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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Igreja é incendiada por radicais hindus

ÍNDIA (22º) - Uma igreja foi incendiada por radicais hindus na terça-feira, 8 de dezembro, no distrito de Karimnagar, estado de Andhra Pradesh, Índia.

De acordo com o Conselho Global de Cristãos Indianos (GCIC), as investigações revelaram que, por volta das 2h, integrantes de grupos radicais como o Rashtriya Swayam Sevaks e o Bharatiya Janatha Party (BJP), espalharam gasolina na igreja Jesus Lights Manna, e a incendiaram.

A fonte afirmou que a entrada principal da igreja, o altar, as cortinas, o sistema de som da igreja, livros e Bíblias viraram cinzas.

Sabe-se que, por volta das 4h, pessoas que viram a igreja queimando informaram o pastor Mengu Elia que, por sua vez, foi até a delegacia mais próxima e relatou o crime para a polícia, denunciando os radicais hindus.

A fonte diz que os policiais prenderam um dos líderes do BJP e outro criminosos, que estavam diretamente ligados ao incêndio.


Tradução: Missão Portas Abertas
Fonte: ANS

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Curando Almas: a Arte Esquecida


No desafio de liderar uma igreja, algo de essencial foi ignorado.
Eugene Peterson


Pode haver uma reforma em andamento na maneira como os pastores realizam o seu trabalho. Ela pode revelar-se tão significativa quanto a reforma teológica do século XVI. Espero que sim. Os sinais não param de se acumular.
Os reformadores recuperaram a doutrina bíblica da justificação pela fé. A proclamação – fresca, pessoal e direta – do evangelho, através dos séculos, tornou-se uma imenso e pesada engrenagem: mecanismos teológicos elaboradamente planejados, roldanas, niveladores produzindo ruído com seu atrito para, no final, resultar em algo completamente trivial. Os reformadores recuperaram a paixão pessoal e a clareza tão evidentes nas Escrituras. Esta redescoberta do envolvimento íntimo resultou em frescor e vigor.
A reforma vocacional do nosso próprio tempo (caso se trate disso) é uma redescoberta do trabalho pastoral de curar almas. A frase soa antiga, o que ela é de fato. Mas não obsoleta. Ela designa, melhor do que qualquer outra expressão de que eu tenha conhecimento, por um lado o combate incessante contra o pecado e a tristeza, e, por outro, o cultivo dedicado da graça e da fé ao qual os melhores pastores têm se consagrado a cada geração. A sonoridade esquisita da frase pode até apresentar uma vantagem: chamar a atenção para o fato de quão distantes as rotinas pastorais da atualidade se tornaram.
Eu não sou o único pastor que descobriu esta antiga identidade. Mais e mais pastores estão abraçando esta forma de trabalho pastoral e considerando-a um caminho legítimo. Não somos muitos e não somos maioria. E tampouco somos uma minoria destacada. Mas, um a um, os pastores estão rejeitando o pedido de trabalho que lhes foi entregue e preferindo este novo – ou, como parece ser o caso, o antigo tem sido usado durante quase todos os séculos Cristãos.
Não é só fantasia pensar numa época em que os números alcançarão uma massa crítica e produzirão uma reforma vocacional dentre os pastores. Mesmo em caso negativo, me parece a coisa mais significativa e criativa acontecendo no ministério pastoral dos dias de hoje.
O trabalho da semana
O que os pastores fazem no domingo é diferente do que eles fazem entre os domingos. Aquilo que fazemos nos domingos não mudou muito ao longo dos séculos: proclamar o evangelho, ensinar as Escrituras, celebrar os sacramentos, oferecer preces. O trabalho entre um domingo e outro, por sua vez, mudou radicalmente, e não no sentido de um progresso, mas de uma deserção.
Até mais ou menos um século atrás, o que os pastores faziam entre os domingos consistia em uma parte daquilo que eles faziam aos domingos. O contexto mudou: ao invés de uma congregação reunida, o pastor se reunia com uma pessoa ou com um pequeno grupo, ou fazia seus estudos e orações até mesmo sozinho. A maneira mudou: no lugar da proclamação, era a conversa. Mas o trabalho era o mesmo: descobrir o significado das Escrituras, desenvolver uma vida de oração com o objetivo de orientar o crescimento em direção à maturidade.
Este é o trabalho pastoral que foi historicamente definido como a cura das almas. O sentido básico de “cura” em latim é “cuidado”. A alma é a essência da personalidade humana. Neste sentido, a cura das almas consiste, pois, no cuidado orientado pelas Escrituras e modelado pela oração, e voltado a indivíduos ou grupos, seja em contextos sagrados ou profanos. Trata-se, pois, da determinação de se trabalhar o centro, de se concentrar sobre o essencial.
O trabalho entre domingos dos pastores norte-americanos neste século, entretanto, é administrar uma igreja. Ouvi esta frase pela primeira vez durante minha ordenação. Após 25 anos, ainda consigo lembrar da impressão desagradável que ela deixou em mim.
Eu viajava em companhia de um pastor pelo qual tinha muito respeito. Eu estava cheio de entusiasmo e expectativas, antecipando minha vida pastoral. Minha convicção interior da chamada ao pastoreio estava prestes a ser confirmada por outras pessoas. O que Deus desejava que eu fizesse, o que eu queria fazer e o que os outros queriam que eu fizesse estavam em ponto de convergência. A partir de uma leitura razoavelmente extensa de pastores e padres do passado, eu me impressionava com o fato de que a vida pastoral tinha como preocupação primeira o desenvolvimento de uma vida de oração entre as pessoas. Liderar a devoção, pregar o evangelho e ensinar as Escrituras aos domingos desenvolveria, nos seis dias seguintes, a representação da vida de Cristo durante o trânsito humano do dia-a-dia.
Enquanto minha mente estava repleta destes pensamentos, meu amigo pastor e eu paramos em um posto de gasolina. Ele, uma pessoa gregária, discutiu com o frentista. Algo relacionado ao troco provocou a discussão.
“O que você faz?”
“Eu lidero uma igreja”.
Nenhuma resposta teria me surpreendido mais. Eu sabia, claro, que a vida pastoral incluía responsabilidades institucionais, mas nunca me ocorrera que eu viria a ser definido por tais responsabilidades. Mas no momento em que fui ordenado, descobri que eu era definido tanto pelos pastores e executivos ao redor quanto pelos paroquianos em volta de mim. A primeira tarefa submetida a mim omitia completamente a oração.
Enquanto minha identidade pastoral estava sendo moldada por Gregório e Bernardo, Lutero e Calvino, Richard Baxter de Kidderminster e Nicolau Ferrara de Little Gidding, George Herbert e Jonathan Edwards, John Henry Newman e Alexander Whyte, Phillips Brooks e George MacDonald, o trabalho pastoral havia sido quase completamente secularizado (exceto os domingos). Eu não gostava disso e decidira, após um período de confusão, em que me encontrava desorientado, que ser um médico de almas era mais importante do que administrar uma igreja, e que eu seria orientado em minha vocação pastoral pelos sábios predecessores e não pelos meus contemporâneos. Felizmente, encontrei aliados ao longo do caminho e a prontidão dos meus paroquianos para me ajudar a aperfeiçoar minhas tarefas pastorais.
Cumpre esclarecer que a cura das almas não é uma forma especializada de ministério (análoga, por exemplo, ao capelão de hospital ou ao conselheiro pastoral), mas a atividade pastoral por excelência. Não se trata de um estreitamento da atividade pastoral em direção aos seus aspectos devocionais, mas um modo de vida que recorre às tarefas, encontros e situações do dia-a-dia como matéria-prima do ensinamento da oração, do desenvolvimento da fé e da preparação para a morte. Curar almas é um termo que filtra aquilo que é introduzido pela cultura secular. Também é um termo que nos identifica aos nossos ancestrais e aos nossos colegas de ministério, leigos e clérigos, que estão convencidos de que uma vida de oração é o tecido de ligação entre a proclamação do dia santo e o discipulado do dia-a-dia.
Um aviso: eu costumo distinguir a cura de almas da tarefa de administrar uma igreja, mas não quero ser mal compreendido. Não me orgulho de liderar uma igreja, assim como não desprezo a importância da tarefa. Eu mesmo administro uma há mais de 20 anos. Tento fazer o meu melhor.
Eu encaro a tarefa da mesma maneira com que cuido da casa junto à minha esposa. Existem muitas coisas que fazemos cotidianamente, muitas vezes (mas nem sempre) com prazer. Mas nós não administramos uma casa; o que fazemos é construir um lar, desenvolver um matrimônio, educar as crianças, praticar a hospitalidade, exercitar uma vida de trabalho e lazer. É à redução da vida pastoral a tarefas institucionais que eu me oponho, não às tarefas em si, que eu orgulhosamente compartilho com outras pessoas na igreja.
Não será o caso, obviamente, de desafiar teimosamente as expectativas das pessoas e levar adiante de maneira excêntrica o labor pastoral, como um cura do século XVII, ainda que aquele cura pudesse ser de longe mais sensato do que o clérigo atual. O resgate deste trabalho pastoral essencial entre domingos deve ser empreendido em tensão com as expectativas secularizadas da nossa época: deve haver negociação, discussão, experimentação, confronto, adaptação. Os pastores que se dedicam à direção de almas devem realizar a tarefa no meio das pessoas que esperam que eles cuidem de uma igreja. Numa tensão determinada e afável com aqueles que nos prescrevem irrefletidamente orientações de tarefas, podemos, estou convencido disso, recuperar nosso trabalho próprio.
Não obstante, os pastores que reivindicam o vasto território da alma como sua responsabilidade preeminente, não o conseguirão indo fazer um treinamento profissional. Temos de aprender na prática, em nossa própria profissão, pois não somos apenas nós mesmos, mas também o nosso povo que estamos de-secularizando. A tarefa da recuperação vocacional é uma reforma tão teológica quanto interminável. Os detalhes variam conforme o pastor e o pároco, mas existem três áreas de contraste entre cuidar de uma igreja e a cura de almas com a qual estamos familiarizados: iniciativa, linguagem e problemas.
Iniciativa
Liderando uma igreja, eu tomo a iniciativa. Eu me adianto à função. Tomo responsabilidade pela motivação e pelo recrutamento, por mostrar o caminho, por fazer as coisas acontecerem. Caso contrário, as coisas soçobram. Tenho consciência da tendência à apatia, da suscetibilidade humana à indolência, e eu uso minha posição de liderança para evitar isso.
Em contraste, a cura de almas é uma consciência cultivada de que Deus já tomou a iniciativa. A doutrina tradicional que define esta verdade é a previdência: Deus sempre toma a iniciativa. Ele faz as coisas acontecerem. Foi e sempre dele a primeira palavra. A previdência é a convicção de que Deus trabalha diligente, estratégica e redentoramente, mesmo antes de eu aparecer em cena, mesmo antes de eu tomar consciência de que havia algo para eu fazer aqui.
A cura de almas não é indiferente às realidades da letargia humana, ingênua em relação à recalcitrância congregacional, ou desatenta à teimosia neurótica. Mas existe uma convicção determinada e disciplinada de que tudo (eu quero dizer tudo mesmo) é uma resposta à primeira palavra de Deus, ao seu ato inicial. Nós aprendemos a ficar atentos à ação divina já em andamento, de modo que o Verbo outrora inaudito de Deus seja ouvido, e o seu ato ignorado, percebido.
Perguntas relacionadas ao cuidar de uma igreja: O que faremos? Como podemos fazer as coisas funcionarem?
Perguntas relacionadas ao curar as almas: O que Deus tem feito aqui? Quais traços de graça posso discernir nesta vida? Que história de amor eu posso ler neste grupo? O que Deus colocou em movimento de modo que eu possa dar continuidade?
Nós nos equivocamos e distorcemos a realidade quando tomamos a nós mesmos como ponto de partida e nossa situação atual como o critério fundamental. Ao invés de confrontar a condição humana decaída e tomar a iniciativa de recuperá-la sem perda de tempo, nós nos voltamos à previdência divina e descobrimos como podemos fazer as coisas acontecerem no momento certo, do jeito certo.
A cura de almas exige tempo para que se leia os minutes da última reunião, na qual eu provavelmente não estava presente. Quando me detenho em uma conversa, quando me reúno com um comitê ou quando visito um lar, estou conduzindo algo que já está em processo há muito, muito tempo. Deus sempre foi e sempre será a realidade central deste processo. A convicção bíblica é de que Deus “há muito se antecipou à minha alma” (God is “long beforehand with my soul.”) Deus já tomou a iniciativa. Como alguém que chega atrasado para uma reunião, eu adentro uma situação complexa em que Deus já proferiu palavras decisivas e já tomou decisões sumamente importantes. Meu trabalho não é necessariamente anunciar isto, mas descobrir o que ele está fazendo e viver apropriadamente de acordo com isso.
Linguagem
Na igreja, eu uso uma linguagem que é descritiva e motivacional. Eu quero que as pessoas fiquem informadas para não haver mal-entendidos. E quero que as pessoas estejam motivadas para fazer as coisas acontecerem. Mas no tocante à cura das almas eu estou muito mais interessado em saber quem elas são e quem elas estão se tornando em Cristo, do que estou interessado no que elas sabem e no que estão fazendo. Neste quesito eu logo percebo que nem a linguagem descritiva nem a linguagem motivacional ajudam muito.
A linguagem descritiva é uma linguagem “sobre”, ela nomeia o que existe; orienta-nos na realidade. Ela torna possível encontrarmos nosso caminho em meio a labirintos. Nossas escolas se especializam em nos ensinar esta linguagem. A linguagem motivacional é uma linguagem “para” – ela recorre à palavra para fazer as coisas acontecerem. Comandos são transmitidos, promessas feitas, solicitações encaminhadas. Tais palavras fazem com que as pessoas façam coisas que não fariam por iniciativa própria. A indústria da propaganda é o exemplo mais hábil desta arte lingüística.
Por mais indispensáveis que sejam estas formas de linguagem, existe outra, tão essencial à humanidade quanto é fundamental para a vida da fé. Trata-se da linguagem pessoal. Através dela, recorremos às palavras para nos expressar, para conversar, para nos relacionarmos. Esta é uma linguagem “para” e “com”. O amor é oferecido e recebido, idéias são desenvolvidas, sentimentos são articulados, silêncios são honrados. É a linguagem que utilizam, espontaneamente, as crianças, os amantes, os poetas e os fiéis que rezam. Ela está expressivamente ausente quando tomamos conta de uma igreja – há tanto a se dizer e a se fazer que não sobra tempo nem ocasião para que se faça presente.
Curar almas é uma decisão de se trabalhar o coração das coisas, onde somos nós mesmos da maneira mais plena e onde nossos relacionamentos através da fé e da intimidade são desenvolvidos. A linguagem primária deve ser, portanto, “para” e “com”, a linguagem pessoal do amor e da oração. A vocação pastoral não se dá primeiramente numa escola onde os assuntos são ensinados, nem em quartéis onde forças de ataque são empregadas contra o mal (“nor in a barracks where assault forces are briefed for attacks on evil”), mas dentro da família – o lugar onde o amor é ensinado, onde se dá o nascimento, onde a intimidade é aprofundada. A tarefa pastoral consiste em adotar a linguagem apropriada para este aspecto fundamental da humanidade – não uma linguagem que descreve, nem que motiva, mas uma linguagem espontânea: queixas e exclamações, confissões e apreciações, palavras que o coração pronuncia.
Nós temos, obviamente, muito o que ensinar e muito o que fazer, mas nossa tarefa principal é ser. A linguagem fundamental da cura de almas, portanto, é a conversa e a oração. Ser pastor implica aprender a utilizar uma linguagem em que a singularidade pessoal e a santidade individual é reconhecida e respeitada. Trata-se de uma linguagem calma, sem pressa e sem pressão, tranqüila – a linguagem vagarosa dos amigos e dos amantes, que é também a linguagem da oração.
Problemas
Enquanto cuido de uma igreja, tenho que resolver problemas. Sempre que duas ou mais pessoas se juntam, os problemas aparecem. Os egos são feridos, os procedimentos se complicam, os acordos tornam-se confusos, os planos são distorcidos, os temperamentos se acirram. Existem problemas de política interna, conjugais, profissionais, familiares, emocionais. Alguém tem de interpretar, explicar, desenvolver novos planos e melhores procedimentos, organizar e administrar. A maioria dos pastores gosta de fazer isso, e eu me incluo entre eles. É gratificante ajudar a tornar macios os lugares pedregosos.
A dificuldade consiste em que os problemas surgem num fluxo tão constante que a solução acaba se tornando um trabalho de tempo integral. Por ser útil e pelo pastor geralmente conseguir fazer isso bem, não conseguimos enxergar que a vocação pastoral foi subvertida. Gabriel Marcel escreveu que a vida não é tanto um problema a ser resolvido quanto um mistério a ser explorado. Esta é certamente a mensagem bíblica: a vida não é algo que podemos martelar e moldar, deixando exatamente do jeito que queremos; ela é uma dádiva inexplicável. Estamos imersos em mistérios: o amor inacreditável, o mal enganador, a Criação, a Cruz, a Graça de Deus, Deus.
A mente secularizada se aterroriza mediante os mistérios. Então, ela faz listas, rotula as pessoas, distribui funções, resolve problemas. Mas uma vida “resolvida” é uma vida reduzida. Tais indivíduos engravatados jamais correm grandes riscos ou apresentam um discurso convincente sobre o amor. Eles negam ou ignoram os mistérios e reduzem a existência humana a algo passível de ser administrado, controlado, consertado. Vivemos um culto aos especialistas que explicam e resolvem. O vasto aparato tecnológico que nos rodeia dá a impressão de que para tudo existe uma ferramenta, que só precisamos ter condições financeiras de adquirir. Os pastores que desempenham o papel de tecnólogos espirituais têm dificuldades em evitar que este papel absorva outras coisas, já que há muitas coisas que precisam e podem, de fato, ser consertadas.
Mas “existem coisas”, escreveu Marianne Moore, “cuja importância vai além dessas ninharias”. O antigo guia de almas garante a prioridade do “além” em relação às “ninharias” do aquém. Quem está disponível para este trabalho senão os pastores? Alguns poetas, talvez; e as crianças, sempre. Mas as crianças não são bons guias, e a maioria dos nossos poetas perderam o interesse em Deus. Isto faz dos pastores os guias em direção aos mistérios. Vivemos, século após século, vivemos com a nossa consciência, nossas paixões, nossos vizinhos, e nosso Deus. Qualquer visão estreitada dos nossos relacionamentos não corresponderá à complexidade da nossa realidade humana.
Se os pastores se tornam se comprometem a tratar cada criança como um problema a ser decifrado, cada esposa como um problema que exige reconciliação e todo conflito de vontades no coro ou no comitê como um problema a ser julgado, assim nós abdicamos da parte mais importante do nosso trabalho, a saber, orientar a devoção em meio ao tráfego cotidiano, descobrir a presença da Cruz nos paradoxos e no caos de entre os domingos, chamar a atenção para o “esplendor contido no ordinário” e, acima de tudo, ensinar uma vida de oração aos nossos amigos e companheiros de peregrinação.
Eugene Peterson é pastor na Christ Our King United Presbyterian Church (Igreja Presbiteriana Unida Cristo Nosso Rei), localizada na cidade de Bel Air, em Maryland, EUA.



Passado esquecido

Apesar dos mais de 150 anos de uma história intensa da Igreja Evangélica no Brasil, memória protestante ainda é negligenciada






A rigor, a história do protestantismo no Brasil é quase tão antiga quanto a da chegada das primeiras naus portuguesas, ao raiar do século 16 – uma diferença de pouco mais de cinquenta anos entre o desembarque de Pedro Álvares Cabral e a dos protestantes franceses liderados por Nicolas Villegaignon, que fundaram a França Antártica, no litoral carioca, antes de serem expulsos. Conte-se também o período de permanência dos holandeses no Nordeste, na segunda metade dos anos 1600, quando Maurício de Nassau implantou um protetorado protestante em plena colônia portuguesa católica. Também houve a chegada dos colonos alemães luteranos, a partir de 1824. Mas, em geral, se considera a chegada do primeiro missionário evangélico – o médico escocês Robert Kalley –, em 1855, como o marco inicial da Igreja Evangélica nacional.
A partir dessa época, denominações históricas, como a congregacional, fundada por Kalley, a presbiteriana, a metodista e a batista, chegaram ao país com o objetivo de converter os brasileiros à fé cristã reformada. No entanto, parte considerável dessa trajetória, com seus avanços e percalços, ficou perdida no tempo. Isso porque a preservação da história das igrejas evangélicas no Brasil sempre foi problemática, e atualmente está limitada a algumas instituições (em geral, denominacionais) que se preocupam em resgatar tanto desse passado quanto possível. Tais iniciativas, levadas a cabo muitas vezes apesar da falta de apoio e do desinteresse das lideranças, são um facho de luz sobre as origens e a trajetória do movimento religioso que mais cresce no país.
Um desses lugares é o Centro de Memória Metodista, entidade mantida pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). Ele surgiu a partir da decisão do Colégio Episcopal de preservar os arquivos e Museu Histórico do Metodismo Brasileiro. O professor Paulo Ayres Mattos, coordenador do centro, explica que o objetivo é tornar o local uma referência nacional na preservação da memória histórica da denominação, implantada no país na segunda metade do século 19, e do protestantismo brasileiro em geral. “Existe um desconhecimento geral da história da fé protestante no Brasil”, lamenta, “e do testemunho corajoso dos nossos antepassados, que enfrentaram todo tipo de perseguição. Há mesmo um desprezo pelo que Deus fez ao longo de mais de 180 anos de presença evangélica aqui”, aponta Mattos.
O professor reconhece a existência de alguns esforços isolados nesse sentido, mas acha que ainda não se faz isso de maneira organizada – o que é fato, ainda mais levando-se em consideração que poucas iniciativas utilizam os mais atuais recursos tecnológicos disponíveis no campo da arquivologia e museologia. Ele salienta que, para muitas pessoas, há um salto entre o tempo do Novo Testamento e o cristianismo brasileiro contemporâneo. “Mas, se hoje podemos testemunhar o Evangelho com liberdade, devemos isso, em grande parte, ao testemunho fiel de nossos irmãos e irmãs do passado”, lembra. O acervo do centro, que estará acessível ao público em setembro de 2010, é constituído de um grande número de documentos impressos, fotográficos, audiovisuais, eletrônicos e digitais. Nesse material é possível encontrar, por exemplo, xilogravuras de Marco Túlio Cícero do ano de 1518, além de itens raros, como o livro que reúne as obras completas de Platão, de 1538, a Bíblia traduzida por Martinho Lutero, de 1582, e as Institutas da religião cristã, de João Calvino, um dos pais da teologia reformada, datadas de 1592. No mesmo local funcionará o Museu Histórico da Igreja Metodista, com várias peças antigas e raridades.
Outra instituição que se preocupa com a conservação dos registros do passado protestante brasileiro é a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). Há seis anos, foi inaugurado o Museu da Bíblia (MuBi) em Barueri, na Grande São Paulo, onde fica também o parque gráfico da editora. A linha de trabalho do museu, pela própria natureza da instituição mantenedora, é um pouco diferente: a intenção ali é apresentar a história da Bíblia Sagrada, de maneira geral. Por tabela, o MuBi conta ao visitante a história das Sagradas Escrituras no Brasil e a influência da Palavra de Deus na cultura e na vida do povo brasileiro. Para isso, a entidade, além de seu acervo fixo, promove constantemente exposições temáticas e desenvolve iniciativas educacionais.
O diretor do museu, pastor Erní Walter Seibert, ressalta a importância da preservação da história religiosa. “Tem havido um crescimento na consciência da importância de preservar a história”, opina Seibert. Ele fala que esse fenômeno está se intensificando com a celebração de jubileus entre as principais denominações e igrejas brasileiras – caso da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), que acaba de comemorar seu sesquicentenário, e da Assembleia de Deus, que em 2010 começa a festejar cem anos de atividades no país. “Essas celebrações estão propiciando a publicação de obras nas quais a história dessas organizações é registrada”, diz. De fato, a Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD) tem feito diversos lançamentos registrando e valorizando a própria trajetória. Seibert destaca a importância da criação de museus e institutos históricos para a preservação de documentos antigos, colocados à disposição de todos para consulta e pesquisa. “Isso evita a amnésia histórica, tão prejudicial em qualquer área de atividade humana.”


“Eterno retorno” – Esse trabalho de conservação não é fácil. Para formar um acervo, organizações como o MuBi dependem de doações de peças históricas e ajuda financeira para manutenção e desenvolvimento, o que inclui contratação de profissionais e serviços especializados. Parcerias entre organizações com o mesmo propósito também são importantes. A biblioteca do Museu da Bíblia, por exemplo, recebe todas as novas traduções das Escrituras produzidas no mundo. “Isso é possível porque temos parceria tanto com outras sociedades bíblicas quanto com as instituições que traduzem a Palavra de Deus pelo mundo afora”, explica Seibert. Outra dificuldade é o acesso às informações. “Localizar a documentação sobre o metodismo e o protestantismo brasileiros, em suas manifestações religiosas, educacionais e sociais espalhadas pelo país afora – e conseguir a confiança de seus atuais depositários para colocá-la à disposição do público em geral de forma organizada, com acesso fácil e rápido –, é muito complicado”, continua Paulo Ayres. Nessa lista de dificuldades, o pesquisador inclui a falta de recursos que financiem tais iniciativas. “Para isso, é importante que o projeto seja desenvolvido como parte das atividades de uma universidade, o que nos possibilitará, esperamos, acesso a recursos públicos e privados de incentivo a ações culturais”, comenta.
A questão financeira nem sempre é a mais complicada. O dinheiro pode não resolver quando um documento ou material histórico está em mãos de particulares e essa pessoa cria laços de afetividade com o material. “Esses laços afetivos, no entanto, nem sempre se transmitem para a geração seguinte, que descuida desse material e, por vezes, até o descarta, pensando que não tem valor. Isso causa uma perda irrecuperável”, destaca Erní Seibert. Para evitar esse risco, segundo ele, a recomendação é a doação de tais documentos a uma instituição séria. “Ali, o material será preservado e colocado à disposição de toda uma coletividade.”
Foi graças à doação de peças, fotos e documentos que a Igreja Evangélica Fluminense conseguiu montar um museu que é referência para muitos estudantes e pesquisadores do segmento religioso. Localizado numa sala do histórico templo da Rua Camerino, no centro antigo do Rio de Janeiro, a entidade só existe graças à perseverança e à dedicação da bibliotecária aposentada Esther Marques Monteiro, de 84 anos. Ela, que não recebe nada pelo serviço, cuida da Biblioteca Fernandes Braga, com mais de mil volumes que contêm parte da história da Igreja no Brasil. Há também objetos usados pelo pioneiro Robert Kalley, documentos e vasto material fotográfico. “Faço isso porque é importante preservar material tão rico”, diz a anciã. “Infelizmente, as igrejas não dão muito valor às nossas tradições”, constata.
No entender do bispo Mattos, os evangélicos precisam encarar com seriedade a preservação de sua documentação, estabelecendo centros encarregados de cuidar desse material. “Ao longo dos anos, o protestantismo acumulou uma importância histórica reconhecida pelos mais diversos setores da sociedade. Portanto, sem a preservação dessa cultura, estaremos sempre inclinados a cair na tentação do eterno retorno, não tendo referências que nos ajudem a afirmar nossa identidade evangélica”, diz o professor. “É preciso ajudar o povo evangélico a compreender que, sem memória, não sabemos de onde viemos.”
Conservando o presente para as gerações do futuro

Para que não se repita no futuro a dificuldade encontrada hoje em dia no resgate da memória protestante, é importante lembrar que o presente um dia também se transformará em história – por isso, é necessário registrá-lo de maneira sistemática e organizada. Fundado há quarenta anos pela iniciativa de acadêmicos e intelectuais, como Rubem Alves, o Instituto de Pesquisas da Religião (Iser) surgiu com o objetivo de investigar o papel da religião na sociedade brasileira. Com isso, tornou-se fonte de pesquisas e uma referência sobre a trajetória recente da Igreja. A antropóloga Christina Vital, pesquisadora associada da área de Religião e Sociedade do Iser, falou a CRISTIANISMO HOJE sobre o papel do instituto e a relevância de suas pesquisas:
CRISTIANISMO HOJE – Qual é o papel do Iser no registro da história da religião no Brasil?
CHRISTINA VITAL – O Iser é uma organização não-governamental de pesquisa e de intervenção em pautas que articulem religião, direitos humanos e meio ambiente. Há uma equipe de acadêmicos – pós-doutores, doutores, doutorandos e mestres – que compõe o corpo de pesquisadores associados do Iser. Temos uma série de estudos e pesquisas disponibilizados em nosso site, em nossa sede, no Rio de Janeiro, e em bibliotecas universitárias. Nestas últimas, disponibilizamos um periódico, a revista Religião e sociedade, onde são divulgados trabalhos de pesquisadores do Brasil e do exterior sobre o campo religioso nacional e internacional e sobre as diferentes formas de expressão religiosa. Parte da história da manifestação religiosa em nosso país encontra-se em nossas publicações e pesquisas.
Como contornar as falhas das igrejas na preservação de sua própria memória?
Foi-se o tempo em que as instituições e os movimentos sociais precisavam de organizações externas a eles e da universidade para registrar as suas histórias. Hoje, tanto os movimentos quanto as instituições, dentre elas as religiosas, vêm trabalhando para se apresentar à sociedade. Naturalmente, as instituições mais organizadas e com mais recursos podem contar com ajudas profissionais para registrar, resgatar e expor suas histórias e memórias para os membros novos, antigos ou mesmo para a sociedade mais ampla.
Por que a maioria das iniciativas nessa área partem de igrejas consideradas tradicionais?
As igrejas protestantes históricas têm maior tradição de estudo e de diálogo com a academia, de modo que conseguem fazer melhor essa preservação do que as igrejas pentecostais, mesmo as mais antigas. O modelo episcopal partilhado em muitas dessas igrejas históricas é, ainda, importante fator a possibilitar o resgate de uma história e a divulgação – diferentemente das congregações, que têm, muitas vezes, histórias distintas de formação e identidade própria, ainda que ligadas a uma mesma denominação.
Presbiterianos mantêm tradição centenária
É graças ao que alguns chamam “burocracia” que denominações históricas, como a batista e a presbiteriana, conservam registros importantes de seu legado à sociedade. O pastor Ludgero Bonilha Moraes, curador dos dois museus e do arquivo da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), conta que todas as decisões da denominação são arquivadas. “Desde a chegada do primeiro missionário no Brasil, são guardados documentos, atas, relatórios e fotos”, diz o religioso, que também é secretário executivo da IPB. Seu trabalho é garimpar o que há de realmente relevante para a história dos presbiterianos no material enviado pelas igrejas e avaliar que vale a pena ser guardado.
O museu mais importante da denominação, que guarda o maior acervo, está em Campinas (SP), onde também está localizado um dos seminários presbiterianos do país. A outra unidade está em Recife. Já na Catedral Presbiteriana do Rio, templo preservado pelo Patrimônio Histórico, funciona um pequeno e bem cuidado museu que narra ao visitante a história da denominação. Já do lado de fora, há uma estátua interativa do respeitado pastor Mattathias Gomes dos Santos, que liderou a congregação na primeira metade do século 20. Segundo Ludgero, a importância desses espaços é um estímulo para que as igrejas presbiterianas de todo o Brasil conservem seu material histórico. “Muitas coisas nos são enviadas para exposição”, conta o dirigente.
Por Laelie Machado
Fonte: www.cristianismohoje.com.br

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Dois irmãos cristãos foram encontrados mortos em Mosul

IRAQUE (16º) - Na noite de ontem, a polícia encontrou os corpos de dois irmãos cristãos em Mosul, ao norte de Bagdá. Os dois foram mortos com tiros na cabeça. Enquanto isso, na capital, muitas suposições sobre a responsabilidade dos ataques de 8 de dezembro, que mataram 127 pessoas, chegaram da al Qaeda. Um oficial de polícia também aponta Damascus e Riyadh como tendo “financiado” os criminosos.

As forças de segurança em Mosul confirmaram o assassinato dos dois irmãos de Batnaya, um vilarejo cristão. Na manhã de ontem, os dois foram até a área industrial de Mosul, para consertar o seu caminhão. A polícia encontrou os corpos ontem à noite. Ambos foram mortos com tiros na cabeça. O crime foi uma execução. As suspeitas recaem sobre extremistas sunitas, que já haviam atacado a comunidade cristã anteriormente.

Em uma declaração publicada em sites jihadistas, o Estado Islâmico do Iraque, uma célula local da al Qaeda, alega ser responsável pelo ataque de oito de dezembro, que matou 127 pessoas e feriu outras 500. Os fundamentalistas prometeram mais ataques se o governo não aplicar a sharia (lei islâmica) em todo o país.

No entanto, um oficial da polícia na capital acusou Damascus e Riyadh de “cumplicidade” na violência. O general Jihad al-Jabiri, diretor geral das forças de segurança, disse que “isso requer muito dinheiro, que viria da Síria e Arábia Saudita” e os governos dos dois países “estavam cientes disso”. Ele acrescenta que os ataques foram feitos com explosivos “estrangeiros”.

Os criminosos eram integrantes do antigo partido Baath , de Saddam Hussein, com a colaboração da al Qaeda e com “a ajuda dos países vizinhos”.

Tradução: Missão Portas Abertas
Fonte: AsiaNews

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Valdemiro Santigo, da Igreja Mundial do Poder de Deus, tira R R Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, do ar na CNT


Depois de perder espaço na TV Bandeirantes, R.R Soares agora abre mão de horário na CNT. Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, vai pagar mensalidades de R$ 3 milhões pelos horários de R.R, que não teve contrato renovado.


A CNT, no Rio de Janeiro, tinha muitos de seus horários ocupados pela Igreja Internacional da Graça de Deus, de RR Soares. Recebia R$ 2 milhões por mês.

Contrato vencido, espaço perdido. Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, com adiantamento de luvas e mensalidade, agora tem, com a sua igreja, exclusividade na programação da emissora.

Parte do dinheiro, inclusive, já foi utilizada na reforma do prédio da emissora no Rio. O apóstolo Valdemiro agora passou a ser um dos frequentadores mais assíduos da CNT.

Valdemiro Santiago em vida particular

Na semana passada utilizando-se de um helicóptero dos mais modernos, Valdemiro Santiago conheceu uma de suas novas propriedades na zona norte carioca. Apesar do helicóptero, o apóstolo geralmente se locomove nas ruas cariocas em sua luxuosa pick-up 4×4.

Fonte: Folha de São Paulo / Gospel+

Cristãos presos são ameaçados para que renunciem sua fé

COLÔMBIA (*) - A organização CSW pede que o governo colombiano intervenha para que 26 cristãos pertencentes a um grupo nativo sejam soltos. Eles foram presos pelas autoridades locais há mais de um mês, e têm sofrido muita pressão para que renunciem sua fé.

O grupo, que inclui mulheres e crianças (de seis meses) da população Kogui, foram levados à força e estão sendo mantidos nas terras kogui nas montanhas de Sierra Nevada. As autoridades, sob a liderança do governador José de los Santos Sauna Limaco, disseram que os cristãos não serão soltos até que se submetam aos rituais de reconversão para a crença tradicional do país.

O governador não permitiu que o grupo de cristãos deixasse a reserva Kogui para praticar sua religião fora da área, e agora ameaça os cristãos que permaneceram na reserva, dizendo que serão forçados a se “reconverterem” também.

O governo colombiano está demorando a agir, fazendo referência à Lei de Autonomia, que permite que os grupos indígenas pratiquem sua própria lei em cada reserva. No entanto, um grupo de políticos colombianos, ativistas de direitos humanos e advogados assumiu o caso, afirmando que a autonomia não pode ser um pretexto para violar os direitos humanos fundamentais.

Tina Lambert, uma das diretoras da CSW, disse: “O fato é que esses homens, mulheres e crianças estão sendo privados de seus direitos mais básicos, e com o conhecimento do governo colombiano. Lembramos as autoridades e o governador Sauna Limaco que os prisioneiros são cidadãos da Colômbia e pedimos que tanto o governo quanto as autoridades Kogui libertem os prisioneiros. Também pedimos que o governo colombiano garanta a liberdade dos membros de todos os povos indígenas no país, para que possam exercitar seus direitos básicos, seguindo a constituição colombiana e a Convenção de Direitos Humanos”.

Tradução: Missão Portas Abertas



Saúde de pastor em prisão domiciliar piora

ERITREIA (9º) - As condições do pastor Tewelde Hailom, que está sob prisão domiciliar, se deterioraram. Ele é fundador da igreja do Evangelho Pleno de Asmara.

Fontes dizem que a irmã do pastor, que cuidava dele em casa, recebeu ordens de se retirar. Agora, o pastor recebe o mesmo tipo de alimentação daqueles que estão na prisão: um pedaço de pão e uma xícara de chá pela manhã e à noite. Essa alimentação inadequada agravou o quadro de úlcera estomacal do pastor.

Ghide Haile, outro pastor da mesma denominação foi detido no dia 7 de novembro. A Portas Abertas desconhece as circunstâncias que envolvem sua prisão. Sabe-se, todavia, que ele está detido no 2º Distrito Policial de Asmara, capital do país.

Essa prisão elevou para 11 o número de membros da igreja do Evangelho Pleno que foram detidos. A primeira prisão se deu em 14 de outubro, quando a casa do pastor Tewelde foi invadida.

Sabe-se que dois homens levados presos nessa invasão, Samuiel Oqbagzi e Gebreberhane Kifle Tesfamichel, foram transferidos para 2º Distrito Policial de Asmara.

Alguns dos outros membros estão no 5º Distrito Policial de Asmara. Duas mulheres do grupo, presas também, estão em lugar desconhecido.

Pedidos de oração

1. Peça para Deus intervir na situação de sua Igreja na Eritreia.

2. Ore para que a graça de Deus seja abundante sobre a vida do pastor Tewelde e dos outros 11 membros de sua igreja. Que eles olhem para Deus e permaneçam firmes em sua fé.

3. Peça a Deus para edificar sua Igreja no país, apesar dos propósitos daqueles que querem destruí-la.


Tradução: Missão Portas Abertas



segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Pesquisa revela que 40% da população tem visão negativa dos cristãos

TURQUIA (39º) - Mais da metade da população de maioria muçulmana na Turquia é contra reuniões de membros de outras religiões e publicação de material sobre sua fé, de acordo com uma recente pesquisa.

Exatos 59% dos entrevistados disseram que não-muçulmanos “não deveriam” ou “absolutamente não deveriam” ser permitidos de se reunir abertamente para discutir suas ideias. Cinquenta e quatro por cento disseram que não-muçulmanos ou “não deveriam” ou “absolutamente não deveriam” publicar literatura que declare sua fé.

A pesquisa também revelou que cerca de 40% da população turca disse que eles têm uma visão “muito negativa” dos cristãos. O resultado da pesquisa afirma ainda que 60% disseram que existe apenas uma religião verdadeira; mais de 90% da população da Turquia é de muçulmanos sunitas.

Ali Çarkoglu, um dos professores da Universidade Sabanci que conduziu o estudo, disse que nenhumas das reuniões de religiões não muçulmanas está “livre de risco”. “Mesmo em Istambul não é fácil ser membro de uma religião que não o islamismo”, disse.

O relatório, lançado mês passado, foi parte de um estudo comissionado pelo Programa de Pesquisa Social Internacional, um grupo acadêmico de 45 nações que conduz pesquisas sobre assuntos sociais e políticos. O estudo quantifica quão religiosa é a população em cada um dos 43 países membros.

Çarkoglu, juntamente com o Professor Ersin Kalaycýoðlu, deu início à pesquisa em 2008. O estudo completo com o resultado dos 43 países será divulgado em 2010. O estudo foi conduzido antes por três vezes em intervalos de 10 anos.

Este ano marca a primeira vez que o estudo foi coletado na Turquia. O país foi o único com população de maioria muçulmana na pesquisa.

O levantamento inclui nuances significativas. Enquanto 42% da população concorda com a declaração de que pessoas religiosas devem ser tolerantes, 49% dos entrevistados disseram que ele deveriam “absolutamente” ou “quase” não apoiar um partido político que aceitasse pessoas de outra religião. Mas 20% daqueles entrevistados disseram que tinham uma visão “muito positiva” ou “positiva” dos cristãos (13% “muito positiva” e 7% positiva).

Çarkoglu disse que os resultados do estudo podem ser atribuidos ao sistema educacional turco, que ordena o estudo religioso para ginásio e colegial, séries nas quais cristãos e judeus “são sequer mencionados” ou são retratados como os “outros”, explica.

“Isso causa nos alunos um ponto de vista severo de intolerância”, acrescentou Çarkoglu.

Ameaça dupla

O Rev. Dositheos Anagnostopoulos, falando em nome do Patriarcado Ecumenico em Istambul, disse que os cristãos Ortodoxos Gregos são tratados como cidadãos de segunda classe na Turquia. Ele disse que membros de sua igreja sentem-se “pressionados”, mas que as coisas aconteceram de forma lenta nos últimos anos. No começo deste ano, dois cemitérios gregos ortodoxos em Istambul e um em Esmirna foram destruídos.

“Ainda existe vandalismo, mas não tem havido nenhum problema com ameaças físicas ultimamente”, ele disse.

Na Turquia, os cristãos enfrentam dupla ameaça de um estado auto-declarado “secular” e de membros do público que, de acordo com o estudo, tem se tornado mais submisso à fé islâmica. Cristãos são geralmente vistos como inimigos do estado, inimigos do Islã ou traidores da cultura turca.

Um relatório de 2009 sobre liberdade religiosa interncacional feito pelo Departamente de Estado norte-americano disse que na Turquia, “nenhuma lei proíbe explicitamente o discurso ou conversões religiosas; no entanto, muitos promotores públicos e a polícia observam o discurso e ativismo religiosos com desconfiança. Cristãos engajados em advocacia religiosa são ameaçados e pressionados pelo governo e autoridades estatais. Ameaças contra os não-muçulmanos criam uma atmosfera de pressão e de liberdade reduzida para algumas das comunidades não-islâmicas.”

Algumas vezes na história do país, o governo “manipulou a opinião pública” passando a mensagem de que os cristãos turcos têm ligação com poderes de fora do país que querem dividir a nação, disse Zekai Tanyar, turco cristão por mais de 30 anos. Ele é o presidente da Associação das Igrejas Protestantes na Turquia.

Em janeiro de 2007, Hrant Dink, editor-chefe do jornal semanal armênio Agos, foi morto em Istambul. Dink era membro da comunidade cristã armênia na Turquia. Três meses depois, dois cristãos turco e um cristão alemão foram mortos em Malatya. Os acusados dos quatro assassinatos alegaram ligações com os nacionalistas turcos. Dois outros cristãos, convertidos do islamismo enfrentam julgamento e são acusados, entre outras coisas, de “insultar a cultura turca” e provocar ódio contra o Islã.

De acordo com o relatório do Departamento de Estado norte-americano, por lei os cultos religiosos na Turquia só podem acontecer em locais aprovados pelo governo. Enquanto os sunitas recebem apoio do governo para construir suas mesquitas, os grupos não muçulmanos relatam dificuldades para abrir, manter e operar locais de adoração.

Tanyar, da Associação Protestante disse que a situação da perseguição anticristã na Turquia melhorou em alguns pontos, mas piorou em outros. “As pessoas se acostumaram com a ideia que nós existimos e certas leis mudaram para nos beneficiar”, disse ele. “Por outro lado, atos de desinformação e violência aumentaram”.

Tradução: Vanessa Portella

domingo, 6 de dezembro de 2009

Maridos deixam de sustentar esposas cristãs





MÉXICO (*) - Os líderes da comunidade de San Juan Yatzona, Oaxaca, Mexico, ameaçaram os maridos de Imelda e Hermilia Vargas Vargas. Um anúncio formal foi escrito declarando que se eles continuassem a mandar dinheiro para suas esposas cristãs, elas e seus filhos seriam expulsos da comunidade. 

Assim como muitas pessoas no México, os maridos de Imelda e Hermilia foram para os Estados Unidos como imigrantes ilegais para trabalhar. Qualquer quantia que possam guardar, eles mandam para suas esposas para sustentá-las e aos seus filhos também. 
Em 2007, Imelda e Hermilia aceitaram Cristo como Senhor e Salvador por meio do evangelismo da irmã Josefina. Suas conversões logo foram ao conhecimento dos líderes da comunidade de San Juan Yatzona. E eles escreveram uma carta para os maridos delas nos Estados Unidos recomendando que parassem de enviar dinheiro a elas, uma vez que elas “desobedeceram as autoridades locais aceitando Jesus Cristo como Salvador”. 

Ruben Vargas, irmão de Imelda e Hermilia, disse que os cunhados pararam de mandar dinheiro para suas irmãs porque se continuassem, eles perderiam todas as suas terras e posses; ou seja, tudo o que eles conseguiram com o duro trabalho enquanto estão longe da família. Desde março de 2008, quando pararam de enviar dinheiro, as duas cristãs foram forçadas a encontrar trabalho para sustentar os filhos. 

Imelda Vargas Vargas é casada com Francisco Arbea. Eles têm filhos gêmeos, Abdial e Berenice, que têm 6 anos. Francisco partiu para os Estados Unidos para arrumar emprego em 2006, quando as crianças tinham apenas três anos. Hermilia é casada com Tomás Ramos e têm uma filha chamada Deysi, atualmente com 7 anos. Tomás partiu em 2004 com a esperança de melhorar a qualidade de vida de sua família. 

As condições agora são muito ruins para Imelda e Hermilia que não somente carregam o peso financeiro de sustentar os filhos, como também estão sendo repudiadas por seus maridos e comunidade por terem aceitado o evangelho. Tanto Francisco quanto Tomás estão desapontados com suas esposas por essa decisão. Eles não querem mudar suas tradicões culturais e perder tudo o que conquistaram com muito trabalho nos Estados Unidos. 

Imelda e Hermilia não sabem como as autoridades conseguiram contatar seus maridos, mas a ameaça foi bem sucedida ao pararem de enviar valores para as mulheres. Entretanto, as duas mulheres resolveram trabalhar com conta e sustentar a família a ceder a pressão das autoridades. Elas agora deixam as crianças sob os cuidados de sua avó, que também é cristã. 

Desobediência à Lei Federal
As autoridades locais conhecem a lei, mas ainda assim, eles se recusam a cumpri-la. “A pior cegueira é daqueles que se recusam a enxergar”, disse uma das irmãs usando um ditado popular. Os líderes comunitários sabem que a lei federal do México protege o direito de liberdade do indivíduo, sua forma de viver e a crença religiosa. Porém, eles ignoram a lei e impõe suas próprias leis em suas comunidades. 

Um dos advogados que defende as autoridades legais de suas ações, é o mesmo encarregado de contatar os familiares fora do país e conseguir com que parem de enviar dinheiro para sustentar seus entes queridos. “Ninguém pode fazer nada contra a nossa lei. Não puderam no passado, muito menos agora”, disse ele recentemente. 

Esse é apenas um exemplo de como as autoridades em Oaxaca que expulsa cristãos de suas comunidades conseguem apoio legal para conseguir respaldo por suas ações.  

Pedidos de oração: 

• Ore para que Deus traga justiça em Oaxaca;
• Interceda por Imelda e Hermilia e seus filhos, que precisam muito de roupas, sapatos, comida e material escolar.


Tradução: Vanessa Portella 

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