o prendeu sob a acusação de “forçar conversões”, ou seja, de tentar converter hindus à fé cristã, o que é proibido em alguns estados indianos que possuem leis anticonversão. Depois disso, foi solto porque faltavam evidências.

Alguns meses atrás, um grupo de hindus se juntou em frente à sua igreja, gritando e ofendendo os membros. Logo em seguida, enquanto o culto estava ocorrendo, houve um ataque à igreja. Eles espancaram os fieis, que fugiram de lá em pânico, alguns com as pernas quebradas, mas ainda assim, tiveram que correr.

Kumar foi detido novamente e trancafiado durante vários dias. Enquanto me contava a história, o pastor começou a chorar, não por causa do sofrimento que passou, mas porque sob tamanha pressão, alguns se reconverteram ao hinduísmo. E por mais que os radicais estejam distribuindo um panfleto com sua foto, para tentar expulsá-lo da cidade, o pastor não pretende parar de fazer o que faz.

“Jesus está comigo. E abri um processo legal contra a polícia. Aprendi a defender meus direitos neste seminário”, afirma.

Feridas à faca

Raju Baria, o líder de uma igreja doméstica em uma cidade do estado de Madhya Pradesh, carrega no corpo sinais visíveis da perseguição. Alguns anos atrás, radicais hindus o esfaquearam repetidas vezes no braço, e o atingiram nas costas com uma espada. No hospital, o médico não quis socorrê-lo.

“O médico disse que Jesus me curaria e me enviou de volta para a delegacia. Fiquei detido durante um mês, porque disseram que eu forçava as pessoas a se converterem. Aos poucos minhas feridas sararam.”

Após sua libertação, o pastor transferiu o culto da igreja para a casa de um amigo. Mais uma vez os extremistas fizeram um ataque, atearam fogo na casa e duas crianças que estavam em pânico pularam em um poço e se afogaram.

“Seis igrejas da região viraram cinzas”, ele comentou de maneira contida. Apesar da opressão, disse com lágrimas nos olhos que sua comunidade está crescendo. Como o pastor explica isso? “Continuamos a evangelizar e ocorreram muitas curas. Isso traz as pessoas a Jesus.”

Muitas histórias de milagres são contadas no seminário. Antes de sua conversão, o pastor Prakash Jha do estado de Madya Pradesh era membro de um grupo extremista hindu. Ele até atacou igrejas e cristãos.

“Uma organização fundamentalista fez uma lavagem cerebral em mim. Os líderes diziam que os cristãos eram chantagistas, que recebiam dinheiro de fora do país e forçavam os hindus a se converterem. Assim, nós tínhamos que fazer algo contra eles.”

Ele ganhou uma Bíblia de um amigo que se tornou cristão. Sem saber que tipo de livro havia recebido, começou a lê-lo. No evangelho de Mateus, leu que Jesus pediu que todos que estivessem cansados e sobrecarregados viessem a ele. Isso o aproximou da fé. Converteu-se após testemunhar uma oração que trouxe cura a uma mulher que havia sido mordida por um escorpião. Sua igreja está crescendo apesar da opressão, segundo o próprio relato, isso acontece por causa das muitas curas que têm ocorrido.

A perseguição também vem da família, contam os participantes do seminário. O pai de Bhupendra Nath é um guru, da casta brâmane, a mais elevada. Ele poderia ter seguido os passos do sacerdócio hindu, mas seus amigos de escola falaram para ele sobre Jesus e ele aceitou a fé.

“Imediatamente após a primeira oração que fiz, fui liberto de uma terrível dor de cabeça, que me incomodava já fazia muito tempo”, diz.

Como uma tentativa de fazer com que voltasse ao hinduísmo, o pai ordenou que fizesse diversos rituais, mas ele recusou-se. As pessoas da cidade começaram a pressioná-lo a voltar à fé hindu, mas ele resistiu.

“Então, meu pai ameaçou me matar e pagou alguns mercenários. Eu fugi da casa de meus pais com minha esposa e estou vivendo em um lugar secreto, bem longe da minha família. Isso me magoa muito. Sinto falta deles, mas agora vejo meus irmãos e irmãs da fé como família.”

Orissa

No seminário havia um grande número de ministros da Igreja Evangélica Luterana do distrito de Koraput, situado no estado de Orissa, o centro do pior ataque já realizado contra cristãos. Quando a violência começou na região de Kandhamal, a cerca de duzentos quilômetros de distância, os pastores pensaram que os ataques não os alcançariam, mas estavam errados. Após quatro dias, as multidões alcançaram Koraput também. O reverendo Sewak Ram conta como seu sogro, também pastor da Igreja Luterana, e sua esposa tiveram que fugir para a floresta, quando sua igreja foi incendiada.

“Eles tiraram primeiro tudo o que estava lá dentro, desde roupas até o fogão a gás e as Bíblias, e as queimaram fora da igreja.”

Seu amigo, o reverendo Mahesh Pramanik, ficou preso no fogo cruzado. De um lado, estava a multidão enfurecida de hinduístas; do outro, um grupo de jovens (os cristãos da cidade estavam divididos), que queriam defender a igreja. Com a ajuda da polícia, foi possível impedir o confronto.

“Eu estava na frente do grupo cristão, com as mãos estendidas, e clamava para que eles não recorressem à violência. Isso deu certo, mas os hinduístas ainda assim incendiaram todas as igrejas.”

No total, 25 lugares de culto foram incendiados na região, assim como um número desconhecido de casas. Sessenta famílias cristãs perderam tudo.

“É surpreendente o fato de que não houve mortes nessa região”, diz Pramanik. “Os pastores nem ousam pensar em reconstrução, não há dinheiro para isso. No momento, fazemos os encontros debaixo de árvores ou em campos abertos.”

Em outros lugares de Orissa, os cristãos enfrentaram um destino muito pior: cinquenta pessoas foram assassinadas, mas de acordo com um relatório do Partido Comunista da Índia (marxista-leninista), 500 pessoas podem ter sido mortas. Segundos os comunistas, há rumores que dizem que os fundamentalistas hindus foram instruídos a destruir as evidências e queimar os corpos. As imagens de cristãos carbonizados porque atearam fogo neles ou porque não conseguiram sair de suas casas e igrejas durante os ataques, são frequentes.

O reverendo Abraham, da organização Full Gospel Trust, que trabalha entre as crianças pobres do norte da Índia, nasceu em Orissa. Ele visitou diversas vezes o distrito de Kandhamal, que foi fechado para a imprensa.

“Muitas pessoas ficaram traumatizadas, poisperderam um ou mais membros de sua família ou suas casas, e porque os documentos das propriedades foram queimados também, será difícil para eles retornarem.”

O fato de que as igrejas foram incendiadas não tem impedido que os cristãos se encontrem, seja em casa ou na floresta.

“É estranho pensar que você pode destruir o cristianismo ao destruir igrejas. Os cultos das igrejas simplesmente continuam a ocorrer, não importa quão difíceis são as situações.”

Das milhares de pessoas desabrigadas, um grande número está vivendo nos campos estabelecidos pelo governo. O pastor iniciou diversos projetos voltados para crianças: “Do ponto de vista emocional, elas estão muito feridas. Não podem ir à escola e estão condenadas ao ócio. Estamos desenvolvendo um projeto cheio de atividades.”

Abraham ouviu diversos relatos de pessoas que foram forçadas a se reconverterem ao hinduísmo. “Rasparam o cabelo dos cristãos, os forçaram a oferecer cocos a entidades, a beber urina de vaca e fizeram o sinal hindu na testa deles”, descreve o pastor.

Muitos cristãos em Orissa começaram a duvidar. Alguns já haviam perdido suas casas em um ataque em dezembro de 2007, e tinham acabado de reconstruí-las quando os hinduístas atacaram novamente e destruíram tudo. “Onde está Deus?”, alguns perguntam a si mesmos. Ore por eles e por todos os que foram forçados à reconversão ao hinduísmo, para que possam permanecer fieis a Jesus, mesmo que só no coração.

* Para evitar o reconhecimento das pessoas envolvidas, os nomes foram alterados no presente artigo.

Índia

• População: 1.129.866,154 (2007), depois da China, a Índia é o país com a maior população do mundo

Fonte: Perseguidos pela causa de Cristo
Missão Portas Abertas / www.portasabertas.org.br

Tradução: Homero S. Chagas

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ex-muçulmana é presa por se casar com um cristão


EGITO (21º) - A convertida Raheal Henen Mussa e seu marido copta estão escondidos da polícia e de sua família muçulmana por violarem um artigo da sharia (lei islâmica) que não existe no código penal egípcio.

A polícia prendeu Mussa, 22, no dia 13 de abril, por se casar com Sarwat George Ryiad em uma cerimônia comum (zawag al ‘urfi), uma forma não-registrada de matrimônio realizada no Egito, sem testemunhas. Essa cerimônia ganhou muita popularidade entre os jovens egípcios, mas não é sancionada pela maioria dos eruditos islâmicos.

Os dois assinaram um contrato de casamento entre eles. Somente Ryiad e seu advogado têm uma cópia. A polícia não conseguiu uma cópia do contrato, mas usou a existência dele como pretexto para a prisão de Mussa.

De acordo com uma interpretação da sharia, as mulheres muçulmanas não podem casar com não-muçulmanos, ainda que o contrário seja permitido, e o Artigo 2 da Constituição egípcia estipula que a sharia seja a base para a legislação.

Segundo a lei egípcia, os dois não cometeram um crime, já que não procuraram um reconhecimento para o casamento, mas a polícia e a família de Mussa estão coagindo o casal, dizendo que eles violaram a lei islâmica.

“Eles não violaram a lei, mas a família e a polícia estão adotando uma lei própria, que não está registrada”, diz Helmy Guirguis, presidente da Associação copta do Reino Unido. “A lei islâmica interpreta que, se uma garota muçulmana casa com um homem não-muçulmano, mesmo no papel, eles estão quebrando a lei de Deus, e não a lei dos homens.”

Os dois não puderam se casar em uma cerimônia oficial, pois Mussa é considerada muçulmana por nascimento, e mudar o status religioso de “islã” para “cristianismo” é impossível no Egito.

Conhecida como Samr Mohamed Hansen, Mussa se converteu ao cristianismo há três anos, antes de se casar com Ryiad. A polícia a prendeu quando chegou do trabalho. Eles a identificaram pela tatuagem da cruz copta em seu braço direito, uma marca comum entre os coptas.

Ela foi transferida para um posto operado pela polícia secreta, onde ficou até domingo (19 de abril), quando sua família a tirou de lá. Enquanto estava sob custódia, a família queimou a tatuagem.

Mussa fugiu de sua família na terça-feira (21). Ela e seu marido fugiram para o Cairo e estão escondidos. Se os dois forem pegos, os advogados temem que eles possam ser separados, presos e agredidos se Mussa voltar para a família.

A influência da sharia na lei egípcia também significa que os muçulmanos têm o direito (hisbah) de processar alguém que tenha violado os “direitos de Deus”. Isso pode significar que o casamento não reconhecido de Mussa e Ryiad pode torná-los alvos de extremistas muçulmanos querendo cumprir toda a lei.

O exemplo mais conhecido da aplicação do hisbah aconteceu em 1995, quando Nasr Abuh Zayd, professor da Universidade do Cairo, foi declarado um “infiel” e obrigado a se divorciar de sua esposa por criticar as visões ortodoxas do Alcorão.

Ryiad e Mussa não casaram em uma cerimônia copta, pois muitas igrejas evitam casar muçulmanos registrados com não-muçulmanos, por medo das autoridades e extremistas islâmicos.

“Ninguém no Egito pode realizar o casamento de um homem copta com uma mulher muçulmana”, afirma o advogado Naguib Gabriel. “Seria muito perigoso para a vida do pastor.”

Tradução: Deborah Stafussi

terça-feira, 28 de abril de 2009

Igreja histórica é invadida por radicais durante culto


ÍNDIA (22º) - Um grupo de 20-25 radicais hindus invadiu o culto de domingo, dia 19 de abril, na igreja histórica Douglas Memorial Church em Saoner, na Índia. Carregando paus, espadas uma pistola e forcados, os fanáticos agrediram duas mulheres nas pernas e louvaram os nomes de deusas hindus, destruindo uma Bíblia e instrumentos musicais, e danificando o altar.

Quando iam embora, os radicais quebraram as janelas de um ônibus escolar estacionado em frente à igreja.

Os grupos hindus VHP e Bajrang Dal negaram qualquer envolvimento no ataque, mas afirmou que os jovens hindus estavam furiosos com as conversões que têm ocorrido na área.

A polícia local disse que 10 minutos antes do ataque, alguém que alegava fazer parte do grupo radical VHP foi até a polícia e entregou um pedido para que houvesse uma ação contra as conversões em Saoner.

O pedido alegava que a igreja estava atingindo famílias pobres e oferecendo a conversão por meio da sedução.

“As alegações não têm fundamento”, afirma o pastor Mark Sarkharpekar, da Douglas Memorial. Ele disse que foi o primeiro ataque desse tipo.

O ataque começou assim que o pastor iniciou o sermão. Um forcado foi lançado contra ele, que conseguiu desviar e não ficou ferido.

A polícia prendeu seis dos envolvidos no ataque.

Fonte: International Christian Concern

Tradução: Deborah Stafussi

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Pessoas quebradas podem ser discípulos inteiros

Erwin R. McManus

Até que uma pessoa esteja disposta a apreciar a vida, servir aos outros e sacrificar algo de si mesma, nunca encontrará a cura que busca.

O desafio da igreja de hoje é transformar pessoas quebradas em discípulos inteiros. As áreas feridas de algumas pessoas são óbvias. Abusos e abandonos que deixaram cicatrizes. Em outros, a beleza exterior foi cuidadosamente esculpida para esconder o que ninguém faz questão de ver. Muitas vezes apenas seus olhos os traem. Ou as vozes inconstantes e as mãos que tremem discretamente.

Este foi o caso de Sarah. Quem teria adivinhado que esta jovem esposa com dois filhos havia acabado de ter um caso homossexual? A infidelidade de Sarah havia mascarado sua fragmentação interna tão profunda. Como seu marido Michael poderia imaginar que sua distância emocional levaria a este tipo de alienação? Apesar de amar Sarah profundamente, sua história de vida fazia da possibilidade de intimidade algo que ele temia quase tanto quanto o abandono. Seu casamento era frágil e seu futuro incerto. Como transformar estas pessoas em discípulos?

A estrada era difícil, mas agora, dez anos depois, Michael e Sarah possuem um casamento forte e ministram a outras pessoas. O ingrediente fundamental nesta história foi o papel da igreja local.

O discipulado está tomando novos formatos no contexto pós-moderno atual. A igreja moderna visa o discipulado como o primeiro treinamento doutrinário. Um cristão maduro era alguém que conhecia a Bíblia. A boa cidadania era algo esperado de todos. Não era um paradigma irracional, mas era algo perigoso. Antes da pós-modernidade, a igreja aproveitava a influência positiva de uma cultura moldada pela fé cristã. Mudanças de vida tornaram-se uma arte perdida, pois a maioria das pessoas parecia completa.

Enquanto a sociedade ao nosso redor piorava, a mesma coisa acontecia com os relacionamentos, a saúde emocional, a moral e o bem-estar geral de todas as pessoas, dentro e fora da igreja. Tornamos-nos cada vez mais enfraquecidos para ajudar aqueles cujas vidas estão sendo dilaceradas e devastadas pelo poder do pecado. Restaurar vidas quebradas requer convicção, comprometimento e comunidade. Infelizmente, até quando a igreja quer ajudar, geralmente pensa que não tem poder para curar. Professamos que Jesus muda vidas, mas com pessoas quebradas preferimos recorrer à psicoterapia. Entregamos os pequenos problemas a Jesus e os grandes problemas a Freud.

Como retomarmos o poder de tornar pessoas fracassadas e machucadas em verdadeiros discípulos?

O poder de ethos - Tudo começa com a cultura da expectativa. Quando meu filho Aaron tinha três anos, tornou-se um seguidor de Jesus. Para mim isto era algo novo, uma vez que me converti a Cristo já adulto. Nada me chocou mais do que sua primeira oração aos quatro anos. Sempre orei por ele e agora era sua vez de se expressar a Deus.

“Jesus, me transforme em um líder de homens. Sei que sou pequeno agora, mas quero ser um líder”. Fiquei chocado! Momentos depois, minha esposa Kim lembrou-me de que este era o ambiente em que ele vivia o tempo todo.

Ethos, ambiente, cultura – esta é a chave para uma vida completa.

Nos últimos 20 anos, aqueles mais comprometidos com o discipulado moveram-se intensamente na direção das relações “um a um”. Enquanto é de grande ajuda para muitos, não capturou o ingrediente mais significativo de mudança sistêmica e pessoal – o poder de “ethos”: ética.

Completude é simples: dar mais do que você recebe - O dicionário define ethos como o caráter fundamental e espírito da cultura, o sentimento impregnado que informa os costumes, crenças e práticas de um grupo.

Você se lembra de quando a lei do cinto de segurança foi implementada? Muitos de nós não concordamos. Sabíamos que era algo bom para nós, mas era incômodo. Nunca pensamos nisto como algo imoral e sim algo ilegal. Nossa liberdade havia sido tirada de nós!

Agora, quando as pessoas dirigem com seus filhos e elas não colocam o cinto, o que você pensa? Provavelmente que os pais são negligentes, colocando as crianças em perigo. Já caminhamos muito desde o tempo onde jogávamos as crianças pequenas na carroceria de um caminhão.

A lei pode informar suas ações, mas ethos informa seus valores. Ethos é mais poderoso do que as regras, métodos, estratégias e até as leis. Não subestime o espírito de uma comunidade saudável que molda um indivíduo como um discípulo.

Nossa igreja espera que as pessoas invistam seu tempo servindo a Jesus através do serviço a outras pessoas. Insistimos que o isolamento e o individualismo fazem parte de um problema, não parte da solução. Relacionamentos são essenciais para a saúde e a maturidade.

Esta convicção é tão forte que realmente mudamos o nome de nossa igreja para afirmar isto. Mosaico é uma forma de arte feita com pedaços quebrados e fragmentos de vidro, azulejo e outros materiais. Através da habilidade do artista, estes pedaços são colocados juntos e formam algo bonito e significativo, especialmente quando a luz reflete.

Chamar nossa igreja de “Mosaico” é a nossa declaração de que somos uma comunidade de pessoas quebradas e fragmentadas, colocadas juntas pelo artista maior para refletir sua beleza – especialmente quando sua luz nos atinge. Aqui em Los Angeles, um ministério efetivo não acontece se não podemos tornar as pessoas quebradas em discípulos. Nossa igreja é isto, nosso lema: esta é a cultura que cura.

Encontramos nossa essência e a destruímos - Há tempos atrás as pessoas não refletiam tanto acerca de “eu mesmo”, nosso “self”. Pessoas tinham uma visão assimilada acerca de si mesmas – a percepção da própria essência fazia parte de uma tribo, um grupo. Falávamos sobre “nós” antes de falar “eu”. Um indivíduo isolado? Inconcebível.

Então desenvolvemos a consciência acerca de nós mesmos. Um conceito desenvolvido bem antes de Descartes, solidificado com sua citação: “Penso, logo existo”. O estudo da identidade pessoal é um fenômeno relativamente recente. A percepção do self é de muitas maneiras um presente e uma maldição da modernidade. Desde então, tentamos descobrir quem somos.

Não encaramos mais nossas identidades como algo apenas assimilado, tentamos nos afastar das influências externas para compreender quem realmente somos. Nossa visão de propriedade demonstra esta mudança. Durante uma época, os homens eram propriedade do estado e do rei. As tribos pertenciam às terras e não a uma pessoa. A maioria das pessoas não pensava sobre seus direitos e escolhas. Tudo que possuíamos era presente dos deuses.

A consciência do self nos levou a idolatrar a nós mesmos. Não apenas começamos a nos enxergar como ponto de referência para tudo ao nosso redor, como compreendemos a realidade como uma extensão de nós mesmos. Agora somos donos de nossos pertences, como carros e casas, mas também de “nosso estilo” e “nossas preferências”. Chegamos ao extremo absurdo: “saia do meu espaço”, “você está respirando meu ar”, “tenho a minha verdade”.

O self idolatrado torna-se rapidamente o self fragmentado. Quanto mais olhamos para dentro de nós mesmos, maior a confusão instalada. Perdemos contato com o que parece ser inteiro, mas estamos conscientes sobre as facetas da fragmentação, estamos quebrados. Isto baseou a ciência da Psiquiatria.

A questão então é: “Como nos tornamos discípulos em potencial, do estado fragmentado para a integração, a completude?”.

Desintegração reversa - Na minha infância, em El Salvador, nunca aprendi a palavra para neve. Nos anos que morei em Miami, aprendi um significado singular para neve. E quando mudei para a Carolina do Norte, meu vocabulário sobre a neve aumentou: neve, gelo, nevasca, geada.

Com a experiência, veio a linguagem. Soube que no Alasca existem mais de 100 palavras para neve. Espero nunca precisar aprendê-las.

Você se lembra de quando a palavra disfuncional não fazia parte do nosso dia-a-dia? Nem as palavras: neurótico, psicótico, maníaco, bipolar, fobia, stress, adição, vício, terapia, 12 passos, recuperação, crise da meia-idade, hiperatividade, repressão, depressão, desordem, etc...

Nossa linguagem revela o que gostaríamos de esconder: a fragmentação do espírito humano. Ao mesmo tempo, assistimos a um óbvio declínio do caráter das pessoas. Mas poucas vezes tentamos compreender estas realidades de forma conjunta. Completude e integridade são parceiras. Ambas emergem de uma vida que experimenta o poder da integração (que significa uma unidade completa, um número inteiro e impossível de dividir). Uma pessoa integrada tem integridade e completude. Produzir um caráter divino nos leva à jornada para a integração.

Como se apresenta a completude - Não confunda completude com perfeição. Minha definição funcional de completude é simplesmente “dar mais do que você recebe”.

Uma pessoa emocionalmente quebrada costuma enxergar os outros apenas naquilo que podem oferecer. Quanto maior a fragmentação, menos a pessoa contribuirá para o relacionamento e mais irá exigir. Completude emocional é vista através do que você pode contribuir com os outros. A pessoa espiritualmente completa considera aos outros mais importantes do que si mesma.

O primeiro passo para a trilha em direção à completude é desenvolver a gratidão. O egoísmo e a inveja estão presentes em todos nós e encontram justificativa em nossa dor. Para pessoas quebradas, este primeiro passo é contra a natureza. Nossa inclinação natural é uma tentativa contínua de auxiliar nas necessidades de pessoas feridas. Geralmente isto é uma coisa boa: fé cristã significa compaixão. O perigo vem quando nos percebemos reforçando um espírito ingrato.

Serviço, ao longo do tempo, revela integridade - Durante dez anos trabalhando entre as comunidades carentes, vivi crises e expectativas. Sentia-me obrigado a suprir as necessidades de todos ao redor.

Enquanto fazíamos muitas coisas para servir às pessoas, estava claro que não os ajudávamos a melhorar. As pessoas retornavam com os mesmos problemas, diversas vezes.

Nunca esquecerei do que um homem de rua me fez pensar certo dia. Ele se aproximou pedindo dinheiro ou comida. Kim ofereceu a ele meu almoço: um sanduíche e batatas. Sem hesitar, ele olhou para dentro do carro e apontou para meu prato de sopa, pois também o queria. Não esboçou gratidão. Dei a ele meu sanduíche, mas não entreguei meu prato de sopa.



Ele me ajudou a enxergar a relação entre gratidão e completude. Jesus explicou a Simão que onde há mais perdão, há mais amor. Este é o trabalho da gratidão. A gratidão expande tanto nossa capacidade de amar quanto a capacidade de sermos amados.

Ajudar alguém a crescer em gratidão é uma arte relacional, que requer de nós gentis e firmes atos com nossos pincéis. Isto não é algo voltado para quem prefere martelos e pregos. Se uma pessoa é cristã, um bom lugar para começar é a cruz. Considerando seu sacrifício por nós, o que mais Jesus precisa fazer por nós, para que sejamos eternamente gratos? Discipulado começa com a percepção de que não merecemos nada.

A cada ano temos estagiários que vêm trabalhar conosco. Por diversas semanas suas tarefas parecem sem sentido e aquém do que merecem. Geralmente são educados, brilhantes, acostumados a serem honrados publicamente. Mas aqui, nenhuma exposição pública está à disposição. Então começamos a promover aqueles que respondem com gratidão e não aqueles que demonstram mais talento.

No meio do verão costumamos enfrentar uma crise. Quando uma pessoa é ingrata sempre, lhes ensinamos a focar em três áreas principais:

1. Ouça as histórias de sua vida e perceba quantas memórias negativas você tem. Encontre algo em sua história para agradecer a Deus.

2. Mesmo quando a vida estiver difícil, existe alguma beleza para ser vista, se você estiver sensível para isto. Não deixe o pessimismo criar em você o desespero. Agradeça a Deus pelas flores, o nascer do sol, o ar que você respira, e outras coisas que você pode enxergar.

3. Sacrifique-se por alguém e sirva a alguém com maiores necessidades que as suas. Sei que quando minha pequena filha Mariah chorou ao ver a pobreza da Indonésia, ela tinha uma perspectiva totalmente diferente de como somos ricos, percepção de gratidão e sensibilidade para servir.

Estarmos fragmentados e quebrados pode ser o resultado de muitas coisas: abuso, negligência, abandono, traumas ou pecado. Podemos ser as vítimas ou os ofensores. Geralmente temos os dois papéis. Pessoas feridas ferem pessoas. Quando nossa fragmentação é fruto de vitimização, isto torna a jornada para a recuperação mais difícil. Por quê? Amargura. Amargura que é fruto de qualquer tipo de abuso é algo difícil de ser curada. Mas a amargura é garantia certa de depressão e desespero. A amargura nos força a viver no passado. Esperança requer que vivamos no futuro. Só o perdão pode nos libertar.

Perdão é a resposta do coração que conhece a gratidão. Amargura e ingratidão andam juntas. Gratidão é a chave para a cura e a completude.

A gratidão torna as pessoas agradecidas por aquilo que tem e as tornam menos exigentes em relação aos outros. Enxergam o copo metade cheio e são gratas por aquilo que recebem, uma vez que não esperam nada. A pessoa ingrata questiona quem bebeu a outra metade do copo.

Todos nós lidamos com o egoísmo, mas estarmos quebrados justifica esta questão. O que é recebido era esperado, mas nunca o suficiente. A pessoa ingrata não pode tornar-se grata apenas por ter seus desejos satisfeitos. Até que uma pessoa esteja disposta a apreciar a vida, servir aos outros e sacrificar algo de si mesma, nunca encontrará a cura que busca.

A integridade vem através da humildade - Após enxergarmos as demonstrações de um espírito grato, o próximo passo para a integridade é a humildade. Humildade é uma característica da humildade. Como sabemos se somos humildes? A simples percepção de sermos humildes não nos torna orgulhosos? Como podemos caminhar em humildade?

Perceba que Deus não nos chama para orar pela humildade, mas ordena que sejamos humildes. Quando deixamos tudo em suas mãos, isto se chama humilhação. Jesus se humilhou e tornou-se servo. Penso que seja algo simples: humildade parece ser a mesma coisa que serviço.

Eric Byant é nosso pastor de jovens. Apesar de ter um título da Universidade de Baylor, um mestrado no seminário e uma experiência em plantação de igrejas em Seattle, quando se mudou para Los Angeles, veio para a Mosaico em busca de aprendizado e com a intenção de servir.

Conseguiu um emprego em uma locadora de carros e tornou-se vigia voluntário aos domingos de manhã. Eu via este homem servindo. Ele estava sempre no estacionamento da igreja ajudando pessoas a encontrar uma vaga. Um dia perguntei por que ele estava lá tão cedo. “É uma ótima maneira de conhecer as pessoas!”, e disse também o quanto ele gostava de servir no grupo de seguranças. Pouco tempo depois Eric tornou-se nosso pastor de jovens. Eu disse a ele e sua esposa Debbie o quanto eu tinha dificuldade com o serviço.

Novamente, a integridade não significa perfeição, mas é algo totalmente tangível. Esta pessoa é confiável? Você pode confiar outras pessoas a esta pessoa? Sua liderança levará outro para mais perto de Cristo?

Talvez a última prova seja confiar seus filhos a alguém.

No ministério, os maiores inimigos da integridade são geralmente a ambição egoísta e o orgulho. Não é suficiente ter os dons de liderança: você precisa ter os valores morais para levar pessoas para a direção certa.

A dificuldade com a integridade é que, num primeiro momento, ela pode ser confundida. Pode ser confundida com talento, atratividade, conhecimento. Somos escolados com a pretensão e a decepção. Trabalhamos muito para fazer o exterior parecer bom enquanto deixamos nosso interior intocável. Muitas vezes não conhecemos a verdadeira natureza de uma pessoa até que ela seja colocada em uma posição de poder e influência. Não temos problemas de atitudes, temos problemas de orgulho. Humildade é a única cura. E também é a mais significativa qualidade para a liderança espiritual.

Jesus Cristo se humilhou e deu sua vida por nós. Apenas aqueles que seguem a Cristo humildemente devem ser confiáveis para a liderança. Integridade é vista como a vontade de servir humildemente.

Como Michael e Sarah, Robbie e Missy me lembravam do poder de Deus em nos tornarmos completos. Talentosos e cheios de dons, podiam ser exemplos de potencial humano. Especialmente Robbie, que estava repleto de lembranças de uma infância triste e uma adolescência rebelde que o deixaram quebrado. Juntar-se à equipe prematuramente, fez com que trabalhasse muitas de suas questões no calor da sua vocação ministerial.

Eu era o novo pastor sênior e ele era o pastor de jovens que havia crescido com aquela igreja. Nosso primeiro ano foi tenso. Ele era um jovem rapaz que uma vez havia jogado seu carro para fora da estrada em uma tentativa de acabar com sua vida. Todo o Natal ele lutava com a depressão. Desde sua juventude, o coração de Robbie estava cheio de violência e raiva. Filho de pais divorciados, ele buscava forças em seu coração para sobreviver e agora precisava acalentar seu coração para servir a outros efetivamente. Enxergava a todos que trabalhavam para “a instituição” como inimigos, incluindo a mim mesmo.

Muitas vezes me perguntei se seu passado o ameaçaria para sempre. Foi necessária muita oração e paciência para ganhar seu respeito e confiança, e ao longo do tempo a comunidade enxergou a mudança na construção de um futuro, substituindo o poder e a capacidade intelectual por humildade e gratidão.

Provavelmente brigamos todas as semanas por dois anos e foram incontáveis às vezes em que pensei em pedir que fosse embora, apenas por me irritar. Hoje é um de meus melhores amigos e existem poucas pessoas em quem confio tanto. Não conheço ninguém que trabalhe tanto para servir a outros. Não importa quantas vezes ele erre, sempre busca perdão e procura consertar as coisas. Ele e Missy são modelos que espero serem influência para meus filhos. Hoje, seis anos depois, Robbie é o pastor de uma de nossas “igrejas-filhas”.

Existem muitos como Robbie e Missy em Mosaico. Nossa liderança é feita de pessoas quebradas que se tornaram discípulos completos. Isto inclui a mim.

O Ciclo do Discipulado - Partindo de um coração quebrado e uma vida fragmentada, ou não, tornar-se um discípulo é uma jornada de:

1. Gratidão. Todos precisam começar com a característica fundamental do cristianismo: gratidão. Não é nossa tendência natural, mas a habilidade de receber a graça começa com a habilidade de sermos agradecidos por aquilo que não merecemos, mesmo em meio a circunstâncias dolorosas.

2. Humildade. Quando uma pessoa é grata por receber o que não merece, a humildade se manifesta e nos direciona para atos de serviço.

3. Completude, que pode ser definida como “dar aos outros mais do que recebemos”. A completude demonstrada ao longo do tempo torna-se:

4. Integridade. E quando uma pessoa demonstra integridade, está pronta para:

5. Liderança. Na realidade, o caminho natural é ser responsável por guiar outros. Agora estão prontos para que esta liderança seja reconhecida.


Erwin R. McManus é pastor da comunidade Mosaico nos EUA (www.mosaic.org)

Copyright © 2008 por Christianity Today International

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A Eritreia está se transformando em uma prisão gigante


ERITREIA (9º) - O governo da Eritreia está transformando seu país em uma prisão gigante, afirma o grupo Human Rights Watch. Para isso, o nordeste africano está fazendo uso do recrutamento militar, assim como detenção arbitrária de seus cidadãos, diz o grupo de direitos humanos.

Centenas de refugiados eritreus foram forçados a voltar de países como Líbia, Egito e Malta. Ao retornarem, enfrentam prisão e tortura.

A perseguição religiosa e o trabalho forçado também são muito comuns na Eritreia.

A reportagem encoraja os países a não mandarem de volta os eritreus que buscaram exílio e convoca a comunidade internacional a pressionar o governo em Asmara a respeito de seus registros de direitos humanos.

O Human Rights Watch diz que todo ano, milhares de eritreus fogem de seu país.

Dezesseis anos após ganhar independência da Etiópia, seguido de três décadas de guerra, a Eritreia se tornou um dos Estados mais fechados e repressivos no mundo, diz a reportagem.

O presidente Isayas Afewerki é acusado de usar uma disputa por território não resolvida com a Etiópia, para manter a Eritreia em permanente pé de guerra.

O grupo diz que não existe sociedade civil independente e todos os meios de comunicação privados foram fechados.

As pessoas com menos de 50 anos raramente recebem vistos para deixar o país e aqueles que tentam fazê-lo sem documentação, enfrentam aprisionamento e tortura, ou ainda, são atingidos por tiros nas fronteiras.

Os prisioneiros são geralmente mantidos em celas subterrâneas ou em containeres de carga com temperaturas extremamente altas. Enquanto isso, os cristãos são perseguidos e torturados regularmente.

Tradução: Vanessa Portella

Fonte: BBC News

domingo, 19 de abril de 2009

Projeto Impacto 2009

E Você, o que está esperando para se juntar...

...então, junte-se nesse 'Projeto Impacto' !!! Como cristãos e cidadãos não podemos ficar inertes mediante as injustiças que ocorrem por ai. Dia após dia o descaso para com os necessitados chega até a endurecer os corações dos mais sentimentais. Há tanta pobreza, miséria e morte por ai que ao vermos crianças em sinais, abusos e familias inteiras sem ter o que comer, chegamos a pensar que é mesmo assim o mundo! Mas não é. Não para nós que temos o Espirito Santo dentro de nós. Fomos postos nesse mundo não apenas para sobreviver, mas para causar diferença. O tamnho do IMPACTO que causaremos depende do tamanho de nossa fé e ousadia. E aí irmão, qual o tamanho de sua fé???

Itatita e Caridade são cidades carentes, localizadas no sertão central do Ceará. A seca e a ausencia de infra-estrutura contribuem anualmente para que os índices de mortalidade infantil, trabalhos forçados para crianças e exodo de familias interias, aumente consideravelmente.
Esse ano a CONEXÃO tem o alvo de arrecadar 2 TONELADAS de alimentos, além de roupas e brinquedos, para serem doados a essas familias. Além, é claro, do trabalho evangelístico iniciado no ano de 2008. (Veja fotos no http://blogdaconexao.spaces.live.com/ )

Nosso desafio a VOCÊ é que se junte a nós.
Chame sua igreja, reuna seu bairro, convoque seus amigos de trabalho... Arrecade roupas, brinquedos, alimentos e doações em espécie e VAMOS JUNTOS FAZER DIFERENÇA POIS PRA ISSO ESTAMOS NESSA TERRA.
Chega de pensar que a responsábilidade é das autoridades. Nós somos autoridades em Cristo Jesus e além de alimento físico podemos levar o alimento que não perece!
Venha também, seja voluntário: corte de cabelo, palavra amiga, abraços, dentistas, médicos, professores, palestrantes, enfim todo tipo de coração disposto a doar um final de semana à alguém necessitado é bem vindo, e CLARO, suas orações serão essencias para o exito dessa obra!
Maiores Informações: (85) 3226-3892; (85) 8715-2610; (85) 9149-9956 contato.conexao@hotmail.com

sábado, 18 de abril de 2009

Um país em oração

Campanha 40 Dias de Jejum e Oração, que começa em 19 de abril, já mobiliza centenas de igrejas.

Uma mobilização espiritual de grandes proporções está tomando corpo no Brasil. Cerca de 300 mil crentes já se comprometeram a orar e jejuar simultaneamente entre os dias 19 de abril e 31 de maio. A iniciativa, denominada 40 Dias de Jejum e Oração – Por um novo Brasil, é a maior do gênero já intentada no país se forem considerados o número de pessoas e organizações envolvidas, a simultaneidade da campanha e seu tempo de duração. O período não foi escolhido por acaso. Quarenta dias foi o tempo que Jesus Cristo passou em oração e jejum no deserto, no início de seu ministério terreno. Quarenta também foi o número de anos que Moisés e o povo de Israel passaram em peregrinação antes de entrar na Terra Prometida. Com tanto simbolismo bíblico, o idealizador do projeto, o pastor batista Edison Queiroz, está com as mais altas expectativas. “Vamos orar e jejuar até que as comportas do céu sejam abertas e Deus derrame sobre o Brasil tamanhas bênçãos que o país venha a ser reconhecido mundialmente como a nação do Senhor Jesus”, empolga-se.

Queiroz é um entusiasta da missão evangelizadora da Igreja (ver entrevista abaixo). Foi um dos organizadores do I Congresso Missionário Ibero-Americano, o Comibam, realizado em 1987, e presidente, por oito anos, da Cooperação Missionária dos Hispanos da América Latina (Comhina). Líder da Igreja Batista de Santo André (SP), ele iniciou o movimento lá, em 2006. Em sua primeira edição, os quarenta dias de consagração e intercessão se restringiram aos membros de sua congregação. Em 2008, mais de 650 igrejas de diversas denominações já estavam integradas ao projeto, numa grande rede de fé envolvendo 180 mil pessoas. Agora, é hora de alargar as tendas. “Em 2009, igrejas dos Estados Unidos, Alemanha, Portugal, Bolívia, Chile, Paraguai e Argentina também aderiram à campanha”, celebra Queiroz. “A melhor forma de mudar a nação é primeiramente mudando o interior do homem, com busca por consagração e santidade.”

O movimento de fé tem caráter não só de consagração, mas também evangelístico. Outra diretriz do projeto é que, no início da campanha, cada participante faça uma lista de, no mínimo, três, e no máximo, dez nomes pelos quais vai orar e jejuar durante o período. O objetivo das orações é que se abram oportunidades para que essas pessoas sejam evangelizadas, ganhas para Cristo e discipuladas. “Já pensou no caráter multiplicador se cada uma das pessoas convertidas através da campanha saírem por aí anunciando a Palavra de Deus?”, comenta o pastor. Ele reconhece que o projeto tem muito de sonho e utopia, mas não esmorece na fé: “O Evangelho tem um poder capaz de mudar o mundo”, destaca.

Esforço intercessório – Apesar das dimensões da campanha, os organizadores estão fazendo de tudo para que haja concordância nos pedidos. Um livro de autoria de Queiroz, contendo 40 devocionais – um para cada dia da mobilização –, numa tiragem de 100 mil exemplares, já está sendo distribuído. O livro inclui pedidos diários de oração por missões, pelo avivamento no país e por quarenta etnias indígenas brasileiras. “Cada dia os participantes clamarão por um tema específico. Essa oração conjunta é muito poderosa”, explica o pastor. No ano passado, foram vendidos 55 mil exemplares, e para 2009, o manual também tem edições em inglês, espanhol e alemão. A publicação também conta com temas semanais e sugestões aos pastores das igrejas participantes, que podem fazer suas pregações alusivas à campanha. Já o jejum poderá ser feito de acordo com as possibilidades pessoais. “Às pessoas impossibilitadas de ficar determinado período sem comer, estamos sugerindo que ao menos orem. A oração é a parte mais importante da campanha”, diz.

O pastor Queiroz enxerga no cenário nacional uma série de fatos que considera resultados da campanha do ano passado. “Oramos pela economia do país e riquezas minerais, como as gigantescas jazidas de petróleo do pré-sal foram descobertas. Clamamos também pela derrocada da corrupção no nosso país e uma sucessão de fatos inéditos começaram a ocorrer, como o desbaratamento de grandes esquemas criminosos que culminaram na prisão e condenação de empresários, magistrados e policiais corruptos”, diz. O lançamento do projeto 40 Dias de Jejum e Oração está previsto para acontecer dia 19 de abril em todas as igrejas participantes. O esforço intercessório termina em 31 de maio, data que, não por coincidência, é considerada o Dia Mundial de Oração. A mobilização conta com parceiros como Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), Ministério de Louvor Diante do Trono, Missão Portas Abertas, Servindo Pastores e Líderes (Sepal), AMME Evangelizar e Ministério Propósitos. Quem quiser saber mais sobre a campanha ou inscrever sua igreja pode acessar o site www.jejum40dias.com.br.

“A igreja local é a protagonista das missões”

Desde que foi ordenado pastor, em 1976, Edison Queiroz está envolvido em desafios evangelísticos. Um dos organizadores do I Congresso Missionário Ibero-Americano, o Comibam (1987), o religioso presidiu, durante oito anos, a Cooperação Missionária dos Hispanos da América Latina (Comhina). Autor de vários livros, sua obra mais conhecida é Igreja local e missões, na qual defende a importância fundamental da igreja local na obra missionária. Agora, seu objetivo é que a campanha de quarenta dias de intercessão, surgida em sua igreja em 2006, se espalhe pelo país e no exterior. Edison Queiroz concedeu a seguinte entrevista a CRISTIANISMO HOJE:

CRISTIANISMO HOJE – Quais foram os resultados da campanha de oração em Santo André?

EDISON QUEIROZ – Formamos um conselho de pastores que articula estratégias para ganhar o município para Cristo. Uma delas vai mobilizar cerca de 250 igrejas e um verdadeiro exército de Deus numa grande corrente de oração pelas ruas da cidade. Dividimos o mapa de Santo André e cada igreja se responsabilizará por um bairro. Nossa meta é orar em todas as localidades da cidade. Também investiremos numa forte campanha de comunicação.

Obra missionária e evangelismo são a mesma coisa?
Muitos missiólogos fazem distinção entre missionário e evangelista. Eles defendem que o missionário é quem cruza barreiras geográficas e culturais para anunciar o Evangelho. Mas em Atos 1.8, vemos que a Palavra de Deus deve ser levado não só aos confins da Terra, mas também a Jerusalém, Judéia e Samaria – ou, em outras palavras, à nossa cidade, estado e país. Resumindo, os missionários também são os membros da igreja.

Qual é o papel da igreja local em missões?
Um papel fundamental, de protagonista. É óbvio que as instituições missionárias também são importantes e devem dividir a responsabilidade pela obra, mas tanto a “matéria-prima” das missões – ou seja, as pessoas – como os recursos e as orações para este tipo de trabalho saem das igrejas. Então, elas estão na base de qualquer projeto missionário.

E as igrejas estão desempenhando este papel?
Infelizmente, não. Nossas igrejas não estão vivendo o Evangelho por falta de visão e acomodação dos pastores. Se existem igrejas, não é normal, por exemplo, haver bêbados e mendigos pelas ruas. Não dá para aceitar isso! Há muita gente se dizendo cristã e evangélica e não vivendo como Jesus. A Igreja brasileira é igual ao Mar do Caribe: grande, mas rasa, tanto intelectual como espiritualmente.
Copyright no Brasil © por http://www.cristianismohoje.com.br/

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Apaziguar o Irã?

Depois de Hitler, a política de apaziguar ditadores — ridicularizada como alimentar um crocodilo por Winston Churchill, na esperança de ser a última vez — parecia estar permanentemente desacreditada. Entretanto esta política tem desfrutado algum sucesso e continua hoje sendo uma viva tentação no trato com a República Islâmica do Irã.

Há muito tempo que acadêmicos têm desafiado a simples vilificação do apaziguamento. Já em 1961, A.J.P. Taylor, da Oxford, justificou os esforços de Neville Chamberlain, ao passo que Christopher Layne, do Texas A&M, presentemente sustenta que Chamberlain "fez o melhor que pôde com as cartas que tinha". Daniel Treisman, cientista político da UCLA, acha a suposição geralmente aceita contra o apaziguamento de ser "forte demais" enquanto seu colega da Universidade da Flórida, Ralph B. A. Dimuccio a chama de "simplista".
Neville Chamberlain declarou erroneamente "paz para o nosso tempo" no dia 30 de setembro de 1938.

Talvez a forma mais convincente de tratar a tese pró-apaziguamento, do historiador britânico Paul M. Kennedy, que leciona na Universidade de Yale, é a sua proposição de que o apaziguamento tem uma longa e crível história. No seu artigo de 1976, "A Tradição de Apaziguamento na política externa britânica, 1865-1939", Kennedy definiu apaziguamento como um método de resolver disputas, "admitir e saciar queixas através de negociações racionais e fazer concessões, evitando assim os horrores de guerra". Consiste numa abordagem otimista, observa ele, presumindo que os seres humanos sejam razoáveis e pacíficos.

Desde o ministério do primeiro-ministro William Gladstone até ser desacreditado no final dos anos trinta, apaziguamento era, na descrição de Kennedy, "um termo perfeitamente respeitável" e até mesmo "uma forma particularmente britânica de diplomacia", serviu bem ao caráter e circunstâncias do país. Kennedy acha que a política tem quatro bases quase-permanentes, das quais, todas se aplicam especialmente bem aos Estados Unidos de hoje:
Moral: Depois que o movimento evangélico varreu a Inglaterra no início do século XIX, a política externa britânica tinha uma forte necessidade de resolver disputas de forma razoável e não-violenta.

Econômica: Como líder do comércio mundial, o Reino Unido tinha o interesse nacional vital de evitar interrupções comerciais das quais iria sofrer de forma desproporcionada.
Estratégica: O império global britânico denotava que era super extenso (tornando-o, nos termos de Joseph Chamberlain, um "titã cansado"); conseqüentemente, tinha que escolher cuidadosamente suas batalhas, fazendo da concessão um modo rotineiro e aceitável de lidar com os problemas.

Doméstica: A extensão da área do monopólio fez da opinião pública um fator cada vez maior na sua tomada de decisões e o público não gostava de guerras, especialmente as dispendiosas.
Como resultado, durante mais de sete décadas, Londres prosseguiu, com raras exceções, com uma política externa que era "pragmática, conciliatória, e razoável". Mais uma vez e mais outra vez, as autoridades achavam que "o acordo pacífico de disputas era muito mais vantajoso para a Inglaterra do que o recurso da guerra". Em particular, o apaziguamento influenciou de maneira contínua a política britânica em relação aos Estados Unidos (por exemplo, em relação ao Canal do Panamá, as fronteiras do Alasca, a América Latina como esfera de influência dos Estados Unidos) e o império alemão (a proposta do "feriado naval", as concessões coloniais e as restrições nas relações com a França).

Kennedy julgava esta política de forma positiva, como útil no manejo das relações exteriores do estado mais poderoso do mundo durante décadas e "encapsula muitos dos melhores aspectos da tradição política britânica". Se não foi um sucesso brilhante, o apaziguamento permitiu a Londres acomodar a influência da expansão de seus rivais não-ideológicos como os Estados Unidos e a Alemanha Imperial, que em geral poderiam ser levados em conta quanto à aceitação de concessões sem ficarem inflamados. Desta forma, reduziu a velocidade do suave declínio do Reino Unido.

Porém, após 1917 e a Revolução Bolchevique, as concessões falharam em aplacar um novo tipo de inimigo, motivado ideologicamente – Hitler nos anos trinta, Brezhnev nos anos setenta, Arafat e Kim Jong-Il nos anos noventa e agora, Khamenei e Ahmadinejad. Estes ideólogos exploram as concessões e desonestamente oferecem um quid pro quo que não pretendem cumprir. Abrigando aspirações para uma hegemonia global, eles não podem ser apaziguados. Fazer concessões a eles equivale a alimentar o crocodilo.

O apaziguamento atrai nos dias de hoje a psique ocidental moderna a despeito de sua anormalidade, que surge inevitavelmente quando os estados democráticos enfrentam inimigos ideológicos agressivos. Com referência ao Irã, por exemplo, George W. Bush pode ter bravamente condenado "o falso conforto do apaziguamento, desacreditado repetidamente através da história", mas o editor Michael Rubin do Middle East Quarterly discerne corretamente as realidades da política dos Estados Unidos, "agora Bush está apaziguando o Irã".
Resumindo, a política de apaziguamento vem se estendendo por um século e meio, desfrutou algum sucesso e sempre permanece viva. Mas com inimigos ideológicos deve ser conscientemente rechaçada, para que as lições trágicas dos anos trinta, anos setenta e anos noventa não sejam ignoradas. E repetidas.
* Daniel Pipes é diretor do Fórum do Oriente Médio e colunista premiado dos jornais New York Sun e The Jerusalem Post. Este artigo foi publicado no The Jerusalem Post em 25 de setembro de 2008 e o original em inglês Appease Iran? Está também publicado no site http://pt.danielpipes.org/article/5933 Tradução de Joseph Skilnik.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Homem sobrevive após ser ressuscitado cinco vezes nos EUA


Médicos americanos conseguiram salvar a vida de um homem após ressuscitá-lo cinco vezes em um hospital de Houston, no Estado americano do Texas.

Os cardiologistas consideraram o episódio um “milagre”.

“Quanto mais se tenta trazer o paciente de volta, menos chances você tem de conseguir”, afirmou Lynne Jones, diretora do departamento de cardiologia, em entrevista à TV local KPRC.

“Era para ele estar aqui. Há uma razão para que ele tenha sobrevivido”, disse a médica.

Em entrevista à KPRC, Tim Maxwell contou que na semana passada foi trabalhar se sentindo mal. Seu chefe, então, teria insistido que ele fosse para o hospital depois que Tim relatou estar sentindo dores no peito e nos braços.

Pouco mais de um minuto após ser admitido na emergência do Memorial Hermann Southwest Hospital, Maxwell desmaiou e seu coração parou de bater.

Durante os 30 minutos que se seguiram ele foi ressuscitado cinco vezes. Ele conta ter tido momentos de consciência a cada vez que voltava à vida.

“Eu via pessoas em cima de mim com instrumentos”, disse.

Maxwell já teve alta e diz que “não desperdiçará sua nova chance de viver”.

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Polícia continua repressão a cristãos, incluindo crianças


AZERBAIJÃO (27º) - A polícia da cidade de Agdash, próxima a Göycay, recusa-se a explicar porque oito oficiais, incluindo seus comandantes, invadiram uma reunião religiosa pacífica que ocorria em uma residência particular no dia 25 de março. O chefe do departamento de comunicação com o público da polícia secreta na capital Baku, Arif Babaev, negou que o Ministério de Segurança Nacional tenha algum envolvimento: “Nunca nos envolvemos em tais atividades”, disse ele. “Nós não conduzimos esse tipo de operação – Essa é uma informação falsa.” Ao ser informado de que a imprensa cita autoridades policiais locais que declaram a participação de oficiais do Ministério em uma “operação conjunta”, ele voltou a negar.

Babev também negou que seu Ministério esteja envolvido no impedimento de reabertura da mesquita Abu Bekr em Baku. “Não faz parte da nossa competência abrir ou fechar mesquitas”, declarou ele.

Outros permanecem descrentes sobre as negativas de envolvimento do ministério nesses dois casos e em outras restrições de liberdade religiosa. “Seu trabalho é secreto – eles nunca dizem quando estão envolvidos em atividades contra organizações religiosas”, afirmou um comentarista de Baku que pediu anonimato.

Os batistas disseram que os oficiais os insultaram por causa de sua fé. Durante a invasão, um dos policiais disseram: “Estávamos atrás de vocês, e agora os pegamos! O grupo de cristãos informa ainda que os pais haviam sido convidados a enviar seus filhos para a casa de Vera Zhuchaeva para ouvir histórias bíblicas no período do feriado de primavera Novruz. Eles afirmam que 12 crianças estavam presentes mediante permissão específica de seus pais.

“A polícia entrou e reuniu todas as crianças em uma sala”, informou Lilia Hudaverdieva, membro da congregação batista em Baku e visitante em Agdash. “Um oficial da polícia, um representante do Comitê estadual e um professor fizeram perguntas às crianças sem que os pais estivessem presentes, ainda que as crianças chorassem a ponto de serem ouvidas na vizinhança. Eles não permitiram a entrada dos pais para retirar as crianças”. Somente após terem anotado seus nomes, os pais puderam buscar os seus filhos.

A polícia confiscou 508 livros, 40 filmes, bem como o aparelho de vídeo. Os cristãos reiteram que não há nada de ilegal nos livros e nos filmes – eles destacam que muitos filmes são de Hollywood com temas bíblicos.

Lilia Hudaverdieva e outras duas visitantes da congregação de Baki, Sara Babaeva e Ofelia Yakulova, foram levadas à delegacia de polícia. Elas foram interrogadas por quatro horas e tiveram seus documentos de identidade apreendidos. Lilia disse que a polícia fazia perguntas “provocativas”, mas que ela e suas amigas “disseram a absoluta verdade”. Ela informou que só foram liberadas pela polícia depois da meia-noite.

As três tiveram que retornar à delegacia no dia seguinte para retirar seus documentos. A polícia as levou ao escritório do promotor, onde foram novamente insultadas por sua fé e multadas. O promotor distrital de Agdash, Munis Abuzarli, disse que as três foram penalizadas por violarem o artigo 199 do código de ofensas administrativas por “disseminarem ilegalmente o cristianismo e outras crenças”. Ele disse que cada uma foi multada em 10 Manats (equivalente a 9 Euros ou 12 Dólares americanos).

Ao ser questionado sobre como as três batistas violaram a lei, Munis argumentou que elas ensinavam religião às crianças. “Não se pode atrair crianças para atividades religiosas”, destacou ele. Questionado por que as mulheres cometeram tal violação, já que as crianças tinham permissão de seus pais, ele respondeu: “A lei trata disso como uma violação. Se elas cometeram essa ofensa, elas devem ser multadas de acordo com a lei”.

Lilia Hudaverdieva reclamou que como os bancos estavam fechados por ocasião do feriado de Novruz, a polícia solicitou às três mulheres o pagamento da multa em dinheiro. “Não recebemos nenhum documento ao sermos multadas e nenhum recibo de pagamento”, informou.

Ela também questionou sobre como a polícia de Agdash apresentou as informações para a imprensa local sobre as atividades dos batistas. A invasão foi mostrada inúmeras vezes na televisão, incluindo no jornal da noite do canal privado ATV no dia 27 de março. Uma matéria também foi publicada no site da Agência de Imprensa Azeri (APA) no dia 26 de março, que serviu como base para outros sites de notícias, afirmando a ação em conjunto entre a polícia de Agdash e o Ministério de Segurança Nacional.

Na matéria da APA constavam as idades e endereços completos de Vera Zhuchaeva e das três mulheres de Baku. “Isso foi uma infelicidade”, afirmou Lilia.

O secretário-geral da União Batista do Azerbaijão, Elnur Jabiev, foi além. “Isso é um perigo”, disse ele diretamente de Baku no dia 31 de março. “Nacionalistas saberão os seus endereços. A polícia não deveria ter dado essa informação aos jornalistas”. Devido à recusa da polícia de Agdash em tratar da invasão, permanece não esclarecido se isso foi feito deliberadamente para intimidar outros batistas. As autoridades têm utilizado jornalistas com frequência para intimidar membros de religiões minoritárias, incluindo crianças.

Lilia se deparou com outros problemas quando retornou ao trabalho após o feriado de Novruz.
Ela disse que o Ministério de Segurança Nacional contou à matriz da empresa estatal onde ela trabalha sobre suas atividades em Agdash e sobre a penalidade administrativa. Ela disse que a matriz contatou seu superior, informando-o que a empresa não deveria ter empregados com esse tipo de comportamento. “Eu fui ameaçada de perder meu emprego”, disse ela. “Mas meu chefe é bom e eu pude esclarecer que tudo isso era uma difamação e contei o que de fato ocorreu. Eu disse a ele que não sou criminosa”.

Ilya Zenchenko, chefe da União Batista, disse que os lideres da Igreja Batista de Baku continuarão a visitar membros de igrejas em sua congregação em Agdash.

Tradução: Cecília Padilha
Fonte: Forum18 News Service (em inglês)
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